Bode na Sala
Críticas Destaque Netflix Séries

Stranger Things – 3ª temporada | Crítica

Stranger Things – 3ª temporada | Crítica

Stranger Things – 3ª temporada

Ano: 2019

Criadores: Matt Duffer, Ross Duffer

Elenco: Winona Ryder, David Harbour, Finn Wolfhard, Millie Bobby Brown, Gaten Matarazzo, Caleb McLaughlin, Natalia Dyer, Charlie HeatonNoah Schnapp, Joe Keery, Sadie Sink, Dacre Montgomery, Maya Hawke, Priah Ferguson, Cara Buono, Cary Elwes 

Depois de entregar duas excelentes temporadas, tornar-se um fenômeno da cultura pop e passar quase dois anos em hiato, Stranger Things volta em sua melhor forma. Divertido, tenso, nostálgico e emocionante, o terceiro ano da série não desaponta depois de tanta espera, assumindo um tom mais intenso e sem tanta necessidade de fazer inúmeras referências à cultura dos anos 1980.

Nove meses após derrotarem o Devorador de Mentes — na temporada anterior —, as crianças estão de férias escolares, mas a dinâmica do grupo mudou. Mike (Finn Wolfhard) está namorando Eleven (Millie Bobby Brown) e Lucas (Caleb McLaughlin) está namorando Max (Sadie Sink); estes dois relacionamentos fazem com que Will (Noah Schnapp) se sinta excluído do grupo, uma vez em que os amigos amadureceram e perderam o interesse em RPG e nas outras coisas que faziam em conjunto. Dustin (Gaten Matarazzo) passou um mês fora viajando e encontra o mesmo problema com os amigos.

Joyce (Winona Ryder) ainda sofre com a morte do namorado Bobby Newby (Sean Astin), ao passo de que sua amizade com o delegado Jim Hopper (David Harbour) se tornou mais forte do que nunca. Jonathan (Charlie Heaton) e Nancy (Natalie Dyer) estão trabalhando no jornal local; Nancy é obrigada a lidar com o machismo e piadas constantes dos seus colegas de trabalho, que não a levam a sério. Tudo isso enquanto os russos, por algum motivo, reabrem o portal para o Mundo Invertido, permitindo que o Devorador de Mentes tente mais uma vez conquistar a Terra.

Sim, a estrutura da temporada é idêntica a anterior. Todos os personagens estão separados em vários grupos diferentes quando se deparam com alguma atividade sobrenatural, cuja subsequente investigação faz com que todos se juntem no final para enfrentar o grande vilão. Mesmo que seja familiar, Stranger Things encontra meios de permanecer divertida e interessante. Todos os personagens, com as ilustres exceções de Dustin, Lucas e Jonathan, são desenvolvidos e passam por um arco dramático ao longo da temporada, seja para superar traumas passados, aceitar um amor ou amadurecer. Billy Hargrove (Dacre Montgomery) assume o papel de principal antagonista humano, o que não o impede de ser explorado como pessoa para todos os efeitos.

Eleven ainda precisa de ajuda para se ajustar ao mundo, no qual ela ainda vive isolada. Desta vez, seguindo a liderança de Max, ela não só encontra uma melhor amiga como um exemplo de feminilidade a seguir — a protagonista só andava com garotos e com o Hopper, o que reflete no estilo e na personalidade dela. Mike e Lucas precisam entender as duas respectivas namoradas, Joyce e Hopper precisam decidir que tipo de relação eles têm, Nancy precisa se impor no trabalho, Will precisa decidir se está preparado para crescer… Individualmente, cada conflito emocional ou narrativo de natureza pessoal que os personagens precisam resolver é ótimo e empolgante.

Steve Harrington (Joe Kerry) continua sendo um dos melhores personagens da temporada, desde o seu arco de redenção, e, desta vez, ele tem companhia. Maya Hawke, filha de Ethan Hawke com Uma Thurman, é indiscutivelmente a novidade mais cativante da temporada, dando vida a Robin, colega de Steve na sorveteria em que ele trabalha — a química entre os dois é sensacional. Robin é inteligente, articulada e divertida, roubando toda cena que protagoniza. Os demais personagens que recebem mais atenção na trama, no entanto, não são tão efetivos. O corrupto prefeito Larry Kline (Cary Elwes) serve apenas para movimentar a trama e apanhar. Erica Sinclair (Priah Ferguson) era cômica na temporada anterior, mas a sua popularidade fez com que ganhasse mais espaço desta vez e acaba soando insuportável em todas as tentativas do roteiro de fazê-la engraçada. E, por citar alívios cômicos desnecessários, o conspiratório Murray (Brett Gelman) e o cientista russo Alexei (Alec Utgoff) fornecem um humor nada bem-vindo sempre que abrem a boca.

E nós precisamos falar sobre os russos. Não existe nada mais clichê do que vilões russos comunistas nos filmes e séries americanos, principalmente, naqueles lançados nos anos 1980 — e como Stranger Things estabeleceu seu nome sendo uma fonte inesgotável de nostalgia da saudosa década, não é de se surpreender que o programa da Netflix tenha seguido este caminho. Mas, enquanto a motivação dos cientistas do Laboratório de Hawking para as pesquisas com outras dimensões era clara, nunca sabemos ao certo o que os vilões estrangeiros querem. Tudo o que é justificado vem de uma explicação bem vaga. É divertido ver que os personagens automaticamente assumem que os russos estejam fazendo alguma coisa errada por conta da Guerra Fria — e é uma pena que eles realmente estejam fazendo algo errado. A cereja do bolo é Grigori (Andrey Ivchenko), o estereótipo perfeito de soldado imbatível que, como se não bastasse o conceito, se parece, fala e se comporta como Arnold Schwarzenegger em O Exterminador do Futuro.

Mesmo que decepcione em certos aspectos narrativos, a série não deixa de impressionar nos efeitos especiais. Eles não estão apenas melhores do que nunca, mas, constantemente, chocam pela escala e pela excelente qualidade em uma produção televisiva. Assim como a tensão é mais presente, os elementos de terror também se destacam. O gore é mais pesado e o body horror é comparável a Um Enigma de Outro Mundo e A Mosca. O ritmo é afiado como não pode deixar de ser e os oito episódios passam voando. O roteiro é tão bem amarrado e tão fora da estrutura episódica que é possível afirmar que se trata de um filme de oito horas.

Sem nunca perder o gás, mas apresentando os primeiros sinais de desgaste por seguir sempre a mesma estrutura, Stranger Things mais uma vez termina a sua temporada em uma nota emocionante e conclusiva, mas sempre deixando uma ponta solta para permitir um novo mistério, uma nova aventura. Enquanto a série continuar sendo um excelente entretenimento e o melhor que a Netflix tem para oferecer, não tem problema em abrir o portal do Mundo Invertido mais uma vez.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 5    Média: 4.8/5]


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Curta a nossa página no Facebook!

The following two tabs change content below.
Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close