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Sintonia – 1ª temporada | Crítica

Sintonia – 1ª temporada | Crítica

Sintonia – 1ª temporada

Ano: 2019

Criadores: KondzillaFelipe BragaGuilherme Moraes Quintella

Elenco: Jottapê CarvalhoBruna MascarenhasChristian MalheirosMatheus SantosFernanda ViacavaVanderlei BernardinoDanielle OlímpiaLeilah Moreno

O funk que ouvimos hoje nada tem a ver com o original, eternizado por nomes como James Brown e George Clinton. O funk que ouvimos hoje é o brasileiro, mas que também já não lembra mais de suas raízes. Claro, há ainda o fato de que a maioria dos artistas do gênero vem da favela, e até cantam sobre isso, mas hoje a pegada é bem mais pop, tendo se tornado um dos principais produtos de exportação do nosso Brasil. Quer uma prova disso? Kondzilla, o megaprodutor musical que já lançou inúmeros MC’s e é dono do maior canal do YouTube no País, acaba de lançar uma série original da Netflix em que o funk é o personagem que dita os rumos da história.

Sintonia acompanha três amigos em uma favela de São Paulo que se conhecem desde a infância: Doni (Jottapê Carvalho, também conhecido como MC Jottapê), o jovem que sonha em ser funkeiro e está lutando para chegar lá; Rita (Bruna Mascarenhas), a menina independente que está passando por um despertar religioso; e Nando (Christian Malheiros), um traficante que precisa se provar para seus chefes e se afunda cada vez mais na vida do crime. Doni, Rita e Nando são amigos, mas apesar disso, durante os seis episódios da série, quase não possuem cenas juntos, então fica difícil acreditar que há uma amizade real ali.

Entretanto, existe muita honestidade no que é retratado do cotidiano da favela. Os vizinhos se conhecem, se cumprimentam normalmente, e mesmo que existam criminosos ali, são pessoas com respeito na comunidade. A igreja evangélica também é fielmente retratada na série, e é possível que esta seja a melhor versão brasileira do audiovisual sobre a instituição, tão odiada quanto amada. O enredo mais desinteressante é o de Doni, justamente o que mais possui tempo de tela entre os três protagonistas, e isso se dá pelo fato de ele não ter que lidar com problemas impostos pela sociedade, mas sim por causados por ele, o que torna o personagem um pouco mimado.

Por falar em Doni, MC Jottapê é um ator com pouca expressividade. Embora os diálogos escritos e aprovados por Kondzilla sejam críveis com todas suas gírias e expressões oriundas da favela que quase lhe conferem um dialeto próprio, o ator (que se lançou em O Menino da Porteira e depois fez muito sucesso em Chiquititas) não é bom. Bruna Mascarenhas e Christian Malheiros, por sua vez, são muito melhores, entregando boas cenas de paranoia e traços únicos de personalidade a Rita e Nando.

Mesmo que Sintonia não seja uma série exatamente ‘boa’, é muito difícil terminar os seis episódios sem se afeiçoar aos personagens. Você se importa com seus dramas, com seus sonhos, e quer que eles se deem bem na vida, naquela selva de pedra que é São Paulo. Falando nisso, o tempo todo a série te relembra que você está em um ambiente muito diferente da São Paulo que acostumamos a ver na TV e no cinema, mostrando que a favela é quase uma cidade à parte, sem todos aqueles grandes prédios e carros a rodo. Isso torna Sintonia uma ‘boa’ programação, mesmo que seja ‘ruim’.

A trilha sonora de Sintonia, como era de se esperar, é quase toda composta por funk, com o restante sendo formada por músicas gospel. Te Amo Sem Compromisso, o grande hit da série ao lado de Passei de Nave, possui uma batida envolvente e uma letra divertida, e quem gosta do gênero, provavelmente vai gostar da música. É interessante notar que todas as canções de funk presente são de artistas que Kondzilla produziu, e alguns até fazem participações especiais, como MC Kekel e Dani Russo. É uma forma de autopromoção do produtor.

Sintonia dificilmente vai agradar a gregos e troianos, ainda mais em um momento tão conturbado para a produção cinematográfica brasileira, mas é muito bom ver que outras realidades sociais têm a oportunidade de serem mostradas com honestidade ao mundo. A Netflix ainda não confirmou uma 2ª temporada da atração, mas é fácil perceber que Sintonia é uma das produções brasileiras de maior sucesso do serviço de streaming tanto aqui como lá fora. Temos um novo produto de exportação, e Kondzilla novamente está envolvido.

Nota do crítico:


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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