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Dora e a Cidade Perdida | Crítica

Dora e a Cidade Perdida | Crítica

Dora e a Cidade Perdida (Dora and the Lost City of Gold)

Ano: 2019

Direção: James Bobin

Roteiro: Matthew Robinson, Nicholas Stoller

Elenco: Isabela Moner, Eugenio Derbez, Michael Peña, Eva Longoria, Jeff Wahlberg

Dora, a Aventureira é uma série animada popular da Nickelodeon que logo virou piada pelas constantes quebras da quarta parede. Dora, a protagonista de seis anos, interage bastante com o público perguntando para as as crianças onde está determinando objeto, pedindo para elas repetirem frases e ensinando palavras em inglês (ou espanhol, no áudio original). A animação, mesmo que educativa, dificilmente tem qualquer atrativo pra quem estiver fora da faixa estaria do programa — não que seja um problema para o desenho em si. O maior acerto da adaptação cinematográfica é transformar a protagonista em adolescente.

Em Dora e a Cidade Perdida, Dora Márquez (Isabela Moner) é uma adolescente que passou a vida inteira com os seus pais, Cole (Michael Peña) e Elena (Eva Longoria), na selva do Peru aprendendo a ser uma exploradora. Quando seus progenitores descobrem a localização da civilização perdida de Parapata, alvo de várias lendas de tesouro escondido, Dora é obrigada a ir para os Estados Unidos morar com a outra parte da família e estudar em uma escola normal. Meses depois, os pais da garota desaparecem e ela é sequestrada com o primo Diego (Jeff Wahlberg) e dois colegas por pessoas más que querem encontrar Parapata com intenções ruins.

O filme segue todos os caminhos óbvios. Existe um distanciamento entre Dora e Diego, que eram melhores amigos na infância, mas depois que o garoto se mudou para a cidade e aprendeu a viver como um adolescente normal, ele se sente constantemente constrangido pela prima. Dora não consegue se adaptar na escola e rapidamente se torna uma piada pelo seu otimismo exagerado, hábitos estranhos e não ser socialmente compatível com o resto. E quando finalmente se torna um filme de aventura, todos os caminhos básicos do gênero são seguidos.

O enredo é clichê, todos os dramas são batidos e todas as coisas que acontecem são derivadas de outros filmes, mas ainda assim ele funciona. Não esperava me divertir assistindo Dora, mas aqui estamos. Um dos maiores pontos positivos do longa é o quão ciente ele é das partes mais bobas do desenho e apontar isso para o público. Os próprios personagens do filme olham estranho para a Dora quando ela conversa com Mochila ou Mapa (aqui objetos inanimados que só falam na imaginação da garota quando criança), começa a cantar do nada sobre qualquer coisa ou fala ‘sozinha’ quando conversa com o público.

Isabela Moner está brilhante no papel principal. Dora é encarnada como uma adolescente infinitamente otimista, animada e inteligente, que cansa todos a sua volta com tanta positividade. A atriz tem um carisma muito cativante e é quase impossível não se animar quando ela fica empolgada. O filme não funcionaria sem Moner. O resto do elenco, no entanto, tem um nível de atuação das séries live-action da Nickelodeon (para quem não as assiste, é melhor continuar assim). Os outros atores adolescentes não são muito convincentes nos seus papéis e empalidecem quando em cena com a protagonista. Michael Peña e Eva Longoria estão constrangedores e atuando mal de propósito, espero. A talentosa Adriana Barraza tem pouco tempo de tela e pouco pode fazer como a abuelita Valerie.

Voltado para o público infantil, Dora e a Cidade Perdida é suficientemente passável para adultos. As crianças ficarão entretidas, os responsáveis por elas não devem morrer de tédio assistindo. O humor é bem simples e muitas das piadas não funcionam, mas sempre que satiriza o desenho ou cria alguma situação constrangedora é bem funcional. As músicas que a Dora canta são propositalmente idiotas e chiclete (ainda não consegui tirar Juntos Conseguimos da cabeça). Infelizmente, o filme cai em armadilhas que facilmente poderia ter evitado, como Dora e Diego irem para mesma sala de aula quando os dois não têm a mesma idade e não tentar fazer absolutamente nada de novo, ficando sempre na mesmice. Até a reviravolta do longa já tinha sido revelada antes de acontecer.

Com mensagens bonitas sobre amizade, aprender a respeitar as diferenças e não ter vergonha de ser quem você é, Dora e a Cidade Perdida é uma boa surpresa. A produção que tinha tudo pra dar errado e ser sofrível, mas, por sorte, não deu. Ancorado por uma carismática atuação de Isabela Moner, o filme apresenta uma hora e quarenta de diversão moderada.

Nota:


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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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