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The Mandalorian – 1X01: Chapter 1 | Crítica

The Mandalorian – 1X01: Chapter 1 | Crítica

The Mandalorian – 1ª temporada

Episódio: Chapter 1

Ano: 2019

Criador: Jon Favreau

Elenco: Pedro Pascal, Werner Herzog, Carl Weathers, Nick Nolte, Taika Waititi

Dizer que o universo criado por George Lucas para Star Wars é riquíssimo é chover no molhado. Todos sabem disso. Até quem não é fã da saga. E o mais interessante é que, mesmo levando o público para conhecer um pouco dos detalhes de uma infinidade de planetas e galáxias, as histórias apresentadas nos cinemas sempre tinham como propósito algo maior. Uma megalomania — que não era ruim, afinal, derrotar um império é sempre interessante de se acompanhar. No entanto, visivelmente, havia um potencial incrível a ser explorado — e sem forçar a barra, como aconteceu com Han Solo, por exemplo. Mas isso é passado, pois The Mandalorian chegou.

Antes de falar da atração do Disney+, vamos voltar um pouco: não é interessante que um personagem como Boba Fett tenha conquistado uma legião de fãs em suas eventuais aparições na franquia? O mercenário pouco fez em Star Wars (não estou falando do universo expandido, calma) e, para completar, ainda teve uma morte patética. Porém, como caiu nas graças do público, ganhou uma origem um tanto quanto duvidosa em O Ataque dos Clones. Mas, o público queria mais.

Um filme do personagem de poucas palavras foi pedido por décadas. E, pelo que parece, chegou perto de acontecer. Contudo, obviamente, não saiu. E The Mandalorian também não conta a história de Boba Fett, mas é próxima o bastante para atrair os admiradores do mercenário, bem como chamar a atenção de quem sempre o achou superestimado — afinal, não é ele o protagonista, apenas o visual marrento (que baita sacada dessa Disney). Idealizada por Jon Favreau — competentíssimo e atual queridinho da Disney —, a atração tem como objetivo levar o seu público ao lado sombrio do universo de Star Wars, onde nenhum filme foi (Rogue One chegou perto).

Com apenas 38 minutos de duração, o primeiro episódio de The Mandalorian apresenta de maneira eficiente o protagonista, que é vivido pelo sempre consistente Pedro Pascal. E, ao contrário do que estamos acostumados, os objetivos dele não são grandiosos ou heroicos. O mandaloriano quer, apenas, capturar e entregar seres procurados pela galáxia. E isso é o grande atrativo da produção: saber o que acontecia em ‘terra firme’ enquanto uma meia dúzia atacava Estrelas da Morte. Solitário, o personagem não tem a ambição de fazer amigos — e o ambiente em que ele está inserido nem é propício para tal.

A pegada de The Mandalorian, como se percebia nos trailers da série, remete a produções de western — ambiente, diálogos, personagens, trilha sonora… Tudo cuidadosamente pensado para trazer de volta o clima dos filmes de faroeste, ao mesmo tempo em que conta com elementos modernos, como robôs e naves. Jon Favreau (que havia fracasso em tentar casar bang-bang com naves em Cowboys & Aliens) e o diretor do primeiro episódio da atração, Dave Filoni, ainda tiveram a competência de lidar com o orçamento consideravelmente menor que os filmes da saga: remeteram ao visual do primeiro longa, Uma Nova Esperança, quando tudo era ‘mais simples’, despertando a nostalgia dos fãs, não causando estranheza (afinal, todos já estão acostumados) e ainda economizando em CGI.

Com uma rápida passagem pelos personagens secundário — afinal, o tempo era pouco e o mandaloriano precisava mostrar a que veio (missão cumprida já nos primeiros minutos da atração, mas ok) —, o destaque vai para o droide IG-11 (Taika Waititi), que roubou a cena em combate, além de trazer comicidade para a trama (não que precisasse, vale destacar, mas é impossível não se contagiar com um droide carismático). O personagem de Werner Herzog também é interessante, principalmente pelo espaço onde está inserido, mas as suas falas são menos impactantes do que o roteirista imaginou.

Enfim, a primeira série em live-action de Star Wars chegou com tudo, abrindo um excelente leque de opções dentro da franquia mais popular da história. O potencial para explorar o universo apresentado na atração — que se passa após os eventos de O Retorno de Jedi — é gigantesco. The Mandalorian foi lançado para mostrar que a franquia criada por George Lucas casa perfeitamente com a televisão. O submundo de Star Wars é fascinante e o mandaloriano de Pedro Pascal, em menos de 40 minutos, já se mostrou muito mais interessante que Boba Fett. “E tenho dito”.

Nota:


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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