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Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw | Crítica

Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw | Crítica

Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw (Fast & Furious Presents: Hobbs & Shaw)

Ano: 2019

Direção: David Leitch

Roteiro: Chris Morgan, Drew Pearce

Elenco: Dwayne JohnsonJason StathamIdris ElbaVanessa KirbyHelen MirrenEiza GonzálezEddie MarsanCliff Curtis

Desde que Luke Hobbs (Dwayne ‘The Rock’ Johnson) e Deckard Shaw (Jason Statham) se enfrentaram pela primeira vez, em Velozes e Furiosos 7, viu-se na tela uma química interessante, contrastando as duas distintas personalidades. Logo depois de protagonizarem uma divertida fuga da prisão, no oitavo filme da franquia, os fãs queriam ver a dupla reunida para mais aventuras. E, assim, chegamos ao derivado Hobbs & Shaw.

Com um orçamento de US$ 200 milhões, o diretor David Leitch, responsável por ótimas recentes produções de ação — como primeiro John Wick, Atômica e Deadpool 2 —, pôde soltar a imaginação e criar um filme de ação com pouquíssimos limites. Na história, após a agente do MI6 Hattie (Vanessa Kirby) se contaminar com um vírus que pode acabar com a humanidade, com o objetivo de não deixá-lo cair nas mãos do terrível Brixton (Idris Elba), cabe a Hobbs e Shaw se juntarem para salvar a garota e o mundo. E isso em apenas 72 horas.

Não, o roteiro não é muito criativo. No entanto, Hobbs & Shaw se sobressai na maneira como conta a sua história. Investindo na relação entre os dois protagonistas, que passam as 2h15 de filme implicando e ofendendo um ao outro, a produção ainda conta com um inesperado terceiro elemento, que consegue trazer um ótimo equilíbrio à trama: Vanessa Kirby. A sua Hattie não deixa que as picuinhas entre os dois brucutus desande, interrompendo sempre que as briguinhas começam a ficar cansativas.

Obviamente, The Rock e Statham dão um show em cena. Carregados de carisma (e de testosterona), os dois conseguem, sem qualquer dificuldade, entrar de cabeça em seus personagens e, com naturalidade, ressaltar as diferenças entre eles. Logo no início da produção, Leitch nos leva às realidades das duplas, dividindo a tela, revelando que são exatamente os opostos: enquanto um é mais bruto, quente e físico, o outro é mais refinado, frio e cerebral. No entanto, ao final da sequência, ambos terminam as suas missões com pancadaria. Uma ótima apresentação.

Mesmo que o filme invista muito nas diferenças entre Hobbs e Shaw, o tema ‘família’ é dividido pelos dois personagens, sendo o pano de fundo da história. Para cumprir com o seu objetivo, ambos precisam, de certa forma, voltar às suas origens, reconectando-se aos seus parentes. E, mesmo soando clichê, a ideia é interessante e, dentro do possível, funciona bem. É divertido que o clímax do longa, que abusa de tecnologias que ainda estão há décadas de distância, seja resolvido em Samoa, com uma batalha à moda antiga — com direito ao haka e a armas utilizadas pelos guerreiros maori.

E o vilão da trama? Bem, Brixton é, como ele mesmo diz, um “Superman negro”. Alterado tecnologicamente, o personagem é uma espécie de ciborgue, com força e agilidade sobre-humanas — além dos seus olhos modificados, que atuam de forma semelhante à tecnologia de navegação do Homem de Ferro, e sua moto que mais parece um Transformer. Apesar de ser muita piração para uma franquia que, mesmo com todas as insanidades, ainda tinha um dedinho na realidade, o personagem é facilmente aceito. Provavelmente, o estranhamento seria maior se essa curva ao absurdo não tivesse sido tão acentuada nas últimas aventuras de Toretto e seus amigos. E, bem, Idris Elba também colabora muito para que o vilão dê certo — o homem manda bem demais.

É claro que nem tudo são flores. Mesmo que o público compre facilmente as ideias megalomaníacas de Hobbs & Shaw, o roteiro de Chris Morgan e Drew Pearce exagera nas facilidades para que a dupla consiga cumprir as suas tarefas. O imparável Brixton, por exemplo, dá tempo de sobra para que os mocinhos fujam e consigam elaborar os seus planos. Claro que o longa não se leva a sério, o que é positivo, mas um pouquinho de coerência em alguns pontos poderia colaborar para que o filme — que já é bom — fosse ainda melhor.

Visualmente, o longa também está caprichado. Utilizando várias locações, a produção consegue entregar momentos reais em um filme que é, basicamente, todo surreal. E, atualmente, sempre que atores de blockbusters saem para pegar sol e pisar na grama de verdade, vale a pena ressaltar. Além disso, Leitch entrega belíssimos momentos de pancadaria, como uma luta entre Hobbs, Shaw e Brixton, que foi toda feita na chuva. Um espetáculo vindo de alguém que realmente sabe filmar e coreografar cenas de ação.

Com ótimas participações especiais (que não vamos entregar aqui, para não estragar as surpresas), Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw é, disparado, o mais divertido da franquia, apesar de não haver uma grande sensação de gravidade — afinal, a única vez em que The Rock perdeu, foi para Jason Statham, que, agora, é sua dupla. E, mesmo que a franquia tenha perdido a sua essência, que era carros e velocidade, aqui, quando os mocinhos acionam o NOS em seus carros, somos levados de volta à 2001, quando a vida era mais simples: Paul Walker e Vin Diesel só queriam roubar alguns DVD’s, bater uns rachas e o mundo não estava em perigo. Próximo passo será o espaço? É possível.

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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