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Homem-Aranha: Longe de Casa | Crítica

Homem-Aranha: Longe de Casa | Crítica

Homem-Aranha: Longe de Casa (Spider-Man: Far from Home)

Ano: 2019

Direção: Jon Watts

Roteiro: Chris McKennaErik Sommers

Elenco: Tom HollandZendayaJake Gyllenhaal, Samuel L. Jackson, Jon FavreauJacob BatalonMarisa TomeiCobie Smulders,Tony Revolori

Em 2018, a Marvel cometeu o terrível equívoco de lançar Homem-Formiga e a Vespa durante o luto dos fãs após Vingadores: Guerra Infinita. Como alguém poderia ignorar todos os eventos ocorridos no épico confronto dos heróis contra Thanos — e suas consequências catastróficas — e simplesmente dar risadas com um filme totalmente desligado daquela realidade? Em 2019, felizmente, o estúdio conseguiu acertar o tom. Vingadores: Ultimato finalizou a Saga do Infinito de maneira épica e, novamente, com alguns eventos traumáticos. Nada melhor que um filme protagonizado por um dos seus heróis mais carismáticos para aliviar os corações dos fãs e dar um encerramento digno à terceira fase do MCU.

Em Homem-Aranha: Longe de Casa, Peter Parker (Tom Holland) está de volta à sua vida normal. Ou o mais próximo possível disso após ficar cinco anos desaparecido junto com metade do universo. Ele e alguns amigos, que também sumiram no estalar de dedos de Thanos, retornaram após a derrota do Titã Louco e se deparam com algumas consequências desse longo desaparecimento. O que Peter quer agora? Férias. Merecidas férias. Ele parte com um grupo de colegas de escola e professores para uma viagem pela Europa, mas acaba encontrando exatamente o que não esperava: uma nova ameaça. Um monstro aquático surge em Veneza, destruindo a cidade e colocando milhares de vidas em perigo. Enquanto Peter tenta inutilmente combater o misterioso inimigo, que é totalmente imune aos seus ataques, surge uma ajuda inesperada. Um homem de capa, em uma armadura voadora e disparando raios pelas mãos. Quentin Beck (Jake Gyllenhaal), que se diz um herói de outra dimensão, veio para o nosso mundo combater os seres que destruíram o seu planeta.

Como aconteceu em Homem-Aranha: De Volta ao Lar, a trama se divide entre as aventuras do herói aracnídeo e os dramas adolescentes de Peter. Dessa vez, além dos vilões, o Homem-Aranha enfrenta a responsabilidade de ser considerado o sucessor de Tony Stark/Homem de Ferro, tanto como herói quanto como possível futuro líder dos Vingadores. E este peso recai sobre Peter, que tem dúvidas sobre sua capacidade de cumprir este papel, principalmente em um momento no qual quer viver as experiências normais para sua idade, como conquistar o coração de sua amada MJ (Zendaya). E aí Tom Holland volta a provar que foi a escolha perfeita para o papel do herói aracnídeo. Com seu jeito tímido e atrapalhado, o humor flui naturalmente, e ele também se sai muito bem nos momentos de drama e tensão, fazendo com que o público torça e se emocione junto com ele.

O roteiro de Chris McKenna Erik Sommers possui altos e baixos. Ponto positivo: consegue encontrar boas soluções para reviravoltas que já eram previsíveis. Ou seja, a gente sabe o que vai acontecer, mas a forma como a situação é apresentada é muito bem elaborada. No entanto, existem vários momentos de pura conveniência, e que são essenciais para que o roteiro funcione. Por exemplo, um longo monólogo incrivelmente expositivo que se mostra totalmente artificial. Sem contar que a forma como Nick Fury (Samuel L. Jackson) e Maria Hill (Cobie Smulders) conhecem Quentin Beck se mostra uma escolha equivocada e desnecessária, sendo que havia diversas outras opções que a tornariam muito mais verossímil e eficiente. Apesar disso, a decisão de dedicar uma considerável parte do filme para os conflitos pessoais de Peter foi um grande acerto, garantindo que o filme funcione muito bem no desenvolvimento do personagem, que certamente será um dos principais nesta nova fase do MCU.

A boa utilização dos personagens secundários se torna muito importante neste desenvolvimento. Ned (Jacob Batalon) já está consolidado como melhor amigo de Parker e como o ‘nerd na cadeira’, principal ajudante para as ações do Homem-Aranha. A interação entre os dois sempre gera momentos engraçados. MJ ganha espaço e se torna o interesse romântico de Peter. Com seu humor ácido, esconde suas inseguranças, e é muito legal ver ela baixando a guarda pouco a pouco, se mostrando mais como realmente é. Happy Hogan (Jon Favreau) acerta em cheio no tom como uma espécie de tutor de Peter. Quem realmente destoa um pouco é Flash Thompson (Tony Revolori), cuja atuação e os próprios diálogos ficam abaixo dos seus parceiros de tela.

A direção de Jon Watts se destaca pelas cenas de ação. Com ótimas coreografias e com mais enfrentamentos corporais do que em Homem-Aranha: De Volta ao Lar, o diretor ainda foi auxiliado por uma melhora considerável no CGI do herói, tornando as lutas bem mais realistas. Existe ainda o grande acréscimo provocado pela aparição de Mysterio, visto que os poderes do personagem possibilitam embates fantásticos e empolgantes, que foram muito bem explorados pelo diretor. Soma-se a isso a excelente atuação de Jake Gyllenhaal que, inicialmente, parece uma versão responsável de Tony Stark, servindo como conselheiro do jovem e inexperiente herói. Com um tom de voz sempre contido e demonstrando compreensão com as dúvidas e inseguranças de Peter, ele surge como uma nova figura paterna, justamente quando o jovem herói se encontra mais perdido e dividido entre seus desejos e responsabilidades.

Homem-Aranha: Longe de Casa é o fechamento perfeito após Vingadores: Ultimato por conseguir, de maneira leve e honesta, apresentar um mundo onde os heróis precisarão se acostumar com sua nova realidade, buscando uma nova forma de organização para combater as ameças que virão. E a chegada de novos inimigos do Amigão da Vizinhança, seja em enfrentamentos no filme, sendo citados em diálogos, ou ainda na primeira (e fantástica, além de surpreendente) cena pós-créditos, abre um leque incrível de possibilidades para que o Teioso se torne o mais importante personagem do MCU. Aí sim o Homem de Ferro terá passado o bastão para um herói à sua altura. E, talvez, ainda melhor.

Obs.: Há ainda uma segunda cena pós-créditos, que tem relação com algumas teorias que já circularam nas redes nos últimos meses.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 4/5]


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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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