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O Filme do Bruno Aleixo | Crítica

O Filme do Bruno Aleixo | Crítica

O Filme do Bruno Aleixo

Ano: 2019

Direção: João Moreira, Pedro Santo

Roteiro: João Moreira, Pedro Santo

Elenco: Gonçalo Waddington, Adriano Luz, Rogerio Samora, João Lagarto, José Raposo, David Chan Cordeiro, Manuel Mozos, Fernando Alvim

Não é surpresa para ninguém que o YouTube se tornou uma das maiores plataformas de produção de conteúdo original e, possivelmente, a mais democrática em termos de acessibilidade. Cada um pode criar seus próprios vídeos, alcançar um grande público e se tornar famoso. Nisso, vários youtubers se tornaram celebridades e migraram para o cinema, muito dos quais apenas como atores, mas alguns se arriscam como diretores. Ano passado, Bo Burnham fez sua estreia na direção com o excelente drama de amadurecimento Oitava Série e Joe Penna comandou Arctic, filme sobre um desastre áereo estrelado por Mads Mikkelsen — ambos extremamente aclamados.

Eu, provavelmente, mentiria se dissesse que não me surpreendi ao saber que O Filme do Bruno Aleixo é dirigido por um youtuber. Mas enquanto os dois casos acima são de ficções originais que em nada tem haver com o conteúdo do canal de seus respectivos realizadores, esta comédia portuguesa é uma extensão da websérie que acompanha o personagem do Bruno Aleixo, desta vez com uma hora e meia de duração.

Sem compromisso com qualquer estrutura de roteiro, o filme segue o protagonista e seus amigos antropomórficos discutindo ideias para um longa-metragem — Bruno deveria ter pensado em uma proposta para o estúdio em três meses e não o fez. E a comédia nunca sai desse formato de esquete, que é mais apropriado para o YouTube se dividido em diversos vídeos, mas que aqui funciona a maior parte do tempo.

O humor é eficiente e leve com várias piadas metalinguísticas que brincam com os clichês de alguns gêneros cinematográficos e formatos televisivos como policial, suspense, novela e sitcom. Os personagens portugueses também fazem piada com o Brasil, mas nos dois casos em que isso acontece, são de bom gosto.

No entanto, com o passar do tempo, a estrutura de esquete cansa. As histórias sugeridas acabam perdendo a graça e o longa acaba caindo na repetição. O exemplo mais infeliz disso acontecer é quando a primeira história, que tinha sido a mais divertida, volta depois de um ‘intervalo’ de mais de 30 minutos e a sua segunda metade passa a soar longa e desnecessária. Eu mesmo admito ter esquecido completamente que a primeira história tinha sido deixada incompleta.

Acabando sem qualquer tipo de conclusão, O Filme do Bruno Aleixo é uma experiência divertida até para quem não conhece o personagem (que já apareceu aqui no Brasil em uma edição do Falha de Cobertura). Uma pena que a transição do digital para o cinema não funcionou tão bem quanto o esperado.

Nota:

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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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