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Opinião | Divergências entre estúdios podem abreviar a participação do Homem-Aranha no MCU?

Opinião | Divergências entre estúdios podem abreviar a participação do Homem-Aranha no MCU?

A notícia pegou o universo da cultura pop desprevenido e, entre alegações das duas partes, os fãs tentam se posicionar, inclusive, pressionando a Sony para que aceite as condições impostas pela Disney.

No meio de tudo isto, a impressa tenta divulgar os acontecimentos na velocidade em que eles ocorrem, porém, com tantas notícias imprecisas, pautadas muito mais por especulações e boatos, do que por fatos, fica difícil saber no que acreditar.

Mas se quisermos entender a dimensão do que está ocorrendo, precisamos ter a maturidade necessária para compreender que estamos diante de uma briga entre duas gigantes do mercado do entretenimento, cujo o acordo de cooperação, hoje, ultrapassa a casa do bilhão. E no capitalismo é assim, ninguém se importa com o desejo dos fãs, para estas companhias, nós, consumidores, somos apenas número, mais precisamente, cifras.

É preciso entender que a Disney e, principalmente, a Sony não estão preocupadas se o Homem-Aranha vai continuar fazendo parte do MCU ou se ele vai protagonizar o seu próprio universo, ambas estão de olho apenas no lucro que os filmes da franquia estão lhes rendendo.

Quando a Disney fechou contrato com a Sony, aceitou os termos para que o Homem-Aranha fizesse parte do MCU. O acordo garante à Disney 5% da bilheteria dos filmes do herói, entretanto, é preciso lembrar que a Sony financia 100% das produções.

Conjecturando, é fácil interpretar o que está acontecendo. A Disney aceitou o tratado apostando que a participação do Homem-Aranha no MCU fosse ser tão exitosa, financeiramente falando, que faria a Sony aceitar um ajuste no acordo.

De fato, a participação do Homem-Aranha no MCU é sucesso absoluto, o problema é que a Disney não contava com o excelente desempenho comercial de Venom (2018). O longa do anti-herói rendeu ao estúdio cerca de US$ 740 milhões.

Sim, Homem-Aranha: Longe de Casa (2019) está rendendo mais. O longa custou US$ 160 milhões e arrecadou mais US$ 1,1 bilhões, gerando um lucro de US$ 950 milhões até agora (o filme que segue em cartaz). Deste montante, cabe à Sony mais de US$ 900 milhões.

Mas se o filme tivesse sido lançado considerando a nova propostas da Disney, dividir, meio a meio, os custos e a bilheteria, a Sony teria um lucro menor. Neste caso, a Sony investiria US$ 80 milhões, lucrando apenas US$ 475 milhões, cifra inferior a qualquer um dos longas do Homem-Aranha produzidos pela Sony independente do MCU.

Ora, a Sony não é uma organização filantrópica, é uma empresa cujo o objetivo é o lucro. Portanto, é óbvio, lógico e ululante que a companhia não se deixará pressionar pelas manipulações da Disney. Enfim, se a Sony possuiu os direitos cinematográficos do Homem-Aranha e a Disney deseja usar o personagem, é a Sony, e não a Disney, quem dita as condições do acordo.

Respondendo a pergunta que dá título à matéria, tenho a impressão que a proposição da Disney não passa de blefe. A companhia deve recuar e retomar os termos do contrato atual. Afinal, com o fim da parceria entre os estúdios, a Disney tem muito mais a perder que a Sony. E todo mundo na casa do Mickey Mouse sabe muito bem disso.

Cabe lembrar que esta opinião é pessoal e não representa o editorial do site.


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Dudu Correa

Dudu Correa é profissional de Comunicação e TI. Entusiasta da física quântica, um dos poucos brasileiros sem pós em Harvard. Curte filmes, séries e HQs, mas só coleciona histórias para contar.

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