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Em meio a cortes no setor audiovisual, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo resiste

Em meio a cortes no setor audiovisual, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo resiste

Neste último ano, a o setor cultural do país tem perdido os incentivos de todos os lados: a Caixa Belas Artes, popular e histórico cinema de filmes alternativos de São Paulo, perdeu o suporte financeiro da Caixa Econômica Federal, mas renasceu como Petra Belas Artes ao passar a ser patrocinada pela empresa de cerveja; a Ancine tem passado por diversas censuras e perda de editais – o próprio diretor foi afastado do cargo e ainda não foi substituído; e a 20ª edição do Festival do Rio pode não acontecer por corte de verbas.

E com a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, as coisas não foram diferentes. Com mais de 40 anos de história, o festival também passou por dificuldades e, por um momento, a atual edição foi uma dúvida. No último sábado, 5, a coletiva de imprensa da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo aconteceu no Espaço Itaú de Cinema da Rua Augusta, com a presença da diretora da Mostra Renata de Almeida e cinco convidados especiais de grande relevância no setor audiovisual e no patrocínio da evento.

Renata não esperava que a Mostra fosse acontecer neste ano com a proporção atual. Ao todo, a 43ª edição do festival conta com 326 filmes que serão exibidos em 27 locais em São Paulo e nos municípios vizinhos. Mário Mazzilli, cujo Instituto CPFL faz circulação para cerca de 60 cidades que não tem cinema, fará a ponte do festival para os municípios próximos: “Todos nós estamos enfrentando essa dificuldade. Para nós do Instituto CPFL, temos uma origem, uma ação muito baseada no audiovisual, nada mais lógico, nada mais correto do que continuar apoiando a Mostra. E oferecendo para as pessoas de Campinas e da região um pedaço da Mostra“.

Sobre o evento se estender pela cidade com exibições no Theatro Municipal, Vão do MASP e seis cinemas dos Centro de Educação Unificados, o secretário da Cultura Alexandre Youssef disse: “Ter visibilidade na cidade é uma maneira contundente da gente apostar na civilização contra a barbárie, contra a estupidez, uma forma muito contundente da gente afirmar a importância da cultura, da nossa identidade, da nossa expressão“. Laís Bodanky, presidente do Spcine, ressaltou a força do cinema nacional mundialmente: “Quando tem um ataque ao setor audiovisual, o setor responde com o que ele tem feito de melhor. Como por exemplo os filmes brasileiros com tanta reverberação internacional, que o Brasil não para de ganhar prêmio. Cada festival importante internacional, o Brasil tá lá ganhando o prêmio principal […] É um ano atípico no patrocínio, mas não na produção, não na qualidade, não no desejo das pessoas de assistirem ao audiovisual”.

Na véspera do aniversário de 26 anos do Espaço Itaú de Cinema, Claudiney Ferreira, gestor do Itaú Cultural, agradeceu a participação da imprensa no evento: “Gostaria de aplaudir vocês que estão aqui. Eu sou jornalista, gosto sempre de frisar isso, a mídia quando ela cumpre a sua função, ela é um poder extremamente necessário para um país civilizado. Então, parabéns pra vocês.” Danilo Miranda, diretor do SESC São Paulo, ressaltou a importância do cinema em momentos de crise: “Não é um cinema que se conforma com a realidade, não é um cinema que prestigia o estado de coisas que está por aí, mas pelo contrário, resiste, fortalece, traz questões vitais do ponto de vista da humanidade […] A forma de resistir tem que ser através pela própria cultura, através própria manifestação artística

Até o momento, a 43ª Mostra conta com produções de 45 países. Cerca de 60 filmes brasileiros serão exibidos e estarão presentes nas categorias Apresentação Especial, Competição Novos Diretores (que este ano bate o recorde de longas nacionais inscritos) e Perspectiva Internacional.

Wasp Network, novo filme do diretor francês Olivier Assayas baseado no livro Os Últimos Soldados da Guerra Fria, abrirá a Mostra deste ano. O longa é coprodução entre Espanha, França, Brasil e Bélgica. Produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, o elenco tem nomes como Gael Garcia Bernal, Penélope Cruz, Édgar Ramirez e Wagner Moura. No evento de abertura, que acontece no dia 16, Assayas, Moura, Ramirez e o ator Leonardo Sbaraglia estarão presentes. O enredo do longa acompanha a história real de um grupo de prisioneiros políticos cubanos acusados de assassinato e espionagem presos nos Estados Unidos nos anos 1990.

A retrospectiva deste ano será do próprio Assayas, que receberá o prêmio Leon Cakoff. Serão exibidos 14 filmes do diretor, incluindo Personal Shopper, Acima das Nuvens e Vidas Duplas. O israelense Amos Gitai, que ao todo já teve 41 filmes exibidos na Mostra, também será homenageado com o Leon Cakoff. Gitai estraá lançando o livro Em Tempos Como Estes… Correspondências, que acompanha cartas rebebidas e enviadas por sua mãe ao longo das décadas.

Pela primeira vez na histótia da Mostra, o Theatro Municipal fará parte do festival com exibições noturnas e gratuitas de filmes nacionais: A Vida Invisível, selecionado brasileiro para tentar concorrer a uma vaga no Oscar; Babenco – Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou, premiado documentário de Bárbara Paz; e Três Verões, novo filme de Sandra Kogut. Turma da Mônica: Laços, o longa nacional de maior bilheteria deste ano, terá uma exibição especial para comemorar o sucesso do filme nos cinemas. Estarão presentes Maurício de Souza, o diretor Daniel Rezende, Laís Bodansky e o elenco.

Será feita a exibição de cinco produções em realidade virtual, incluindo A Linha, vencedor de Melhor Experiência Interativa no Festival de Veneza. Neste ano, os longas virtuais estarão disponíveis em uma unidade móvel que fará itinerância nos CEUs.

Em homenagem aos 100 anos do filme, O Gabinete do Dr. Caligari será exibido ao ar livre com orquestra ao vivo no Auditório Ibirapuera. Entre os destaques do Vão Livre do MASP estão O Mágico de Oz e os curtas do diretor francês George Méliès.

O Farol, aclamado filme do diretor Robert Eggers e estrelado por Robert Pattinson e Willem Dafoe será exibido em sessão única com a presença de Dafoe e Eggers, este último ainda apresentará uma masterclass na Mostra.

O filme de encerramento será Dois Papas, produção da Netflix dirigida por Fernando Meirelles, que acompanha as mudanças no vaticano durante o período de transição dos papas. Com Anthony Hopkins como Bento XVI e Jonathan Pryce como Francisco I, o longa mostra os dois líderes da Igreja Católica com as suas visões diferentes tentando entrar em um acordo para definir o futuro da instituição.

A 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo acontece de 17 a 30 de outubro. Os ingressos para os filmes podem ser adquiridos no dia da sessão no cinema ou com três dias de antecedência pelo Velox Tickets. A programação oficial ainda será divulgada.


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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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