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Carnival Row – 1ª temporada | Crítica

Carnival Row – 1ª temporada | Crítica

Carnival Row – 1ª temporada

Ano: 2019

Direção: John Amiel 

Roteiro: René Echevarria e Travis Beacham

Elenco: Orlando Bloom, Cara Delevingne, David Gyasi, Tamzin Merchant, Andrew Gower, Karla Crome, Jared Harris, Indira Varma, Caroline Ford, Simon McBurney.

No ar pela Amazon Prime Video, a série Carnival Row é um dos conteúdos originais do stream, chamando atenção por se tratar de um universo fantástico. A produção é uma adaptação de um script de filme escrito por Travis Beacham (cocriador) e, apesar de ter criaturas míticas que são mais conhecidas por fazer parte do imaginário e literatura infantil, deve definitivamente ter sua definição de faixa etária respeitada, porque as cenas de violência e sexo são bem expositivas.

Antes de tudo, é interessante assistir aos dois prólogos referentes às histórias do investigador Philo (Orlando Bloom) e da fada Vignette (Cara Delevingne), que formam o casal protagonista, para só depois rodar o primeiro episódio de Carnival Row. Os vídeos têm apenas dois minutos de duração e já ajudam situar o enredo de forma sucinta, para não correr o risco de cair totalmente sem paraquedas em um mundo novo. Se pular os prólogos, no início da série há uma breve introdução à história, mas é preciso prestar atenção nela, caso contrário, já perde o fio da meada de como uma informação se liga à outra.  

O enredo parte de um ponto que apresenta a ruína do reino das fadas, após ter sido invadido por uma organização misteriosa conhecida como Pacto, que devasta por completo a região mágica ao declarar guerra, fazendo com que sua população fuja do local. No decorrer, há episódios que retrocedem no tempo para prestar esclarecimento de como alguns eventos vieram a acontecer, entretanto, o confronto entre essa facção e as fadas não é bem esclarecido, o que pode dar abertura para a próxima temporada vir a explorá-lo.  A partir de então, a maior parte do seriado se passa na cidade de Burgue (visualmente inspirada na Inglaterra do século XIX) que, a princípio, era terra dos seres humanos, até que os conflitos que decaíram sobre os reinos mágicos levaram as criaturas a buscar abrigo na metrópole.

Essa ambientação, e até mesmo o conteúdo de algumas cenas, lembram um pouco as novelas de época do horário das seis, o que torna meio difícil de comprar a série no início, mas, ignorando isso, há outras ideias que podem ser levadas em consideração como fatores positivos. Uma delas é que, além de acompanhar tramas românticas um tanto previsíveis, a produção realmente se desenrola em torno de uma premissa investigativa, que acompanha o detetive Philo desvendando casos de homicídios contra espécies variadas. E, aqui, há uma proposta muito legal para refletir em cima, que é a diversidade de raças mítológicas (fadas, faunos, centauros, lobisomens, entre outros) tomando o lugar de vítimas em situações de preconceito, o que claramente faz uma analogia com a discriminação à cores de pele, orientação sexual ou nacionalidades diferentes, questões da vida real que aparentemente não são um problema na história, tendo sua representatividade estabelecida através de naturezas estranhas ao homem.

Antes de propriamente estrear, há de se destacar que o seriado já chama atenção por conter alguns nomes familiares da indústria de cinema, afinal, os personagens principais são interpretados por Orlando Bloom (O Senhor dos Anéis) e Cara Delevingne (Esquadrão Suicida). Ao se deparar com a imagem de Cara nas fotos promocionais de Carnival Row, já aflorava aquela dúvida: será que ela demonstrará um desempenho melhor do que apresentou como a vilã Magia no longa da DC? E a resposta é sim. É perceptível que houve alguma evolução em sua dramaturgia, o que torna possível criar empatia com Vignette, porém, nada tão notável que eleve a atriz a nível de concorrer a um Emmy; mesmo assim, é legal ver que Delevingne está se esforçando para representar. Já no caso de Orlando Bloom, sua atuação como Philo parecia estar sendo levada em frente por obrigação, porém, visto que ele também está creditado como produtor da série, provavelmente seja só o arquétipo introspectivo de seu personagem que causa essa impressão.

Carnival Row tem apenas oito episódios, porém, eles possuem uma hora cada, custando paciência para assistir, o que para algumas pessoas pode acabar transformando a experiência em algo cansativo. Além disso, possui cenas reflexivas com planos muito extensos, que gera um pouco de tédio até que o desenvolvimento delas atinja um clímax, e, quanto a termos técnicos, nem toda computadorização gráfica se aproxima fielmente de realismo, botando em pauta o índice de qualidade para um público mais exigente. Em compensação, os três últimos episódios são bem impactantes e incitam alguma emoção a mais no espectador, que a essa altura já está louco para terminar de montar o quebra-cabeças da atração.

Nota:


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Designer de moda e redatora gaúcha, vivendo em São Paulo. Interessada por arte e cultura pop em suas mais diversas áreas. Por ser uma romancista entusiasta, curte assistir adaptações literárias para o cinema, e pela ligação acadêmica com figurino, longas de época ocupam o topo da sua lista de filmes favoritos. Além disso, possui o super poder inútil (?) de guardar com facilidade nomes de artistas e apontar suas participações em produções.

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