Bode na Sala
Críticas Destaque Filmes

Divaldo: O Mensageiro da Paz | Crítica

Divaldo: O Mensageiro da Paz | Crítica

Divaldo: O Mensageiro da Paz

Ano: 2019

Direção: Clovis Mello

Roteiro: Clovis Mello

Elenco: Bruno Garcia, Regiane Alves, Guilherme Lobo, Laila Garin, Marcos Veras, Caco Monteiro, Ana Cecília Costa, Bruno Suzano, Osvaldo Mil, João Bravo, Álamo Facó, Divaldo Franco, Alice Guêga, Caio Brandão, Nayana Rodrigues, Talita Coling, Vittor Fernando, Gabriela Nery

O cinema nacional já vem trabalhando com a doutrina espírita há algum tempo. Primeiro, tivemos Bezerra de Menezes: O Diário de um Espírito, em 2008, contando a história do médium que ficou conhecido como “médico dos pobres”. Em 2010, surgiram duas obras da mesma doutrina, porém com abordagens bastante diferentes: Nosso Lar e Chico Xavier. Assim, é possível ver que essa corrente do cinema religioso aposta principalmente em biografias de suas personagens mais icônicas e, seguindo essa tradição, surge Divaldo: O Mensageiro da Paz, dirigido por Clovis Mello.

A obra conta a história de Divaldo Pereira Franco, conhecido como o maior divulgador do espiritismo vivo, atualmente com 92 anos. Desde a infância, o professor já apresentava sensibilidade mediúnica, que se agravou com a morte de seu irmão mais velho. A ocasião fez com que ele perdesse temporariamente o movimento das pernas e o aproximou da doutrina espírita, apesar da resistência familiar. Não tardou a se mudar para Salvador a fim de aprofundar seus estudos, enquanto ganhava a vida em outros empregos.

Dilvaldo se tornou conhecido pela fundação da Mansão do Caminho, uma instituição filantrópica que fundou com seu melhor amigo, Nilson de Souza Pereira. Durante sua vida, educou e cuidou de várias crianças carentes, e adotou com seu nome cerca de seiscentas delas. Ainda hoje, a fundação atende todos os dias milhares de jovens em situações de vulnerabilidade social.

No filme, a vida do médium é dividida em três partes. Primeiramente, somos apresentados a Divaldo nos anos de sua infância (João Bravo), em que ainda não compreendia direito seus poderes e o porquê de sua família o acusar de mentir quando dizia ver fantasmas. A segunda e maior parcela do filme se passa durante a sua juventude (Guilherme Lobo), quando ele começa a estudar o espiritismo e compreender melhor como é capaz de ajudar os menos afortunados com suas habilidades. Na sua fase madura, ele é interpretado por Bruno Garcia, que entrega um Dilvaldo bastante distintos de seus colegas de elenco anteriores, trocando as facetas de um jovem impaciente, agitado e inexperiente por um semblante de serenidade e sabedoria.

Como a maior parte das obras cinematográficas brasileiras, em especial as de caráter religioso, o filme de Clovis Mello peca por apresentar seu personagem biografado com uma aura de santidade, o que o torna um tanto enfadonho pelo excesso de reverência em sua narrativa. Em alguns momentos, todavia, são mostradas as tentações que o caminho espírita coloca no caminho de Divaldo, tais como a possibilidade de se tornar famoso, a solidão em contraparte com a vontade de se casar e formar uma família e o controle de sua vaidade e egoísmo.

Com um roteiro bem construído, a obra se demora ao moldar as dúvidas e aprendizados que meneiam os pensamentos do professor. Sem se fazer excessivamente sério como os filmes espíritas que o antecederam, Divaldo: O Mensageiro da Paz tem momentos de descontração e riso que fazem com que o público simpatize e se conecte com seu protagonista, ao fazer os espectadores vivenciem junto a ele as confusões que podem acarretar na vida de um jovem médium.

Divaldo é acompanhado durante o filme por dois espíritos por toda a sua vida. Regiane Alves encarna (com o perdão do trocadilho) o Espírito Amigo, uma entidade misteriosa que auxilia e guia Divaldo em seus momentos de necessidade. No entanto, há um espírito maligno (obsessor, de acordo com os termos da doutrina), interpretado por Marcos Veras, que também segue o médium para tentar incentivá-lo a tomar decisões erradas. Esses personagens não só fazem o filme seguir sua trilha na vida de seu protagonista, como também explicam mais sobre como funciona a doutrina espírita para um público possivelmente leigo, uma jogada inteligente do diretor que destaca a obra em seu muito específico gênero.

Claramente um filme feito para seu nicho, Divaldo: O Mensageiro da Paz é uma obra que pode ser aproveitada também por quem possui apenas uma curiosidade biográfica. Muito mais do que a glorificação de uma figura religiosa, é uma história sobre constante aprendizado e paciência, além de mostrar que não é preciso ter muito para ajudar aqueles que nada possuem. A vida de Divaldo ensina que a boa vontade é suficiente para mudar o mundo.

Nota:


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Curta a nossa página no Facebook!

The following two tabs change content below.
Jornalista que migrou para a veterinária, mas sem deixar para trás as jornalices. Vive e respira horror, seja em quadrinhos, filmes, séries ou livros. Último posto de defesa da DC Comics em relação à Marvel, embora tenha que fazer vista grossa quando o papo é cinema. Fã de Heavy Metal, games single player e cospobre de carteirinha quando sobra dinheiro no final do mês.

Latest posts by Paola Rebelo (see all)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close