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O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio | Crítica

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio | Crítica

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio (Terminator: Dark Fate)

Ano: 2019

Direção: Tim Miller

Roteiro: David S. Goyer, Justin Rhodes, Billy Ray

Elenco: Linda Hamilton, Arnold Schwarzenegger, Mackenzie Davis, Natalia Reyes, Gabriel Luna

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio tinha tudo para ser a sequência que os fãs da franquia desejam desde 1991, quando saiu o incrível O Julgamento Final. Após três capítulos dispensáveis — A Rebelião das Máquinas, A Salvação e Gênesis —, em que não tínhamos Linda Hamilton e nem James Cameron, pilares da saga, ao lado de Arnold Schwarzenegger, a gangue original, finalmente, está de volta. E não tem como não ficar empolgado com isso.

Sendo assim, o novo filme tornou-se uma continuação de O Exterminador do Futuro 2. Os outros episódios da saga? Bem, como escrito acima, eram dispensáveis. E foi justamente o que Cameron — que retornou como produtor — fez: ignorou todos os filmes em que não esteve envolvido. Parece golpe, claro. E até é. Mas a decisão é justificável, vai. A cada sequência que era lançada após 1991, ficava cada vez mais visível: Linda Hamilton era a alma da saga.

Agora, 28 anos depois do último longa ‘que vale’, o futuro está salvo, certo? Afinal, tudo foi resolvido com o impecável desfecho de O Julgamento Final. Então, não é bem assim. Pode não ter mais Skynet, mas outra empresa de tecnologia causou o colapso no planeta. Novamente, a população que restou vive em uma realidade pós-apocalíptica, em que as máquinas estão no comando. E, claro, mais uma vez, um robô imparável e assassino é enviado para o presente para dar fim em uma liderança da resistência do futuro. É…

Em seus primeiros minutos, Destino Sombrio leva o espectador de volta no tempo e, após relembrar a Sarah Connor no passado, apresenta uma sequência de abertura tecnicamente impecável (e de cair o queixo, vale ressaltar). No entanto, após o impacto inicial, fica evidente que aquela solução, disfarçada de corajosa, foi pobre, acabando totalmente com a lógica da produção ser uma continuação do segundo longa.

Tá, mas e as novidades? Desta vez, a protegida é Dani Ramos (Natalia Reyes) e a sua guardiã viajante do tempo é Grace (Mackenzie Davis) — ótima, por sinal. Ambas precisam fugir de Rev-9 (Gabriel Luna), que é uma máquina extremamente tecnológica e letal. Com habilidades muito semelhantes às do T-1000, o malvadão, no entanto, não consegue causar o mesmo impacto do vilão do filme de 1991 — afinal, já sabemos o que ele pode fazer (tá, ok, acrescentaram uma diferença entre os dois, mas não impressiona).

E, além do Rev-9 não conseguir convencer como um vilão inédito, quando a pancadaria começa, destaca-se um dos principais problemas do filme. Além de não conseguir apresentar uma história criativa — é um copia e cola, na maioria das vezes —, as sequências de ação são uma bagunça. Tim Miller, que fez chover com um baixo orçamento em Deadpool, aqui, parece ter se deslumbrado com tantos milhões de dólares —cerca de 170 — e abraçou a megalomania, mas sem qualquer habilidade para coordenar o que está sendo mostrado na tela. Quando a máquina do mal alcança os mocinhos, o filme deveria empolgar, mas o efeito é o contrário: uma cansativa dor de cabeça.

Claro, ainda tem a Linda Hamilton e o Arnold Schwarzenegger na trama. Ambos, no entanto, na maioria do tempo, são dispensáveis. Eles até participam, mas não como se espera. Inclusive, chegam a ser constrangedoras as tentativas de interação de Sarah Connor com a dupla Grace e Dani. A mãe de John, praticamente, força entrar para a ‘equipe’ e fica avulsa na maior parte do tempo. Pois é, trouxeram de volta a dona da história para ela não ser a dona da história. A personagem, que deveria ser o elo entre as duas gerações, fica restrita a meia dúzia de frases clichês e situações forçadas. Já o T-800 até que consegue fazer graça (pois é) em alguns momentos, mas não faria muita diferença se ele não estivesse no filme. O drama que envolve os dois personagens, por sinal, acaba de uma maneira tão rasa que não condiz com a situação. Decepcionante.

No final das contas, Destino Sombrio não tem criatividade e nem se justifica. Com uma trama que já foi explorada na própria franquia, o esforço de retomar a história do segundo filme não fez qualquer sentido. É como se James Cameron dissesse: “Estragaram a minha obra. Me devolve que eu vou apagar os erros e errar de uma maneira diferente”. Agora, a única esperança para O Exterminador do Futuro é que ele não siga a frase icônica do T-800, “Eu voltarei”, e deixe que os fãs aproveitem apenas as boas lembranças dos dois primeiros filmes.

Nota:


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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