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GLOW – 3ª temporada | Crítica

GLOW – 3ª temporada | Crítica

GLOW – 3ª temporada

Ano: 2018

Criadoras: Liz FlahiveCarly Mensch

Elenco: Alison BrieBetty GilpinSydelle NoelBritney YoungMarc MaronBritt Baron, Kate NashGayle RankinKia StevensJackie TohnChris Lowell

Depois de duas temporadas consistentes em qualidade, GLOW retorna fazendo jus ao seus anos anteriores, tanto na comédia quanto no drama, expandindo o leque de temas sociais abordados, desta vez, um pouco mais crítica à sociedade dos anos 1980 — e, por extensão, à nossa, uma vez que as coisas quase não mudaram.

Agora em Las Vegas, com apresentações quase diárias, as mulheres de GLOW devem lidar com a exaustão da rotina e com os conflitos pessoais habituais. Ruth (Alison Brie) continua insatisfeita com a sua carreira, mesmo com o sucesso da apresentação, uma vez que ela ainda quer ser atriz. Debbie Egan (Betty Gilpin) lida com os desafios de estar longe do filho infante e do problema que ela tem com a própria imagem: como está com trinta anos, Debbie teme perder o valor dela enquanto uma mulher atraente, o que a leva a ter bulimia para controlar o peso e a transar com homens mais jovens para se reafirmar. Brie e Gilpin são as maiores estrelas da temporada, interpretando completos opostos. Enquanto Debbie se torna mais segura quanto o quer do futuro, Ruth nunca parece deixar de ser o mesmo caso perdido do começo da série — e nada sai do jeito que ela quer.

Não apenas com a Debbie, mas a relação das mulheres com o corpo é o tema mais recorrente da terceira temporada. Cherry (Sydelle Noel) tenta ter um filho com o marido, mas começa a ter dúvidas quanto a isso quando descobre que vai ter menos oportunidades de trabalho após a gravidez; Tammé (Kia Stevens) sofre dores horríveis nas costas após as lutas, mas não quer se afastar do espetáculo, uma vez que depois de décadas foi a primeira grande oportunidade da vida dela.

Além de lidar com uma paixão cada vez mais forte pela Ruth, Sam Sylvia (Marc Maron) tem que se tornar mais presente para a filha Justine (Britt Baron), que pretende seguir os passos da carreira do pai no cinema. Bash (Chris Lowell), possivelmente, é o personagem que mais passa por transformações na terceira temporada. Casado por conveniência com Rhonda (Kate Nash), o jovem empresário não sabe como estar num relacionamento afetivo com outra pessoa, já que sua família era ausente e ele não sabe como se expressar. Com a fama de não ser ganancioso e tratar os seus funcionários com respeito, algo inexistente no meio dos produtores, ele acaba cedendo à pressão de Las Vegas e ter um pulso mais firme com as mulheres do show.

Mesmo que as lutas estejam ainda menos frequentes — só existem dois episódios que de fato mostram as partidas e sequer existem cenas de treino —, o humor da série continua afiado como sempre. Todo personagem segue com um excelente timing cômico e a química entre os atores está melhor do que nunca. E os momentos dramáticos de GLOW seguem eficientes. Todo arco envolvendo a Sheila (Gayle Rankin) e a persona de lobo dela é emocionante, principalmente com a adição de Bobby Barnes (Kevin Kahoon) à galeria de personagens — ele também sofre muito preconceito por ser drag queen nas horas vagas.

O preconceito da sociedade nos anos 1980 é trazido à tona tanto com o clube de apresentações de drag queens de Bobby — que luta para conseguir mais espaço em Vegas — quanto ao relacionamento de Yolanda (Shakira Barrera) e Arthie (Sunita Mani). E Jenny (Ellen Wong) e Melrose (Jackie Tohn) também recebem mais atenção nesta temporada ao explorar o passado opressivo que ambas tiveram, uma por conta da raça e outra por conta da religião. Eu não esperava chorar pelo genocídio cambojano e pelo Holocausto numa série de comédia sobre lutadoras femininas, mas aqui estamos.

Na parte dos pecados desta temporada, o roteiro descarta certos pontos logo depois de tê-los apresentados. A bulimia de Debbie dura apenas uma cena, a solidão da Carmen (Britney Young) — que perdeu o melhor amigo e a colega de quarto quando Bash se casou com Rhonda — é mencionado, mas nunca desenvolvido, alguns arcos são abandonados no começo da temporada e são retomados bem no final. Essas decisões narrativas acabam prejudicando aquele que, possivelmente, é o melhor ano da série até aqui. Com pouca repercussão nas redes sociais e com a onda incessante de cancelamentos da Netflix, o futuro de GLOW é incerto. Será uma grande pena se a plataforma não der continuidade a um dos seus melhores produtos originais.

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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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