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El Camino: A Breaking Bad Film | Crítica

El Camino: A Breaking Bad Film | Crítica

El Camino: A Breaking Bad Film

Ano: 2019

Direção: Vince Gilligan

Roteiro: Vince Gilligan

Elenco: Aaron Paul, Robert Forster, Charles Baker, Matt Jones

Breaking Bad tem, sem sombra de dúvidas, um dos finais mais bem fechados da história televisiva. A série não apenas conseguiu se manter altamente consistente em qualidade ao longo dos seis anos que esteve no ar, como também aumentava de nível a cada temporada. Felina, o último episódio, não deixou nenhuma ponta solta. Absolutamente tudo foi resolvido e cada personagem chegou a uma satisfatória conclusão, independente de ser feliz ou trágica. Por isso, foi uma grande surpresa saber que Jesse Pinkman (Aaron Paul) iria ganhar um filme solo acompanhando os eventos após sua fuga. O longa foi todo gravado e produzido em segredo, sendo formalmente anunciado apenas dois meses antes do lançamento e, agora, ele está disponível mundialmente na Netflix.

El Camino começa exatamente após a última cena do protagonista na série. Depois de fugir do cativeiro no qual ficou quase um ano escravizado, Jesse tem um plano. Perseguido pelas autoridades locais por causa do tiroteio, ele precisa se mover e rápido para conseguir atingir seu objetivo, com bem mais obstáculos do que a polícia em sua cola. E esse é o máximo que é possível falar sobre o enredo do filme sem entregar nada, o material de divulgação foi (acertadamente) vago em relação à trama além da premissa.

Aaron Paul, que já ganhou três Emmy por sua performance como o personagem, pode estar a caminho de outra estatueta. Paul está dando vida a um Jesse mais torturado pela vida e arrependido pelos erros do passado do que era visto na série — e também um Jesse mais esperto. Enquanto o traficante na série era conhecido como um risco por ser muito impulsivo e colocar tudo em risco, aqui ele está mais hábil do que nunca, ninguém pode passar a perna nele. Pelo menos metade do filme é composta por flashbacks, onde podemos vê-lo durante seu tempo de cativeiro e durante os eventos da segunda temporada. O ator é habilidoso ao interpretar o personagem durante esses três períodos de tempo completamente diferentes e entregar uma ótima atuação em todos eles, em momentos divertido e descompromissado e, em outros, de partir o coração.

Breaking Bad, entre todas as coisas pela quais ficou reconhecida, teve uma direção marcante com uma maestria técnica que ajudou a definir o padrão de qualidade das produções televisivas da última década. Vince Gilligan, criador da série, assume a cadeira de direção do longa e não desaponta. Gilligan comanda El Camino com um ritmo lento, dosando bem os momentos de tensão ao longo da narrativa. As cenas em que Jesse está correndo perigo eminente de poder ser preso ou morto são eficientes e intensas.

No entanto, por melhor que as partes que funcionam sejam, não é o suficiente para justificar a existência do filme. Como dito anteriormente, o final da série foi extremamente fechado e isso impacta a produção da seguinte forma: o objetivo do Jesse e as coisas que ele precisa fazer ou buscar precisam ser estabelecida por flashbacks. Até aí tudo bem, mas nem todo flashback é funcional. Um, particularmente, toma tempo demais e boa parte dele poderia ter sido cortada.

O único problema de Better Call Saul é que Bob Odenkirk, interprete de Saul Goodman, não está rejuvenescendo, em vários momentos do spin-off fica muito evidente o quanto o ator está velho enquanto está interpretando o advogado que deveria estar mais jovem do que em Breaking Bad. El Camino passa pela mesma coisa. Seis anos se passaram desde o final da série e os atores envelheceram com o tempo. É um pouco estranho ver os personagens que voltaram para o filme bem mais velhos do que da última vez em que os vimos enquanto eles estão interpretando-os apenas alguma horas depois de Felina. E piora nos flashbacks. Um ator em questão (você saberá qual) está radicalmente diferente. Quando Aaron Paul volta a interpretar o Jesse da segunda temporada, com o direito às roupas clássicas do personagem, é não intencionalmente engraçado porque o ator está dez anos mais velho e num físico totalmente diferente.

Mesmo que a proposta de ser uma jornada mais introspectiva do personagem, falta alguma coisa. Existem ótimas cenas, mas o conjunto da obra deixa a desejar. Após um clímax decepcionante e um final bastante emocional, é impossível não comparar os eventos do longa ao final da série. Enquanto a conclusão de Breaking Bad foi explosiva, impactante e objetivamente perfeita, El Camino falha em nunca conseguir nem chegar perto da satisfação em ver o Jesse fugindo de carro após ser resgatado pelo Walter White (Bryan Cranston), depois deste ter matado todos os nazistas. Jesse finalmente matando Todd Alquist (Jesse Plemons), tendo sua última discussão com Walt e os dois seguindo caminhos diferentes, com o protagonista seguindo a toda velocidade para um futuro até então incerto foi memorável. O que acontece, depois, nem tanto.

Nota:


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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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