Bode na Sala
Destaque Especiais Filmes

Os filmes de Quentin Tarantino, do pior ao melhor

Os filmes de Quentin Tarantino, do pior ao melhor

Quentin Tarantino surgiu no radar de Hollywood em 1992, com o lançamento de seu primeiro longa-metragem, Cães de Aluguel. O filme de baixo orçamento (apenas US$ 1,2 milhão com Harvey Keitel sendo o principal nome do elenco) foi marcado pela extrema violência, longos diálogos escatológicos, trama não-linear e homenagens a filmes antigos, características que fariam parte de todos os longas seguintes do cineasta.

Com o lançamento nacional de Era Uma Vez em… Hollywood, o Bode na Sala decidiu dar uma passada pela carreira de Tarantino. Surge então o ranking baseado na opinião de nossos redatores sobre um dos cineastas mais autênticos da história do cinema, e possivelmente o mais reverenciado da nossa geração. Confira abaixo:

10º – Jackie Brown (1997) – Média: 6,5/10 – por João Vitor Hudson

Jackie Brown não é totalmente um filme de Tarantino. O cineasta, que sempre escreve seus roteiros, não criou a história do seu terceiro filme, pois ele é, na verdade, uma adaptação do livro Rum Punch, de Elmore Leonard, claro que com algumas alterações feitas por Tarantino no enredo e nos personagens. O longa conta a história de Jackie Brown (Pam Grier), uma aeromoça de uma linha aérea mexicana. O salário não é dos melhores, mas ela faz um extra: trabalha como contrabandista do dinheiro do traficante de armas Ordell Robbie (Samuel L. Jackson). Com a ATF na mira de Robbie, ela acaba sendo presa por um agente que a acusa de tráfico de drogas, e a partir disso, uma teia de crimes se desembola, colocando a aeromoça como alvo tanto da polícia como da gangue de Ordell. O filme tem um dos elencos mais estelares de Tarantino, composto por Michael Keaton, Robert De Niro, Bridget Fonda, Robert Forster, entre outros.


09º – À Prova de Morte (2007) – Média: 7/10 – por André Bozzetti

É sabido que todos os filmes de Quentin Tarantino são homenagens ao cinema. Como ele mesmo já disse: “Eu roubo ideias de todos os filmes já feitos”. E de todos os seus trabalhos, À Prova de Morte talvez seja o que leva este conceito mais ao pé da letra, menos pelo que vemos na tela e mais no que diz respeito à sua concepção. Isto porque o filme é parte do projeto Grindhouse, produto de uma parceria com Robert Rodriguez, para realizar uma espécie de paródia dos filmes de terror da década de 70. Grindhouse foi idealizado como um filme único, formado por À Prova de Morte e Planeta Terror (este, dirigido por Rodriguez), acompanhados de cinco trailers falsos (dentre eles o de Machete, que acabou sendo realmente produzido posteriormente). Aqui no Brasil, os filmes foram lançados com quase três anos de separação, fazendo com que o a experiência idealizada por Tarantino e Rodrigues tenha sido muito prejudicada. À Prova de Morte apresenta um ex-dublê psicopata que usa seu carro adaptado para perseguir e aterrorizar um grupo de jovens e belas mulheres. No entanto, elas mostram que não são as vítimas indefesas que ele imaginava.


08º – Os Oito Odiados (2015) – Média: 8,1/10 – por João Vitor Hudson

Este é o faroeste invernal de Tarantino. Os Oito Odiados acontece anos depois do fim da Guerra Civil Americana, e acompanha um caçador de recompensas (primeiro protagonista de Samuel L. Jackson nos filmes do cineasta) que carrega uma prisioneira (Jennifer Jason Leigh, brilhante no papel). Porém, uma forte nevasca faz com que eles sejam obrigados a buscarem abrigo em uma cabana próxima ao lado de seis desconhecidos. Apesar das cordialidades, algo ali parece estar errado, e uma trama muito maior vai se revelando durante as quase 3 horas de duração do filme. E como não poderia deixar de citar, o elenco é incrível: Kurt RussellBruce DernWalton GogginsTim RothMichael Madsen, Zoe Bell e até mesmo Channing Tatum.


07º – Kill Bill Vol. 2 (2004) – Média: 8,2/10 – por Diego Francisco

Depois da impressionante e aclamada estreia do Vol. 1, a expectativa era alta para a conclusão da jornada da Noiva em busca de vingança contra Bill (David Carradine). E o resultado foi satisfatório, apesar de nunca ser tão brilhante quanto a primeira parte da história. O treinamento de Beatrix Kiddo (Uma Thurman) com o Mestre Pai Mei (Gordon Liu) é provavelmente a melhor parte do longa, os confrontos contra Elle Driver (Daryl Hannah) e Budd (Michael Madsen) são ótimos, mas não se equiparam ao que foi visto nas lutas contra Vernita Green (Vivica A. Fox), O-Ren Ishii (Lucy Liu) e os Crazy 88 (que não são oitenta e oito, na verdade). E o tão aguardado confronto com Bill, mesmo que renda ótimos diálogos, é, no mínimo, anti climático. Como conjunto da obra, todos os capítulos de Kill Bill são ótimos, mas como volumes separados, o Vol. 2 deixa um pouco a desejar.


06º – Era Uma Vez em… Hollywood (2019) – Média: 8,6/10 – por Carlos Redel

O nono filme de Tarantino (se considerar os dois volumes de Kill Bill como um, né) chega mostrando que o cineasta, após 27 anos dirigindo filmes, chegou em seu momento mais maduro. Em Era Uma Vez em… Hollywood, o diretor demonstra todo o seu amor ao cinema, levando o espectador de volta ao ano de 1969, em uma viagem por Los Angeles, revelando uma Hollywood em plena transformação. Tarantino, sem qualquer pressa, apresenta os seus personagens, desenvolvendo-os com carinho — claro que isso é maximizado pelos excelentes trabalhos de Leonardo DiCaprio, Brad Pitt e Margot Robbie. A paixão do diretor pelo cinema e suas possibilidades é tão poderosa que, no final da projeção (após um terceiro ato alucinante), fica a sensação: “Poxa, o mundo deveria ser dirigido por Quentin Tarantino”.


05º – Django Livre (2012) – Média: 8,7/10 – por Luna Rocha

Apesar de Django Livre ser o primeiro filme do diretor que passou pela baixa de não ter sua montagem operada por Sally Menke, editora falecida em 2010, Tarantino consegue manter o modus operandi que é tão característico em suas narrativas e introduz uma história que reelabora o gênero faroeste, dando sua própria interpretação do estilo cinematográfico. O enredo discorre em torno da busca de Django (Jamie Foxx), um escravo que adquire liberdade, atrás de reencontrar sua esposa Brunhilda (Kerry Washington), que foi vendida para o proprietário de uma grande fazenda agrícola. Não tem como não destacar o figurino do longa, que toma caminhos pouco usuais para um western, com o uso de algumas licenças poéticas, como cores chamativas e motivos renascentistas, o que adiciona uma comicidade a mais na trama. Há de se ressaltar também as atuações de Christoph Waltz e Samuel L. Jackson, que se desempenham muito bem em seus papéis, além do sentimento agridoce, que vacila entre amor e ódio, pelo caricato Calvin Candie, personagem vilanesco de Leonardo DiCaprio.


05º – Kill Bill Vol. 1 (2003) – Média: 8,75/10

Depois de dirigir o ponto mais baixo da sua carreira com Jackie Brown, Tarantino voltou à forma com Kill Bill. A duologia do pegou tudo pelo que o diretor era conhecido e aumentou à quarta potência. A violência estava mais presente, a forma de contar a história em ordem não cronológica duplicou dividindo-se em dois filmes e as referências a outros longas e séries de TV ficou (ainda) mais presente. Protagonizado por uma excelente Uma Thurman (incrivelmente se recuperando de uma gravidez), a primeira metade da jornada da Noiva em busca de vingança é a mais consistente, divertida e sangrenta, repleta de momentos icônicos que figuram entre os mais ilustres da carreira do Tarantino.


03º – Cães de Aluguel (1992) – Média: 9,1/10 – por João Vitor Hudson e André Bozzetti

O primeiro filme do diretor já trazia aquela violência estilizada que marcaria os longas seguintes do cineasta e se tornaria uma influência em Hollywood. A trama acompanha um grupo de assaltantes após um roubo de diamantes dar extremamente errado devido a traição de um dos membros. Tudo piora quando os assaltantes que restaram se encontram em um armazém velho e começam a desconfiar entre si sobre quem teria sido o informante. Harvey KeitelTim RothMichael Madsen Steve Buscemi formam o grupo dos assaltantes que tem nomes de cores, além do próprio Tarantino fazendo uma participação especial no filme, outra marca do cineasta. A cena do policial sendo torturado por Mr. Blonde (Madsen) ao som de “Stuck in The Middle With You” está, inegavelmente, entre as mais icônicas da carreira do diretor.


02º – Pulp Fiction: Tempo de Violência (1994) – Média: 9,5/10 – por Carlos Redel e João Vitor Hudson

Depois de uma grandiosa estreia com Cães de Aluguel, o nome de Quentin Tarantino se consolidaria dois anos depois com Pulp Fiction. O longa segue uma narrativa não-linear que, após o seu eficiente uso pelo diretor, se popularizou nos anos seguintes. O filme nos apresenta personagens memoráveis como Vincent Vega (John Travolta), Jules Winnfield (Samuel L. Jackson), Mia Wallace (Uma Thurman) e Mr. Wolf (Harvey Keitel), com muitos de seus momentos no longa sendo destacados até hoje, como a dança de Vincent e Mia ou o discurso bíblico de Jules. Violento, pop, com diálogos afiados e personagens inesquecíveis… Faltou alguma coisa para você assistir a Pulp Fiction?


01º – Bastardos Inglórios (2009) – Média: 9,7/10 – por Diego Francisco

O primeiro filme não independente de Quentin Tarantino não poderia ter sido melhor. Bastardos Inglórios gerou preocupações dos fãs do diretor por conta de possíveis interferências de estúdio, mas não foi o caso – Tarantino teve total liberdade criativa e entregou um dos seus melhores trabalhos. O longa de revisionismo histórico segue os diferentes planos para derrubar Adolf Hitler perto do fim da Segunda Guerra Mundial. A jovem judia Shoshanna Dreyfus (Mélanie Laurent) quer vingança após sua família ter sido massacrada pelos homens sob o comando de Hans Landa (Christoph Waltz, perfeito), o Caçador de Judeus, o tenente Aldo Raine (Brad Pitt) lidera os judeus americanos Bastardos Inglórios para matar o máximo de soldados e oficiais nazistas o possível; e, por fim, o tenente britânico Archie Hicox (Michael Fassbender) pretende coordenar um ataque na première do filme O Orgulho da Nação, em que Hitler e todos os maiores oficiais alemães estarão presentes. Todos os capítulos do filme são excelentes e, apesar de ser contato praticamente em ordem cronológica, o modo que todos os núcleos se encontram no final é magnífico. O humor, a violência extrema e os diálogos estão tão mais afiados do que nunca, fazendo de Bastardos Inglórios um filme imperdível na carreira do diretor.


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Curta a nossa página no Facebook!

The following two tabs change content below.

João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close