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La Casa de Papel: Parte 3 | Crítica

La Casa de Papel: Parte 3 | Crítica

La Casa de Papel: Parte 3

Ano: 2019

Criador: Álex Pina

Elenco: Álvaro Morte, Úrsula CorberóItziar ItuñoPedro AlonsoAlba FloresMiguel HerránJaime LorenteDarko Peric, Esther AceboEnrique ArceNajwa Nimri

La Casa de Papel é um fenômeno, você goste ou não. A produção, que se espalhou pelo mundo em 2018, após chegar na Netflix, impregnou-se na cultura pop em uma velocidade impressionante. Atualmente, é possível encontrar produtos dos mais variados com os atracadores estampados e, além disso, as frases e músicas da série são ditas e cantadas por boa parte do público — sejam fãs ou haters da atração espanhola.

Com uma mina de ouro nas mãos, era inevitável que novos episódios fossem produzidos, mesmo com um final bem conclusivo das duas primeiras partes. A questão era: como fazer com que aquele grupo de assaltantes, que já estava bilionário, topasse voltar para um novo ‘atraco’. Bem, a solução do criador Álex Pina foi dar novas motivações para os personagens. Assim, quando Rio (Miguel Herrán) é capturado pelo governo, o grupo, liderado novamente pelo Professor (Álvaro Morte), precisa voltar à ativa.

Juntamente com as novas motivações dos assaltantes mais populares do mundo, Pina também trouxe um golpe ainda audacioso, mas menos charmoso, que o das duas temporadas anteriores. E, dentro desse novo plano, o criador da atração conseguiu costurar o retorno do personagem-sensação Berlim (Pedro Alonso) — mesmo que sem o brilho dos episódios do ano passado —, justificar a rapidez para a nova empreitada e os problemas que isso pode acarretar. Ao mesmo tempo, abre possibilidade para a inserção de novos personagens, que não têm o mesmo carisma do grupo original, vale ressaltar.

Obviamente, o clima de ‘novelão mexicano’ não poderia ficar de fora — o que é o grande diferencial de La Casa de Papel, para o bem e para o mal. Nestes novos episódios, a atração vai ainda mais fundo nos dramas e, apesar dos exageros tomarem conta na maioria das vezes, os conflitos estão mais palpáveis, assim como as atitudes dos personagens, que estão mais moderadas — surpreendentemente, é possível, até mesmo, compreender algumas atitudes de Tóquio (Úrsula Corberó).

Com um ritmo mais intenso e embalada por hits pop, a terceira parte da série não fica devendo nada para as produções hollywoodianas, mostrando que, com o sucesso do ano anterior, o investimento aumentou consideravelmente. As locações estão incríveis e é possível perceber que a qualidade técnica deu um grande salto, mas, ao mesmo tempo, o roteiro parece ter sido deixado de lado.

O novo script, apesar de conseguir viabilizar de maneira satisfatória o novo ano da atração, sofre para desenvolver o plano do assalto. E, ao mesmo tempo que é interessante ver que o golpe do Professor é muito mais passível de falhas, as soluções encontradas para resolver os problemas são fáceis e convenientes, com algumas que parecem ter vindo diretamente de desenhos animados infantis.

Um dos pontos que merece destaque em La Casa de Papel é o fato de que, mesmo com poucas subtramas, o desenvolvimento dos personagens centrais não é bem feito. Apesar da produção ter melhorado e as atitudes dos protagonistas estarem mais verossímeis, há uma espécie de distanciamento deles que, mesmo com os absurdos das duas primeiras partes, não existia — Pina conseguiu tornar o público íntimo de suas criações no passado, mas não obteve o mesmo êxito agora.

A própria entrega dos atores, com exceção de Álvaro Morte (mais uma vez, ótimo em cena) e Alba Flores (novamente, entregando uma ótima Nairóbi), não é mais a mesma. É preciso destacar, também, a nova investigadora da polícia, Alicia Sierra (Najwa Nimri), que consegue criar ódio em qualquer espectador, fã ou não da atração — o que prova que, tanto a personagem quanto a atriz, foram ótimas aquisições à nova temporada.

Buscando a grandiosidade, como toda continuação precisa ter na visão de seus realizadores, La Casa de Papel traz, com isso, erros e acertos. Ao mesmo tempo em que a história perde o seu ar de novidade e não consegue substituir à altura (entrar na Casa da Moeda e produzir o seu próprio dinheiro era uma ótima sacada), as consequências das ações são muito mais graves. Os minutos finais da Parte 3 fazem valer a pena todos os episódios oscilantes do novo ano.

Trazendo uma gravidade que, até então, havia todo um cuidado para que não acontecesse, Álex Pina aposta alto. Toda a construção destes oito novos episódios, que envolveu a opinião pública e a subversão de bandidos em heróis, consegue ser facilmente — e efetivamente — colocada em suspensão, com um desfecho impactante e eletrizante. La Casa de Papel quase se redimiu de suas duas primeiras partes sofríveis e, com a próxima (e, provavelmente, derradeira), tem a chance de, finalmente, tornar-se boa. O que é um grande feito.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 5/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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