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Missão no Mar Vermelho | Crítica

Missão no Mar Vermelho | Crítica

Missão no Mar Vermelho (The Red Sea Diving Resort)

Ano: 2019

Direção: Gideon Raff

Roteiro: Gideon Raff

Elenco: Chris Evans, Michael K. Williams, Haley Bennett, Michiel Huisman, Alessandro Nivola, Greg Kinnear, Ben KingsleyAlex HassellChris Chalk

Um filme ser baseado em fatos, por mais nobre que seja a história ou a intenção do cineasta, não é garantia de um bom longa. São vários fatores necessários para que a adaptação dos eventos reais seja feita com justiça aos homens e mulheres envolvidos — e nem sempre é o caso. Missão no Mar Vermelho é um exemplo disso. Com as filmagens finalizadas em 2017, foram necessários quase dois anos para que o filme encontrasse um distribuidor, mesmo tendo um dos atores mais bem pagos atualmente como protagonista.

Ambientado em 1979, o longa acompanha a perseguição que os etíopes judeus sofriam no seu país natal e o esforço dos homens designados para movê-los até Jerusalém, a terra prometida. Ari Levinson (Chris Evans), filho de uma refugiada e criado na Inglaterra, é um agente americano-israelense encarregado de resgatar judeus oprimidos em zonas de risco e transportá-los com segurança. A dedicação e esforço sem fim de Ari o faz excelente em seu trabalho — ele não descansa até conseguir que todos estejam a salvo. Ari trabalha com Kebede Bimro (Michael K. Williams), um nativo etíope que também não mede esforços até conseguir resgatar cada homem, mulher e criança oprimidos.

Com milhares de judeus etíopes encurralados por uma oposição que não hesita em assassinar todos em seu caminho, Ari tem um plano engenhoso. Reabrir um hotel abandonado e fazê-lo funcionar de fachada para garantir a travessia segura dos etíopes até o Mar Vermelho, onde botes os esperam para resgatá-los. Apesar do ceticismo inicial de Ethan Lewin (Ben Kingsley), superior responsável pelas operações, Ari recruta Jake Wolf (Michiel Huisman), Rachel Reiter (Haley Bannett), Sammy Navon (Alessandro Nivola) e Max Rose (Alex Hassell) para operar o Red Sea Diving Hotel e salvar quantas vidas o possível.

Por mais que a história real seja inspiradora e funcione muito bem como premissa, a execução do filme deixa a desejar. A primeira hora do longa é desprovida de qualquer tensão e cenas que deveriam causar agitação ou nervosismo, não provocam reação alguma. Mesmo que depois os momentos mais intensos realmente consigam entregar a tensão, já é tarde demais para um longa de pouco mais de duas horas.

Por mais que seja aceitável o uso da trope white savior em adaptações de histórias reais, Missão no Mar Vermelho coloca o protagonista em um pedestal muito elevado desde o início. Se uma criança se perde, Ari sai do grupo para trazê-la de volta; se uma mulher se afoga, Ari mergulha imediatamente para resgatá-la; ele é quem resolve (ou tenta resolver) todos os conflitos da narrativa e acaba eclipsando os outros personagens da história. E mesmo com tanto foco, a atuação de Chris Evans deixa a desejar. Existem momentos em que o ator entrega uma performance eficiente, mas não alcança as altas notas dramáticas vistas em Expresso do Amanhã ou até mesmo em Vingadores: Ultimato. E tudo isso é falta de direção.

O cineasta Gideon Raff, que também roteirizou a produção, desperdiça todos os outros personagens para dar maior destaque ao protagonista, que mesmo que tenha um passado triste, não é devidamente explorado no filme em si. A falta de ritmo prejudica o andamento da trama e as transições são tão risíveis que parece que foram feitas no Windows Movie Maker. O vilão, Abdel Ahmed (Chris Chalk), é presente demais e, por conta disso, é enganado diversas vezes pelos agentes do hotel, o que faz com que ele acabe perdendo parte de sua imposição.

Missão no Mar Vermelho é uma grande chance desperdiçada de contar uma fascinante história real. Mesmo que melhore bastante em sua segunda metade e entregue bons momentos, o clímax desaponta (o maior empecilho é uma árvore) e culmina em uma conclusão morna. No final das contas, o filme justifica a sua demora em encontrar uma distribuidora.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 5/5]

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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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