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O Cristal Encantado: A Era da Resistência – 1ª temporada | Crítica

O Cristal Encantado: A Era da Resistência – 1ª temporada | Crítica

O Cristal Encantado: A Era da Resistência – 1ª temporada

Ano: 2019

Direção: Louis Leterrier

Criação: Jeffrey Addis e Will Mathews

Elenco: Taron EgertonNathalie EmmanuelAnya Taylor-JoyJason IsaacsSimon Pegg, Helena Bonham CarterMark HamillMark StrongBenedict WongGugu Mbatha-RawKeegan-Michael KeyAwkwafinaLena HeadeyRalph InesonToby JonesAndy Samberg

Lançado em 1982, O Cristal Encantado chegou fazendo pouco barulho. A história fantástica contada através dos fantoches criados por Jim Henson (o mestre por trás de Os Muppets e Vila Sésamo) trazia um universo rico sobre um mundo subjugado por uma raça maligna de outro planeta, mas o filme não agradou ao público. Agora, 37 anos depois, a Netflix lança um seriado que expande esse universo com muito capricho no design de produção, mas pouco no roteiro.

O Cristal Encantado: A Era da Resistência se passa aproximadamente mil anos antes do longa oitentista. O visual da terra de Thra ganha modernismos com algumas aplicações de CGI, mas mantém os fantoches característicos do filme original. A história é sobre três jovens da raça Gelfling que descobrem a farsa que é o poder dos Skeksis, os imperadores de Thra. Enquanto os Skeksis abusam do poder do cristal encantado, um elemento que permite que a vida exista em perfeito equilíbrio em Thra, para benefício próprio, o mundo está morrendo. Cabe então aos três Gelflings mobilizarem uma rebelião para salvar Thra da destruição.

O elenco de dubladores é recheado de estrelas: Taron Egerton, Anya Taylor-Joy, Nathalie Emmanuel, Helena Bonham Carter, Mark Hamill, Mark Strong, Simon Pegg, e por aí vai. Um elenco tão vasto pode trazer a ideia de que vai haver alguma qualidade no material, mas não é o que ocorre aqui, pois a mesma fica limitada somente ao visual. O roteiro com diálogos bobos e expositivos alinhado com a morosidade e falta de dinamismo das cenas de ação faz de A Era da Resistência uma experiência chata que perdura seus 10 episódios. As vozes dos atores estão irreconhecíveis, mas não de um modo positivo, pois parece que eles estavam apenas lendo as falas do dia de gravação enquanto arranhavam a garganta.

O roteiro da série ainda apresenta alguns paralelos com o mundo real, onde o fascismo e a extrema-direita vem dominando a política com fake news. Além disso, o egoísmo dos Skeksis também é análogo a ganância dos ricos (e também dos políticos), tornando A Era da Resistência uma espécie de história da luta de classes em um mundo de fantasia. Sobra ainda espaço para falar de aquecimento global, militarismo e um pouco de xenofobia. A Era da Resistência é um manifesto sócio-político, mas é chato.

Se o roteiro peca em apresentar uma história pouco empolgante, o visual já é o principal acerto do seriado. Os fantoches possuem uma riqueza de detalhes absurda, assim como todos os cenários que foram construídos para o projeto. Há algumas cenas com CGI que funcionam, enquanto outras parecem ter sido produzidas há 10 anos, mas no geral isso não incomoda. A belíssima fotografia da série ainda faz questão de evidenciar os três sóis que iluminam o mundo de Thra, lembrando um pouco o trabalho de Gilbert Taylor ao retratar Tatooine em Star Wars: Uma Nova Esperança.

É uma pena que O Cristal Encantado: A Era da Resistência não tenha funcionado. A série apresenta críticas pertinentes ao nosso mundo atual, e ainda conta um visual de encher os olhos, todos estragados pelo roteiro preguiçoso e nem um pouco empolgante. O final do episódio 10 deixou alguns ganchos para o futuro, e caso a série seja renovada, é pouco provável que a equipe de produção decida melhorar a qualidade. O legado de Jim Henson é mesmo Os Muppets, e não O Cristal Encantado.

Nota do crítico:


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

Comments

  1. “É uma pena que O Cristal Encantado: A Era da Resistência não tenha funcionado”

    Esse tipo de colocação só mostra o quão vaga é essa resenha, o roteiro por ser uma prequel, apresenta vários elementos e fortalece o universo do filme de 82, além disso a série teve uma boa recepção, ela não funcionou pra vc.

    Ele segue uma narrativa clássica, onde apresenta todos os tipos de arquétipos e se adentra numa aventura muito bem elaborada, claro que tem suas previsibilidades expostas, pq estamos falando de fórmulas já estabelecidas na história do cinema clássico, mas falar que não funcionou, é querer ser chato sem razão.

    É uma baita aventura, com seus momentos de rir, ficar puto com algum personagem, ver uma ação e aqui e ali e entender que fizeram tudo isso, usando bonecos e maquetes.

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