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Era Uma Vez em… Hollywood | Crítica

Era Uma Vez em… Hollywood | Crítica

Era Uma Vez em… Hollywood (Once Upon a Time … in Hollywood)

Ano: 2019

Diretor: Quentin Tarantino

Roteiro: Quentin Tarantino

Elenco: Leonardo DiCaprioBrad PittMargot RobbieEmile HirschMargaret QualleyTimothy OlyphantJulia ButtersAustin Butler, Dakota Fanning, Bruce Dern, Mike Moh, Al Pacino

Dizer que Quentin Tarantino sempre homenageia o Cinema em seus filmes, de uma forma ou de outra, é chover no molhado. O diretor, desde Cães de Aluguel, passeia por gêneros, faz inúmeras referências aos clássicos e, além de tudo, busca criar obras significativas, construindo um legado no audiovisual. O cineasta já disse inúmeras vezes que, após 10 filmes, a sua colaboração para a sétima arte estaria concluída, não querendo virar um cineasta que não contribua para o meio.

Assim, com esse amor por seu ofício — tão grande que pretende até se aposentar precocemente para não virar apenas números — Tarantino chega em sua nona obra (e penúltima, se o diretor cumprir com a sua palavra). Mais do que nunca, ele está decidido a evidenciar o Cinema e, automaticamente, o amor. Sim, Era Uma Vez em… Hollywood não poderia trazer outro sentimento senão o amor, uma vez que aborda quase que unicamente o assunto que faz o coração do cineasta bater mais forte.

O longa nos transporta para o ano de 1969, em que diversas transições estavam acontecendo em Hollywood. Produções de faroeste estavam perdendo espaço para obras mais profundas, como O Bebê de Rosemary — de Roman Polanski. Naquele ano, Sharon Tate, a esposa do cineasta polonês que era sensação em Los Angeles, seria assassinada pela seita de Charles Manson, em um crime que chocou o mundo.

Tarantino, então, busca, com seu Era Uma Vez em… Hollywood, revisitar este trágico episódio, recontando essa história através da liberdade que o Cinema traz. Assim, o cineasta cria os personagens Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) e Cliff Booth (Brad Pitt), ator de bang-bang em decadência e seu fiel dublê — respectivamente. Com isso, o diretor começa a acompanhar a dupla, assim como a Sharon Tate (Margot Robbie), pulando de um para o outro.

Cada um dos três personagens vive momentos distintos em uma Hollywood em transformação. E Tarantino consegue explorar muitíssimo bem as realidades deles, com longas sequências focadas em cada um, como se fossem esquetes dentro do filme — e elas vêm como flashbacks, gravações de uma série ou com o próprio personagem se vendo em um filme no cinema. O diretor não demostra qualquer pressa para desenvolver os seus personagens, com extensas cenas de diálogos.

Tarantino cria interessantíssimos paralelos entre o trio, mostrando cada um dos três em variações de situações vividas pelo outro. Realidades completamente diferentes, mas, ainda assim, semelhantes — como os momentos em que Rick está gravando uma série que se passa no Velho Oeste e, logo após, Cliff está em um cenário muito semelhante, e ao mesmo tempo, só que na vida real. E esses paralelos vão sendo traçados durante as 2h41 de projeção, mostrando diversos pontos de vista dentro do mesmo universo: o Cinema.

Apesar da longa duração — com alguns momentos que, aparentemente, poderiam ser dispensados —, Tarantino utiliza a liberdade conquistada por sua exitosa carreira para contar a história de acordo com o que ele quer: contemplando Los Angeles e os bastidores da indústria cinematográfica. E Marvin Schwarz, o personagem de Al Pacino, serve para demonstrar como é a máquina que faz Hollywood funcionar, transformando astros que já não servem mais em pontes para novas estrelas.

E, por falar em astros, Leonardo DiCaprio está, mais uma vez, ótimo, criando um Rick Dalton impecável e cheio de camadas. Margot Robbie, por sua vez, cumpre o objetivo de Tarantino: ser transformada, juntamente com sua Sharon Tate, em uma quase entidade. E o diretor não poupa a sua câmera contemplativa, filmando a atriz como forma de representar a vida e a alegria — a personagem, em cena, está sempre usando roupas com cores vibrantes, cantando e dançando. Exemplificando tudo o que Manson e seus seguidores tiraram do mundo. Mas é Brad Pitt quem consegue capturar mais os holofotes com o seu excelente Cliff Booth. O ator está impecável e o personagem é extremamente bem desenvolvido, ao mesmo tempo em que carrega um mistério consigo, sendo o grande destaque da produção.

Com um ritmo lento, em que o espectador é levado para uma excursão por Los Angeles, o longa tem, em seu terceiro ato, uma das sequências mais insanas da carreira de Tarantino, fazendo com que a espera fosse recompensada com o gore e a violência com os quais estamos habituados. No entanto, até chegar nesse desfecho impactante, Era Uma Vez em… Hollywood, sem dúvidas, é uma carta de amor do diretor ao Cinema, em que o cineasta busca, através de sua escrita, idealizar uma época que foi essencial para a sua jornada. Afinal, o limite para a sétima arte é a imaginação — e, isso, Tarantino tem de sobra.

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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