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Meu Nome é Dolemite | Crítica

Meu Nome é Dolemite | Crítica

Meu Nome é Dolemite (Dolemite Is My Name)

Ano: 2019

Direção: Craig Brewer

Roteiro: Scott AlexanderLarry Karaszewski

Elenco: Eddie MurphyKeegan Michael-KeyWesley Snipes, Da’Vine Joy Randolph, Craig RobinsonMike EppsTituss BurgessKodi Smit-McPheeRon Cephas JonesBob Odenkirk, Snoop DoggChris Rock

O blaxploitation foi um movimento cultural que surgiu nos anos 70 nos Estados Unidos, dando um espaço aos negros no cinema que até então havia sido negado. Personalidades como Pam Grier, Richard Roundtree e Jim Kelly alcançaram a fama, pois seus filmes eram um sucesso absoluto – Shaft talvez seja o exemplo mais popular. Outra figura bastante relevante na cultura negra norte-americana era Rudy Ray Moore, um artista de stand-up que alcançou muito sucesso com seus discos de comédia, até que decidiu fazer um filme sobre Dolemite, seu personagem e alter ego mais famoso. Contra toda a expectativa, seu filme foi lançado e obteve um lucro altíssimo, tornando-se uma das maiores surpresas do cinema de 1975. Agora, em 2019, o legado de Moore/Dolemite é relembrado em Meu Nome É Dolemite, cinebiografia do ator que coloca Eddie Murphy no papel principal.

De certa forma, Meu Nome é Dolemite pode ser considerado um filme motivacional. A história é a de um cara que recebeu muitos “nãos” na vida, mas que nunca desistiu de realizar os seus sonhos. Felizmente, não é por esse caminho clichê e meritocrático que a produção da Netflix vai. O longa é mais focado em mostrar como Moore se divertia fazendo seu trabalho do que nos seus percalços (e olha que são muitos).

Muito do carisma do longa está na trilha sonora composta de soul e funk e, principalmente, na força do elenco encabeçado por Murphy. Há três anos longe das câmeras, o filme funciona como o comeback perfeito do ator, visto que Mr. Church, longa protagonizado pelo comediante, de 2016, não fez sucesso e ninguém se lembra de sua existência. O Rudy Ray Moore de Murphy tem o timing de comédia já consagrado do ator, além de acrescentar boas camadas de drama ao seu personagem. Mas o ator é só a cabeça, precisamos falar também do corpo.

Keegan Michael-Key é o roteirista Jerry Jones, que escreveu o Dolemite de 75; Wesley Snipes (também em um respeitável comeback) é o ator e diretor D’Urville Martin, cheio de estrelismo e trejeitos afetados; Da’Vine Joy Randolph é Lady Reed, discípula de Moore na comédia e uma de suas grandes amigas; temos ainda Tituss Burgess, Mike Epps, Craig Robinson e Bob Odenkirk e todos estão ótimos em cena, embora em menor escala. Até Snoop Dogg faz uma boa participação especial como um DJ que se recusa a tocar a música de Moore.

Tecnicamente, Meu Nome É Dolemite também não faz feio. O filme conta com ótimos design de produção e figurino, recriando com maestria a estética suja, porém estilosa, da Los Angeles setentista; a Netflix provavelmente vai tentar essas categorias na corrida do Oscar 2020. O principal problema, entretanto, reside na montagem, que, na intenção de soar mais dinâmica, acaba um pouco desorganizada, fazendo do filme um grande videoclipe de alguma música soul. Mas isso não afeta a experiência de conhecer a história de Moore.

A direção de Craig Brewer também é eficiente, embora não seja tão marcante, mas o cineasta conseguiu fazer seu filme mais notável até então. Anteriormente, trabalhou somente em longas medianos, como o remake de Footloose, lançado em 2011, e Entre o Céu e o Inferno, de 2006. Meu Nome É Dolemite foi a verdadeira prova que Brewer precisava para se firmar como um cineasta de respeito, e seu próximo projeto também é estrelado por Eddie Murphy — estamos falando da sequência do clássico Um Príncipe em Nova York.

No final das contas, Meu Nome É Dolemite entrega exatamente aquilo que prometia: o retorno de um ator que estava no ostracismo e uma boa cinebiografia misturando comédia e drama que deve ser lembrada nas premiações. O filme também é responsável por trazer de volta a figura de Rudy Ray Moore e, provavelmente, manterá viva sua história e seu cinema “ruim” (apenas para a época, vale lembrar, pois hoje Dolemite é considerado um clássico) para uma nova geração. Meu Nome É Dolemite faz bem o seu dever de casa.

Nota:


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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