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Daybreak – 1ª Temporada | Crítica

Daybreak – 1ª Temporada | Crítica

Daybreak – 1ª temporada 

Ano: 2019

Criadores: Brad Peyton e Aron Eli Coleite

Elenco: Colin Ford, Alyvia Alyn Lind, Sophie Simnett, Austin Crute, Cody Kearsley, Matthew Broderick, Krysta Rodriguez

Daybreak é uma série desesperadamente adolescente. Criada por Brad Peyton e Aron Eli Coleite, a atração busca a cada quadro, a cada montagem, a cada episódio, firmar um estandarte da juventude contra a maturidade, num conto sobre amadurecimento em meio a uma distopia que mais parece uma utopia — quem nunca imaginou um mundo sem adultos? E é nesse conceito que se concentram as maiores virtudes da série, mas também seus defeitos. Como todo adolescente, Daybreak tem muito a mostrar, mas pouco a dizer.

Na atração da Netflix, acompanhamos um mundo pós-apocalíptico em que uma arma biológica destruiu (quase) todos os adultos dos Estados Unidos, transformando-os em espécies de zumbis (ou ‘Ghoulies‘). Conhecemos então Josh (Colin Ford), um menino que tenta sobreviver em meio ao caos ao mesmo tempo em que procura sua amada Sam Dean (Sophie Simmett). Até que a pequena incendiária Angelica (Alyvia Alyn Lind) e o ‘rônin‘ em busca de redenção Wesley Fists (Austin Crute) cruzam seu caminho, mudando suas perspectivas.

A série consegue ser muito habilidosa em transitar entre o presente e o passado, mostrando o elenco em sua vida ‘mundana’ na escola de ensino médio, e o futuro em que formaram tribos para sobreviver ao caos. É curioso que todos, jovens e adultos, de certa forma, reproduzem os mesmos comportamentos antes e depois do apocalipse. Enquanto os adolescentes mantém o mesmo sistema de divisão em tribos e de imposição por meio do bullying e consumo, os adultos são transformados em seres sem consciência que ficam reproduzindo seu último pensamento antes de serem mortos, criando assim uma oportunidade de criticar sua futilidade.

A maior qualidade da série reside em seu elenco. A rebelde Angelica e o samurai às avessas Wesley são os melhores personagens do núcleo dos ‘bonzinhos’, já que conseguem apresentar um bom nível de desenvolvimento e possuem dimensões. Os vilões também são muito bons. O atleta Turbo Pokaski (Cody Kearsley) esconde toda sua insegurança emocional através de uma espécie de messianismo à la Immortan Joe, e o professor Michael Burr (Matthew Broderick, impagável), que de mestre inspirador se transforma em um vilão manipulador. Tudo isso consegue até maquiar a chatíssima dupla de protagonistas,  Josh e Sam Dean (tanto que quanto esta tem uma ‘mudança’ de personalidade, no desfecho da série, não me surpreendeu em nada, considerando sua personalidade narcisista e egocêntrica).

O problema é que Daybreak não avança na discussões sobre a juventude. A série aposta na criação de uma identidade através da auto-afirmação estética e da superação dos traumas (o que fica ainda mais claro nas quebras da quarta parede, em que os personagens literalmente CONTAM o que estão sentindo), temas batidas e já amplamente explorados na cultura pop. Talvez nem fosse a intenção da equipe de produção, mas o fato é que toda vez que a série tenta ser mais do que uma série de zumbis adolescente, falha, com a inegável auto-sabotagem das passagens dramáticas pelo humor forçado (e, muitas vezes, sem graça).

Daybreak é um ótimo entretenimento, recheado de referências à cultura pop, montagens pop e arroubos estéticos. E é curioso como a produção reproduz, em si própria, a maior qualidade e o pior defeito da juventude: a beleza da inocência e da insegurança em meio à busca pela identidade, e total falta de recursos para lidar com os problemas da vida.

Nota:


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Jornalista em formação, ex-membro do finado e saudoso Terra Zero e leitor de histórias em quadrinhos. Fã de ficção científica e terror, divide seu tempo livre entre o cuidado com suas dezenas de gatos e a paixão pela cultura pop. Sonha com o dia em que perceberão que arte é sim, uma forma de discutir política.

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