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13 vezes em que atores brancos interpretaram personagens de outras etnias

13 vezes em que atores brancos interpretaram personagens de outras etnias

Whitewashing — lavagem branca, em tradução livre — é o nome do fenômeno que se dá quando um ator branco interpreta algum personagem de outra etnia. Inúmeros artistas caucasianos já interpretaram negros, asiáticos, hispânicos, árabes em produções cinematográficas. De uns anos para cá, a prática tem sido menos comum, apesar de ainda existir. Os estúdios finalmente aprenderam que diversidade importa, além de render dinheiro — só observar a bilheteria de filmes como Pantera Negra, Mulher-MaravilhaPodres de Rico e Viva: A Vida é uma Festa. 

Os vindouros remakes de Mulan e Amor, Sublime Amor também contam com elencos 100% fiéis às etnias de seus personagens. É um avanço muito importante para a indústria que, infelizmente, não apaga as décadas de blackface, yellowface e de exclusão de minorias.

Confira 13 dos mais notáveis exemplo de quando atores brancos interpretaram outras etnias:


  • O Nascimento de uma Nação (1915)

O que é pior: má representação ou representação nenhuma? O Nascimento de uma Nação é considerado um dos filmes mais influentes de todos os tempos pelos avanços na linguagem cinematográfica que protagonizou. No entanto, o filme é altamente racista. Homens negros são interpretados por brancos usando blackface e são representados como selvagens e estupradores. Ainda por cima, o filme retrata os membros da Ku Klux Klan como os heróis da história e é responsável pelo retorno do grupo racista. A resposta da pergunta do começo é simples: entre má representação e representação nenhuma, a falta de representação não perpetua estereótipos tóxicos nem espalham preconceito.


  • Sangue de Bárbaros (1958)

Gengis Khan, fundador do Império Mongol, foi um dos maiores conquistadores da história ao unir diversos territórios da Eurásia (continente hoje dividido como Europa e Ásia) e derrubar inúmeras dinastias. Uma história tão fascinante claramente é adaptada inúmeras vezes nos cinemas e nenhuma é mais ilustre do que Sangue de Bárbaros. O líder mongol foi interpretado pela lenda do faroeste John Wayne em yellowface, assim como todos os outros atores americanos interpretando os mongóis. E a controvérsia do filme não para por aí, a produção foi filmada em campo de teste nuclear e os efeitos foram desvastadores. Segundo reportado na revista People nos anos 80, 91 pessoas envolvidas nas filmagens contraíram câncer e 46 morreram da doença. Hoje é estimado que 220 pessoas tenham contraído câncer por causa do filme.


  • Bonequinha de Luxo (1961)

Embora seja um clássico, não dá pra deixar de notar que Bonequinha de Luxo tem o mais famoso caso de yellowface (prática semelhante ao blackface que constitui no ato de um ator branco se pintar de amarelo para interpretar um personagem asiático). Mickey Rooney interpretou o Sr. Yunioshi, o vizinho chato de Holly (Audrey Hepburn). O Sr. Yunioshi é um personagem caricato do imigrante japonês, e extremamente ofensivo, pois abusa de todos os esteriótipos raciais que eram famosos na época. E pensar que Rooney fez um personagem tão insignificante e algo tão ofensivo…


  • Amor, Sublime Amor (1961)

Também conhecido como West Side Story, o musical se mostrou socialmente relevante por tratar da segregação social dos porto-riquenhos e dos poloneses, latinos e brancos, que vivem em péssimas condições e acabam se tornando vândalos em gangues rivais. No entanto, a escalação do filme não foi tão sensível aos temas que a produção aborda. Maria e Bernardo, dois dos porto-riquenhos principais da trama, são interpretados por atores brancos e muitos dos outros personagens latinos também usaram maquiagem para escurecer a pele. A história fica ainda mais revoltante porque Rita Moreno que, de fato, é de Porto Rico, também teve de aplicar maquiagem para escurecer a pele para ficar mais hispânica. No remake do Steven Spielberg, todos os personagens hispânicos serão interpretados por atores latinos.


  • A Paixão de Cristo (2004)

O polêmico filme de Mel Gibson fez sucesso por fazer uso de uma violência muito gráfica em cima de uma história famosa já recontada tantas vezes no cinema. Um dos objetivos do diretor era ser muito fiel ao material original, tanto que o filme não é falado em inglês, mas sim em aramaico, hebraico e latim. Mas a fidelidade passou longe ao escalar alguns de seus personagens mais importantes, como o próprio Jesus Cristo. Jim Caviezel é um homem branco norte-americano, e ele passa longe de ser um nativo do Oriente Médio. E isso não acontece só com ele, pois a Maia Morgenstern, que interpreta Maria, também não possui a pele morena — na verdade, ela é bem caucasiana. A Paixão de Cristo é só mais um dos inúmeros épicos bíblicos que embranquecem os personagens.


  • O Último Mestre do Ar (2010)

Avatar: A Lenda de Aang é uma animação surpreendente em vários sentidos e uma das maiores qualidades dela é o quão diverso são os personagens. O desenho é baseado no mundo asiático e inuíte (indígenas nativos da região do Canadá e Alaska). A Tribo da Água é inuíte, a Nação do Fogo é japonesa, o Reino da Terra é chinês e os Dobradores de Ar são baseados nos monges budistas Shaolin. Como o diretor do filme é indiano, seria esperado que a adaptação cinematográfica respeitasse as raízes étnicas da animação; mas não respeitar foi a reviravolta que M. Night Shyamalan trouxe para o longa. Aang foi interpretado por um jovem de descendência nativo americana; Katara e Sokka, da Tribo da Água, foram interpretados por dois brancos; a Nação do Fogo, vilões da trama, foi interpretada por indianos, fato que gerou mais controversa, porque os vilões foram representados com pele mais escura e os heróis de pele mais clara, quando na animação é perfeitamente o contrário.


  • Argo (2012)

Ninguém pode negar que a direção de Ben Affleck no filme foi ótima, tanto que o ator levou para casa o Globo de Ouro de Melhor Diretor e o filme recebeu o Oscar de melhor Filme. No entanto, a escolha dele mesmo de viver o protagonista é questionável. Mesmo que tenha interpretado o personagem principal de todos os filmes que dirigiu (com exceção de Medo da Verdade, que foi estrelado pelo seu irmão, Casey Affleck), Tony Mendez foi um oficial de operações real da CIA e como o próprio sobrenome indica, Mendez é filho de mexicano.


  • O Cavaleiro Solitário (2013)

Johnny Depp foi escolhido para interpretar o índio Tonto, um nativo cherokee na adaptação da clássica série de TV O Cavaleiro Solitário. A decisão não poderia ter sido mais errada. Além do filme ser uma mancha no currículo de qualquer um dos envolvidos, Depp é branco, o que causou revolta nos ameríndios. Como resposta, Depp disse que sua contratação ocorreu porque o mesmo tem sangue cherokee — ele é 1/16 nativo americano. Essa não cola nem um pouco, né? Junte isso às outras decisões erradas, e temos um dos maiores fracassos da Disney já lançados.


  • Êxodo: Deuses e Reis (2014)

Christian Bale e Joel Edgerton interpretaram, respectivamente, Moisés e Ramsés II no longa que adapta a história bíblica, filme que se envolveu nas mais diversas polêmicas. A principal delas é o whitewashing em todo o elenco do longa, no qual personagens egípcios são interpretados por brancos. Ridley Scott ainda foi duramente criticado pois disse que o filme não seria feito caso fosse estrelado por um “Mohammed qualquer” (e criticado com razão). A cereja do bolo foi a proibição do filme no próprio Egito por supostamente propagar ideias erradas contra o islamismo.


  • Pan (2015)

A princesa Tigrinha, filha do Chefe, é uma das personagens mais conhecidas Terra do Nunca. Não existe dúvida tanto no material original quanto em qualquer outra adaptação que os personagens são nativos americanos. Algo que a adaptação de 2015, Pan, não levou em conta. No filme, Tigrinha é interpretado pela americana Rooney Mara. O talento dela é inquestionável, já a escalação dela…


  • Sob o Mesmo Céu (2015)

Em um dos exemplos mais recentes da lista, Emma Stone vive a Capitã Alisson Ng, personagem ¼ chinesa e ¼ havaiana baseada em uma pessoa real. Tanto o diretor, Cameron Crowe, quanto a atriz se desculparam depois pela controvérsia. No último Globo de Ouro, a atriz Sandra Oh brincou que Podres de Rico, único filme americano com elenco 100% asiático em 25 anos, foi o primeiro longa a ser protagonizado por asiáticos desde Sob o Mesmo Céu e Ghost in the Shell.  Emma Stone, na plateia, berrou “Me desculpa”.


  • A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell (2017)

Apesar do belíssimo visual fiel ao mangá e anime, o live-action de Ghost in the Shell foi muito criticado por colocar uma atriz branca e norte-americana para interpretar uma japonesa. Como se não bastasse, a produção aplicou traços japoneses no rosto de Scarlett Johansson, sendo que a Major Motoko Kusanagi já teve o nome ocidentalizado para Mira Killian, e entregou uma justificativa medíocre durante o filme para explicar a escolha da atriz. Não deu outra: o filme foi um fiasco em todos os sentidos. Johansson não deu sorte e protagonizou outra polêmica similar. O filme de máfia Rub & Tug seguiria o rei do crime Dante “Tex” Gill, nascido Lois Jean Gill. A produção se tornou alvo de severas críticas por pegar uma atriz cis gênero para interpretar um homem trans e Scarlett acabou saindo do papel. E a cereja do bolo: Ghost in the Shell e Rub & Tug dividem o mesmo diretor, Rupert Sanders.


  • Doutor Estranho (2016)

Nem mesmo a Marvel Studios escapou da polêmica do whitewashing, logo o estúdio que mudou o sexo e a etnia de tantos personagens.  A excelente Tilda Swinton foi convidada para o papel de Ancião, mentor do Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch). Mais diversidade, certo? Errado! O que a Marvel fez não foi apenas mudar o gênero, mas sim a etnia. Nos quadrinhos, o Ancião é tibetano. Embora Swinton tenha mandado muito bem como a personagem mística, não foi nem um pouco legal a Marvel apagar um asiático de uma narrativa que é intrinsecamente asiática. Com a polêmica, a Casa das Ideias deu uma justificativa um pouco fanfarrona ao explicar que o Ancião (ou Anciã) é apenas um título, um cargo passado de geração em geração, mas o real motivo vai além disso. A China odeia o Tibete. Existem séculos de conflito entre os dois países sobre a independência do Tibete — a China proclama ser soberana da nação. A questão não é um mero debate, uma vez que existem alegações de genocídio com um milhão e duzentos mil tibetanos mortos por ordem de autoridades chinesas. O conflito entre os dois países é delicado e a Marvel mudou a etnia da Anciã para não prejudicar o desempenho de Doutor Estranho nas bilheterias chinesas. Se fosse para contratar uma mulher, por que não chamaram a Michelle Yeoh, do clássico moderno O Tigre e o Dragão?


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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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