Bode na Sala
Críticas Destaque Filmes Netflix

Seis Vezes Confusão | Crítica

Seis Vezes Confusão | Crítica

Seis Vezes Confusão (Sextuplets)

Ano: 2019

Direção: Michael Tiddes

Roteiro: Rick Alvarez, Mike Glock 

Elenco: Marlon Wayans, Bresha Webb, Michael Ian Black, Glynn Turman, Debbi Morgan, Molly Shannon

A Netflix parece estar se notabilizando pelas parcerias com comediantes famosos dos anos 1990. Depois do contrato de sucesso com Adam Sandler, agora o serviço de streaming encontrou em Marlon Wayans mais uma fonte de filmes de comédia simples e descartáveis. Não entenda mal o crítico, não há problema algum em ser simples ou descartável — mas bem que poderia haver mais esforço da parte do irmão mais famoso da família Wayans e de seu estafe para entregar um produto um pouco mais qualificado do que Seis Vezes Confusão.

A trama não vai muito além do divulgado em sinopses e trailers: Alan (Wayans) é um homem bem sucedido que está prestes a ter seu primeiro filho no casamento com Marie (Bresha Webb). Porém, às vésperas do nascimento, ele decide ir atrás de sua desconhecida família para que sua prole tenha alguma sensação de pertencimento ao mundo. O que se segue é uma sucessão de nonsense, com a descoberta de que Alan é, na verdade, apenas um filho dentre seis gêmeos perdidos pelo mundo — todos interpretados por Wayans.

Não espere por surpresas: não há, durante os quase 100 minutos de filme, qualquer acontecimento que seja minimamente relevante, interessante ou mesmo engraçado. Wayans aposta todas as fichas no humor físico, forçando caretas, trejeitos e vícios para cada um dos personagens ao qual dá vida. Nenhuma piada vai além dos estereótipos criados pelo roteiro feito a toque de caixa por Mike Glock e Rick Alvarez: o gordinho que não para de comer, a mulher negra que fala balançando o pescoço para lá e para cá em tom afrontoso, o malandro que vive de golpes, a mãezona ultraprotetora que trata os filhos adultos como crianças… nada que Eddie Murphy, reverenciado por Wayans, não tenha feito antes e melhor.

Tudo isso é muito pouco para o talentoso comediante que surgiu vociferando um humor ácido e ousado no finado programa In Living Colour, e que chegou até mesmo a flertar com o drama em Réquiem para um Sonho. Sabemos que Wayans pode mais, mas ele não parece estar interessado em explorar o próprio talento. Preso a um estilo datado, que talvez tenha funcionado no início dos anos 2000, Wayans parece estar acomodado, preso a uma armadilha que ele mesmo criou para si. Não deixa de ser frustrante ver um sujeito com inegáveis predicados nessa situação.

Destinado a um público disposto a dar risadas das mesmas coisas de sempre, Seis Vezes Confusão pode até servir como entretenimento ultra-passageiro, mas creio que até para isso seria necessário um pouco mais de dedicação. Certamente, as contas em atraso de Marlon Wayans serão pagas, mas admito que gostaria de ver o esforço e o tempo dedicados a esse filme aplicados na sequência de As Branquelas. Se é pra ser divertir com algo besta, que pelo menos seja por um universo pelo qual nutrimos algum carinho.

Nota:


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Curta a nossa página no Facebook!

The following two tabs change content below.
Jornalista em formação, ex-membro do finado e saudoso Terra Zero e leitor de histórias em quadrinhos. Fã de ficção científica e terror, divide seu tempo livre entre o cuidado com suas dezenas de gatos e a paixão pela cultura pop. Sonha com o dia em que perceberão que arte é sim, uma forma de discutir política.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close