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Ad Astra: Rumo às Estrelas | Crítica

Ad Astra: Rumo às Estrelas | Crítica

Ad Astra: Rumo às Estrelas (Ad Astra)

Ano: 2019

Direção: James Gray

Roteiro: James GrayEthan Gross

Elenco: Brad PittTommy Lee JonesRuth NeggaDonald SutherlandKimberly EliseLoren DeanDonnie Keshawarz, Liv Tyler

Logo no início de Ad Astra, somos apresentados ao principal assunto do filme em uma cena que Roy McBride (Brad Pitt) realiza uma avaliação psicológica antes de fazer uma de suas rotineiras missões espaciais. Não, Ad Astra não é um filme sobre a busca pela vida fora da Terra no vasto universo que vivemos. O longa de James Gray é, na verdade, um denso e mórbido ensaio sobre solidão, que acontece no espaço sideral, mas poderia muito bem ser no meio do oceano.

Roy McBride é filho de Clifford McBride (Tommy Lee Jones), um lendário astronauta que desapareceu em uma missão rumo a Netuno ocorrida 27 anos antes. Após uma forte onda de energia vinda do espaço gerar caos por todos os planetas com humanos (sim, colonizamos Marte), toda a suspeita recai sobre Clifford (que ninguém sabe se está vivo), e cabe a Roy ir atrás de seu pai em uma perigosa e cega missão Sistema Solar afora.

Ad Astra é até um filme interessante. Tecnicamente é impecável. Todo o realismo nas cenas na Lua e em Marte é impressionante. E não estamos falando apenas do visual, mas também do trabalho sonoro. O som se propaga de modo diferente no espaço, algo quase inaudível, e nos moldes de filmes como 2001: Uma Odisseia no Espaço e (dadas as devidas proporções) Interestelar, cenas que seriam mais barulhentas em Hollywood são tratadas com muito esmero para que fiquem mais próximas da realidade. Os problemas de Ad Astra estão mesmo no ritmo e no roteiro.

James Gray já tratou da incansável busca pelo desconhecido e as consequências pessoais que isso causa no explorador em seu melhor filme até hoje, Z: A Cidade Perdida. No longa de 2016, o objeto de exploração era a Amazônia de um ponto de vista eurocêntrico. Em Ad Astra, é o espaço, mas este já foi colonizado. Inclusive, há uma cena de ação envolvendo piratas em solo lunar, o que ocasiona a frase do personagem de Brad Pitt: “Humanos brigando novamente por recursos”. Todos esses assuntos são apresentados em Ad Astra, mas nenhum deles é desenvolvido corretamente.

Mesmo com temas como “estamos sozinhos no Universo?”, egoísmo humano, capitalismo selvagem (tem um Subway na Lua) e solidão, o filme de James Gray soa prepotente demais, com personagens coadjuvantes tão rasos quanto o roteiro (só o protagonista é bem aproveitado). Veja bem, um filme filosófico não faz mal, muito pelo contrário, trabalhos assim estão em falta para o grande público. Mas se um cineasta decide fazer um longa com uma carga pesada de filosofia, ele não o deve fazer de forma tão barata. A impressão que passa é a de que Ad Astra foi concebido em uma mesa de boteco em uma terça-feira parada.

Além de tudo isso, há alguns absurdos que vão contra tudo o que a física ensina. Em Velozes e Furiosos funciona pois a proposta ali é não ser sério, mas Ad Astra não é a franquia de Vin Diesel, e sim um longa que tenta ser inteligente e acaba sendo um calmante. Ad Astra não é um filme ruim, mas também não é tão bom quanto deveria. É apenas um longa raso e esquecível que com certeza vai tentar alguns prêmios nessa temporada. E deve conseguir.

Nota:


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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