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O Rei Leão | Crítica

O Rei Leão | Crítica

O Rei Leão (The Lion King)

Ano: 2019

Direção: Jon Favreau

Roteiro: Jeff Nathanson

Elenco: Donald GloverBeyoncéSeth RogenJames Earl JonesChiwetel EjioforJohn OliverBilly EichnerJD McCraryShahadi Wright Joseph

Lançado em 1994, O Rei Leão se tornou uma das maiores animações de todos os tempos, acumulando uma impressionante bilheteria e excelentes avaliações dos críticos. Como resultado, conquistou uma legião de fãs. Até hoje, muitas crianças dos anos 1990 relembram do VHS verde e de ‘Hakuna Matata’, canção entoada pelos hilários Timão e Pumba — sem falar, é claro, no trauma que a morte de Mufasa causou nos pequenos da época. Uma trama forte e com personagens carismáticos, sem falar no ótimo visual, músicas contagiantes e cômico na medida certa. Enfim, um sucesso.

Vinte e cinco anos depois e com um avanço estrondoso na tecnologia, a Disney, empolgada com o resultado do live-action de Mogli: O Menino Lobo, de 2016, decidiu que era hora de colocar O Rei Leão na esteira de sua fábrica de refilmagens. E, depois de levar aos cinemas, apenas em 2019, novas versões de Dumbo e Aladdin, a casa do Mickey, enfim, lançou o seu projeto mais ambicioso: a shakespeariana história de Simba em um formato ‘realista’ — e com o mesmo diretor de Mogli, o ótimo Jon Favreau.

E, bem, é inegável que, no quesito ‘realismo’, o longa não desaponta. Toda a questão técnica é impecável, com uma computação gráfica impressionante, mostrando na tela que a tecnologia inovadora utilizada para realizar o filme deverá trazer mudanças significativas na maneira de fazer cinema. É inacreditável que tudo o que foi mostrado tenha sido feito por meio de um computador, tamanha a perfeição do trabalho de Favreau e sua equipe — e tudo é potencializado no IMAX 3D.

No entanto, mesmo com um visual incrível — parecendo um lindo documentário —, o longa perde ferramentas na hora de contar a sua história. Querendo representar a savana africana de maneira realista, a nova versão não conta com as cores fortes que foram marcantes no primeiro filme, ficando mais frio. Além disso, com animais não-antropomorfizados, poucas são as características marcantes neles — entre os leões, apenas Scar se sobressai. E, obviamente, as emoções são perceptíveis basicamente apenas nas vozes dos dubladores. No momento em que Simba chora a morte do pai, por exemplo, quase nada muda no rosto do animalzinho e sabemos que ele está chorando apenas por conta do ótimo trabalho de JD McCrary, que faz a voz do leão enquanto criança.

Por falar em vozes, todo o elenco de dubladores originais foram muito bem escolhidos. Os jovens Simba (McGrary) e Nala (Shahadi Wright Joseph), assim como as versões adultas dos personagens, interpretados por Donald Glover e Beyoncé, seguram bem o protagonismo do longa. Contudo, os grandes destaques são John Oliver como Zazu, Seth Rogen como Pumba (hilário) e, obviamente, James Earl Jones reprisando o seu papel de Mufasa de maneira incrível e inconfundível (que voz!). Na questão musical, todas as canções funcionam muito bem, com boas atualizações — a música nova, ‘Spirit’, de Beyoncé, é interessante, mas pouco marcante.

Com 29 minutos a mais de duração em relação ao original, poucas coisas são diferentes. Inclusive, muitas das sequências são idênticas ao filme de 1994, apenas com uma roupagem nova. Visivelmente, apenas dois momentos novos são perceptíveis e eles não acrescentam muito à trama. Então, quem estava com medo de mudanças na história, pode ficar tranquilo, está praticamente igual.

Mas, então, o que faz com que o filme tenha meia hora a mais? Bem, Favreau busca deixar o seu longa mais contemplativo, fazendo com que as cenas demorem mais — provavelmente, para mostrar os detalhes de todo o seu trabalho. No entanto, essa tática faz com que a narrativa perca um pouco de ritmo. E esse tempo extra poderia ter sido melhor empregado, pois as resoluções apressadas da versão original seguem com o mesmo problema neste novo filme.

No final das contas, o longa chega para demonstrar que a Disney tem dinheiro de sobra para recriar as suas animações mais fantasiosas, o que, até poucos anos atrás, parecia impossível. E o objetivo disso? Fazer mais dinheiro, é claro! No entanto, no meio dessa ambição de faturar ainda mais e mostrar o seu potencial, quem se beneficia é o público, que ganha produções visualmente impressionantes, mesmo que nem todas tenham o charme ou a relevância que as suas versões originais. A refilmagem de O Rei Leão enche os olhos, emociona, arranca diversas risadas (obrigado, Timão e Pumba) e, sim, compensa ir ao cinema. Mesmo assim, o clássico de 1994 continua rugindo mais alto.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 4/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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