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BoJack Horseman – 6ª temporada, Parte 1 | Crítica

BoJack Horseman – 6ª temporada, Parte 1 | Crítica

BoJack Horseman – 6ª temporada, Parte 1

Ano: 2019

Criador: Raphael Bob-Waksberg

Elenco de vozes: Will Arnett, Amy Sedaris, Alison Brie, Paul F. Tompkins, Aaron PaulLakeith StanfieldJ. K. SimmonsStephanie BeatrizKristin ChenowethSam RichardsonHilary Swank

Parece difícil de acreditar, mas BoJack Horseman está chegando ao fim. Foi até um pouco surpreendente quando a Netflix anunciou que a 6ª temporada seria a última, e que seria lançada em duas partes. É difícil dar adeus porque nos acostumamos a ver esse cavalo beberrão tentando superar seus vícios e problemas do passado que o aterrorizam até hoje, mas toda jornada, seja divertida ou dolorosa (e BoJack Horseman é ambos), precisa chegar ao fim.

A 6ª temporada começa exatamente de onde a 5ª terminou, com BoJack (dublado por um WIll Arnett inspirado) indo para a clínica de reabilitação Pastiches, conhecida por ser o lar temporário de vários famosos viciados de Hollywoo. A partir de então, vamos acompanhando essa nova fase de superação do cavalo e o que se passa com todos aqueles personagens que o rodeiam (e que também amamos).

É interessante notar que os primeiros episódios da Parte 1 funcionam como capítulos de ponto de vista (como em As Crônicas de Gelo e Fogo), com o foco sendo em apenas um personagem em cada um deles. Durante um episódio inteiro, vemos BoJack na clínica de reabilitação com rápidas passagens dos outros personagens; já no episódio seguinte, acompanhamos o dia a dia de Princesa Carolyn tentando conciliar trabalho e maternidade; e assim acontece com os episódios seguintes. Pouquíssimas séries foram tão bem-sucedidas ao tentar realizar isso (foi assim que The Walking Dead caiu, olhando por outro lado), e BoJack Horseman é um desses programas.

A estrutura da Parte 1 também pode ser vista como um flashback gigante de toda a série. Por diversas vezes, entramos na cabeça de BoJack e vemos como ele ainda é atormentado por erros do passado, fazendo com que o decadente ator seja obrigado a confrontar desastres como a morte de Sarah Lynn, sua colega de trabalho e de farra.

Vemos bastante dos anos 1990 também, época em que BoJack estrelava Horsin’ Around, mas o foco é mostrar como seu egoísmo destruiu vidas próximas a dele por culpa de seu alcoolismo. A abertura até mesmo mudou, agora contando com ares de filme antigo misturado com uma certa psicodelia melancólica (só assistindo para entender). Todo essa volta ao passado mostra como BoJack evoluiu desde a 1ª temporada, e ele não foi o único personagem a sofrer uma grande mudança.

Diane Nguyen se prova como a personagem mais bem desenvolvida em todos esses cinco anos e meio de BoJack Horseman. Seu emprego na Girl Croosh não lhe satisfaz mais (nunca satisfez, na verdade), mas a aquisição do veículo de comunicação por uma megacorporação midiática (em uma ácida crítica à AT&T e, óbvio, à Disney), faz a vida da escritora/jornalista tomar rumos diferentes. Ela decide mudar para uma cidade diferente, com um estilo de vida mais tranquilo, tudo isso enquanto lida com uma depressão real, em um perfeito contraponto ao seu ex-marido Mr. Peanutbutter, que agora ganha dinheiro como o ‘rosto da depressão’ e faz palestras (uma cutucada nos coaches).

O último episódio dessa primeira parte é o gancho ideal para que BoJack termine de lidar com as besteiras e babaquices que fez ao longo da vida, mas falar mais sobre isso seria estragar a experiência do espectador. No mais, BoJack Horseman continua impecável ao tratar de assuntos tão delicados com tamanha maestria e um timing cômico de dar inveja às outras sitcoms (tem piada até para o Deadpool). Resta agora só esperar pelo gran finale desta que se consolidou como uma das maiores obras já realizadas para a TV/streaming, e saber se o cavalo (que agora assumiu uma aparência mais serena) poderá se redimir.

Nota:


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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