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Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro | Crítica

Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro | Crítica

Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro (Scary Stories to Tell in the Dark)

Ano: 2019

Direção: André Øvredal

Roteiro: Dan Hageman, Kevin Hageman

Elenco:  Zoe Colletti, Michael Garza, Gabriel Rush, Austin Abrams, Dean Norris, Gil Bellows, Lorraine Toussaint

Terror é um gênero repetitivo. Depois de décadas de existência, é praticamente possível dizer que tudo o que pode ser feito, já foi feito. São raros os projetos que tentam algo novo, e quando o fazem, não são bem recebidos pelos fãs do gênero, que esperam receber mais do mesmo. Nisso, o terror se tornou mais sobre como a história é contada do que sobre qual história é contada. Invocação do Mal é um exemplo de filme que, apesar de não trazer nada além do esperado, é bem executado de forma o suficiente para ser uma excelente experiência. O mesmo acontece com o recente Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro.

Ambientado em 1968, o filme começa com um grupo de adolescentes que acha prudente entrar em uma casa potencialmente mal assombrada na noite de Halloween. A tal residência era propriedade da família Bellows, notórios na pequena cidade, em que quase todos tiveram um fim horrível, gerando inúmeras lendas urbanas. A estudiosa Stella (Zoe Colletti), o imigrante Ramón (Michael Garza), o atleta Tommy Milner (Austin Abrams), o atrapalhado Chuck (Austin Zajur), a narcisista Ruth (Natalie Ganzhorn) e o cético Auggie (Gabriel Rush) aceitam o desafio de se aventurar no local abandonado à noite — afinal, o que poderia dar errado, não é mesmo?

Mesmo que a visita tenha terminado relativamente bem, Stella leva para casa um livro escrito em sangue que pertencia a Sarah Bellows, maior alvo das lendas por ter morrido ainda jovem em um hospício, caindo no imaginário da pacata cidade. Quando o livro começa a se escrever sozinho, narrando as mortes dos jovens que estiveram presentes na casa durante o Halloween, Stella precisa correr contra o tempo para salvar os seus amigos. Como dito anteriormente, o longa não trás nada de novo — a estrutura da narrativa lembra bastante Premonição (com monstros!), mas tudo é executado bem o suficiente para valer o ingresso.

Stella, a protagonista recebe um desenvolvimento simples, mas eficiente. A garota mora com o pai (Dean Norris, que merecia mais tempo em tela), após ambos serem abandonados pela mãe da moça. Ela sonha em se mudar para a cidade grande para se tornar uma escritora cultuada, mas tem receios emo deixar o pai, que trabalha muito para sustenta-la, sozinho. Já Ramón sofre preconceito diariamente por ser mexicano e pretende sair da cidade assim que possível. Os demais personagens, bem, estão ali para morrer mesmo.

Como é de se esperar em qualquer produção que tenha Guillermo Del Toro envolvido, os efeitos práticos são excelentes. Cada uma das criaturas tem um bom design e os efeitos que os trazem a vida são muito bem realizados. O CGI, no entanto, não é tão convincente. O Jangly Man e os insetos são claramente criações digitais e isso trai um pouco o clima do filme, que recria tão bem os anos 1960. Felizmente, os elementos computadorizados não estão presentes por muito tempo e não distraem muito da trama.

Como uma obra de terror, Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro não dá sustos, as tentativas de jump scares são quase todas as falhas, mas quando cria tensão, o longa é bem-sucedido. Cada sequência em que a morte de um personagem passa a ser escrita no livro é muito boa e engaja o espectador. Por conta da baixa classificação, o filme não é muito gráfico – ele é bem leve, para falar a verdade – e nunca choca.

O elenco jovem não desaponta, com destaque para Zoe Colletti, que protagoniza todas as cenas que exigem mais emoção. A direção do norueguês André Øvredal, que comandou os elogiados Trollhunter e A Autópsia, é eficiente, sem nunca tentar algo novo. O longa tem uma preocupação muito grande com adaptar a época em que se passa, sempre com referências recorrentes a Guerra do Vietnã e a eleição de Richard Nixon. No fim, Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro é um terror exemplar que nunca faz nada além do que é esperado, mas faz muito bem.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 3.5/5]


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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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