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Rambo: Até o Fim | Crítica

Rambo: Até o Fim | Crítica

Rambo: Até o Fim (Rambo: Last Blood)

Ano: 2019

Direção: Adrian Grunberg

Roteiro: Sylvester Stallone, Matt Cirulnick

Elenco: Sylvester Stallone, Yvette Monreal, Paz Vega, Sergio Peris-Mencheta, Adriana Barraza, Joaquín Cosío, Óscar Jaenada, Louis Mandylor, Sheila Shah, Jessica Madsen, Díana Bermudez, Marco de la O, Nick Wittman, Atanas Srebrev, Manuel Uriza

Desde sua estreia nos cinemas em 1982, John Rambo (Sylvester Stallone) percorreu o mundo em suas matanças. O personagem, criado originalmente por David Morrell no romance First Blood (1972), já passou pelo Vietnã, Afeganistão e Tailândia, além do próprio Estados Unidos. Com uma volta às origens lá do primeiro filme da franquia, em Rambo: Até o Fim, o veterano é tirado da zona de conforto de seu próprio lar.

O roteiro do filme dirigido por Adrian Grunberg, assinado por Matt Cirulnick e pelo próprio Stallone, é um recorte de diversos déjà vus cinematográficos. Do sequestro da garota que o protagonista criou como filha por uma quadrilha especializada em tráfico humano para prostituição enxergamos Busca Implacável (2008), e as armadilhas montadas em sua casa para enganar os vilões dão os ares do clássico Esqueceram de Mim (1990). São camadas e mais camadas de clichês em vários aspectos de montagem da obra, desde elementos mais simples (tal qual o ridículo filtro de cores quentes que virou até meme na internet por ser o único subterfúgio conhecido por Hollywood para ambientar o México) até às decisões de motivação do personagem, como o ultrapassado (para não dizer problemático) “Mulheres no Refrigerador”.

Como vivemos na era da glorificação da nostalgia, com um apreço especial aos anos 1980, não é surpreendente ver diversas obras aproveitarem a estética e ambientação vintage para agregar seu valor cultural. O que Rambo V faz é diferente disso: visivelmente, foi elaborado para ser um filme com a simplicidade oitentista, porém as referências param por aí. Temos a velha dicotomia dos mocinhos (americanos) versus os vilões (estrangeiros), com antagonistas tão caricatos que se poderia esperar uma risada maquiavélica para complementar sua saga de psicopatia. Da mesma forma, o personagem de Stallone segue intocável após cinco filmes, sem qualquer evolução ou trabalho para atualizar as facetas do ex-soldado marcado pelos traumas da guerra. Para o bem ou para o mal, o Rambo que vemos no filme de 2019 é exatamente o mesmo do de 1982.

O filme é dividido em duas porções bem distintas. Na primeira, somos apresentados à vida presente do personagem, sua casa e as pessoas que o cercam, entre elas Gabriela (Yvette Monreal), a neta de uma amiga, que é sequestrada pelo cartel mexicano. Além disso, é explorado a natureza da quadrilha e a história se desenrola até o sequestro da garota e a investigação de Rambo. Na segunda metade, a parte ‘Esqueceram de Mim‘ que já havia sido apresentada nos trailers aflora, e é com certeza um dos pontos altos do filme, pois é o momento em que vemos todas as técnicas e estratégias militares que os fãs da franquia estavam esperando. É o momento típico de filme de ação à moda antiga, com suas sequências sangrentas e frenéticas.

As mortes e batalhas são, com toda a certeza, o melhor que Rambo: Até o Fim tem para oferecer. São coreografias bem pensadas e trabalhadas com jogos de câmera que deixam o espectador tão confuso quanto os vilões, perdidos nos túneis subterrâneos construídos pelo soldado em seu rancho. Com a conquista da censura R Rating (+18 no Brasil), comemorada pelo próprio Sylvester Stallone em sua conta no Instagram, a produção não economizou nos baldes de sangue e efeitos práticos com um gore de dar inveja nos cineastas do Novo Extremismo Francês. As torturas e assassinatos são explícitos e bastante criativos, algo que se compara com jogos Mortal Kombat, e não é comumente visto nos cinemas mais mainstream.

Rambo: Até o Fim não é um filme que homenageia a década em que sua franquia se iniciou como tantos outros produtos da cultura pop que estão surgindo nos últimos tempos. Ele é como se fosse um filme criado propriamente nos anos 1980 que ficou em criogenia até o ano de 2019, e por isso carrega vários vícios de montagem daquela época que não funcionam tão bem aos olhos do telespectador atual. Para os fãs do gênero ação, é um filme de encher os olhos e sair empolgado do cinema, como uma viagem no tempo para trinta e sete anos no passado, na época em que o que havia de mais popular eram os filmes brucutu de Stallone, Arnold Schwarzenegger, Van Damme e tantos outros. Para os demais, pode ser que a narrativa retrógrada e o roteiro raso cheio de falhas da edição desagradem. Independente disso, o último filme do veterano da Guerra do Vietnã não traz nenhuma novidade em relação aos anteriores, e não possui carisma suficiente para ser lembrado daqui a alguns anos.

Nota: 


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Jornalista que migrou para a veterinária, mas sem deixar para trás as jornalices. Vive e respira horror, seja em quadrinhos, filmes, séries ou livros. Último posto de defesa da DC Comics em relação à Marvel, embora tenha que fazer vista grossa quando o papo é cinema. Fã de Heavy Metal, games single player e cospobre de carteirinha quando sobra dinheiro no final do mês.

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