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Downton Abbey – O Filme | Crítica

Downton Abbey – O Filme | Crítica

Downton Abbey – O Filme (Downton Abbey)

Ano: 2019

Direção: Michael Engler

Roteiro: Julian Fellowes

Elenco: Hugh Bonneville, Elizabeth McGovern, Michelle Dockery, Laura Carmichael, Maggie Smith, Penelope Wilton, Allen Leech

Nadando sob uma onda de nostalgia, Downton Abbey – O Filme, longa-metragem baseado na série homônima que foi ao ar de 2010 a 2015, agora fecha seu ciclo nos cinemas, quatro anos após o encerramento na televisão. O seriado se passa na virada do século XX e acompanha a trajetória dos Crawley, uma família aristocrata que mora em uma grande residência campestre, mantida em ordem por sua equipe de criados. O enredo desenvolve um pouco da história de cada um dos personagens regulares no decorrer de seis temporadas.

Durante o desenrolar da série, muitos acontecimentos históricos foram marcando o passar do tempo. Seu primeiro episódio já contextualiza o naufrágio do navio Titanic, ocorrido em 1912, e mais para frente outros eventos como a Primeira Guerra Mundial, o ingresso da mulher em trabalhos exercidos somente por homens e várias mudanças relativas à moda da época. O filme não segue uma linha diferente, ele começa em 1927, dois anos após o último episódio de Downton Abbey, retratando a família Crawley prestes a receber membros da monarquia inglesa em sua residência e o trabalho duro para fazer com que essa visita seja bem sucedida. Nessa conjuntura, entra mais uma vez a apuração histórica, pois os componentes da realeza não foram inventados para o longa, e sim baseados no Rei George V e na Rainha Mary do Reino Unido, interpretados respectivamente por Simon Jones e Geraldine James, ambos muito bem caracterizados pelo figurino e produção. Mas isso já era de se esperar, afinal, a precisão para com fatos do período em que a narrativa se passa sempre foi bem efetuada desde o início da série, não deixando a desejar também no filme. 

Porém, nada do que ocorreu durante as temporadas é abordado com intenção de situar o espectador, nem há formas de recapitulação dos acontecimentos, pois o filme é claramente planejado para ser um fan service, ou seja, um presente para os fãs que tanto curtiam o programa. Por isso, é muito válido dar uma maratonada nos últimos episódios e ir ao cinema com a mente fresca, pois alguns fatores podem ter sido esquecidos nesses quatro anos de recesso.

Sobre a transição de tempo real, é de se ressaltar que conseguiram mergulhar o elenco inteiro em formol, pois não é perceptível nenhuma mudança significativa quanto à aparência dos personagens. Nem todos os atores e atrizes que já protagonizaram o show estão no filme, apesar de ser um revival de pura nostalgia, ele mantém apenas os participantes recorrentes da temporada final, e não traz nenhuma participação especial ou flashbacks. Não espere rever personagens como Lady Rose Albridge (Lily James), Matthew Crawley (Dan Stevens) ou Lady Sibyl Branson (Jessica Brown Findlay).

O maior destaque do longa é certamente a atuação da consagrada atriz Maggie Smith, que já está com 84 anos e rouba a totalmente a cena como a Condessa viúva Violet Crawley. Suas falas são inteligentes e hilárias ao mesmo tempo, os sarcasmos e expressões faciais de Smith são garantia certa de risos na platéia, e o engajamento com sua colega de cena Penelope Wilton, intérprete de Isobel Crawley, é fantástico, ambas são um alívio cômico muito bem executado por transparecerem uma sintonia verdadeira.

Fora as perspectivas mais técnicas, a carga de emoções que o filme desperta é bem significativa, pois ele consegue dar sequência na série exatamente do ponto em que parou, reavivando sentimento de saudade do espectador. Ouvir o tema de abertura tocando enquanto rolam cenas no interior da abadia faz com que o coração do fã bata mais forte. Entretanto, também não há surpresas no roteiro, é apenas mais uma página trivial da história, que proporciona o fechamento da trajetória de alguns personagens que ficaram sem final muito explorado no seriado, mas não há abalos, nem acontecimentos muito relevantes. Ainda assim, Downton Abbey – O Filme é um mimo saudoso e  prazeroso para os seus seguidores e vale a pena ser assistido em prol da nostalgia.

Nota


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Designer de moda e redatora gaúcha, vivendo em São Paulo. Interessada por arte e cultura pop em suas mais diversas áreas. Por ser uma romancista entusiasta, curte assistir adaptações literárias para o cinema, e pela ligação acadêmica com figurino, longas de época ocupam o topo da sua lista de filmes favoritos. Além disso, possui o super poder inútil (?) de guardar com facilidade nomes de artistas e apontar suas participações em produções.

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