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Annabelle 3: De Volta Para Casa | Crítica

Annabelle 3: De Volta Para Casa | Crítica

Annabelle 3: De Volta Para Casa (Annabelle Comes Home)

Ano: 2019

Direção: Gary Dauberman

Roteiro: Gary Dauberman

Elenco: Madison Iseman, Katie SarifeMckenna GraceMichael Cimino, Vera FarmigaPatrick Wilson

James Wan é o cara que ajudou a remodelar os filmes de terror deste século. Desde Jogos Mortais, lá em 2004, o cineasta mostrou que tem talento para contar histórias assustadoras e, principalmente, criar franquias que são minas de ouro — além de empreitadas extremamente bem-sucedidas em Velozes e Furiosos 7, em 2015, e Aquaman, em 2018.

Em 2013, Wan apresentou uma pérola do gênero do terror: Invocação do Mal, baseado nos relatos reais de Ed e Lorraine Warren. Ali, além de um ótimo filme, havia uma mina de histórias que poderiam ser exploradas. E, obviamente, os produtores não perderam tempo. Além da continuação de Invocação do Mal, de 2016, abriu-se espaço para inúmeros spin-offs que, obviamente, fizeram muito sucesso — e Wan passou a atuar como produtor.

Annabelle, A Freira e A Maldição da Chorona foram as histórias derivadas da franquia sobrenatural que chegaram às telonas. No entanto, as aventuras aterrorizantes da boneca maligna se proliferaram, superando, inclusive, a franquia original em número de filmes. Enquanto Invocação do Mal teve dois capítulos, Annabelle chegou em sua terceira parte e, desta vez, depois de tocar o terror por aí, ela foi, finalmente, parar com os Warrens.

Assim, Annabelle 3: De Volta Para Casa chega para mostrar como a boneca encapetada foi parar na casa dos demonólogos mais famosos do mundo e, assim, faz a ponte para Invocação do Mal. E o grande atrativo para este novo episódio da franquia é a participação de Ed e Lorraine Warren (Patrick Wilson e Vera Farmiga), protagonistas da franquia original. No entanto, o casal não faz nada muito além disso, uma participação.

Abrindo e fechando o filme, os Warrens deixam espaço para a velha história da adolescente que acaba se metendo em uma enrascada ao tentar descolar uma grana trabalhando de babá. No entanto, Mary Ellen (Madison Iseman) é a cuidadora de ninguém menos que Judy (Mckenna Grace), filha dos caçadores de assombrações. Mas, até aí, tudo bem. Na casa dos demonólogos, a ‘sala do mal’, que é o lar de Annabelle — e de vários outros artefatos amaldiçoados —, é bem trancada. Só que Mary Ellen tem uma amiga, Daniela (Katie Sarife), que tem muita curiosidade em conhecer o local e, obviamente, isso colocará todos em perigo.

A trama, por mais que se utilize de uma base já amplamente explorada, consegue ser eficiente, pois estabelece, logo no início, como funciona o sobrenatural ao redor da boneca maligna. Assim, quando a ação se transfere para dentro da casa dos Warrens, tudo que é apresentado tem a sua justificativa e não soa apelativo. E o mais interessante é que, mesmo com um show de monstros à solta — lembra, em uma versão aterrorizante, Goosebumps e, curiosamente, Madison Iseman protagoniza o segundo filme de fantasia —, é totalmente dentro da verossimilhança criada pelo longa.

Com direção e roteiro de Gary Dauberman, responsável por escrever It: A Coisa e A Freira, Annabelle 3: De Volta Para Casa consegue trabalhar bem com a tensão. Desde o seu começo, mesmo com um tom mais leve, a produção não deixa a apreensão cair, trazendo, a todo momento, elementos assustadores e que não são necessariamente jump scares — apesar de ter vários deles. A trilha sonora também funciona perfeitamente, ajudando a dar o tom com eficiência, gerando incômodo e aflição nos momentos certos.

Dauberman trabalha bem com o escuro, utilizando este elemento para gerar terror, não para esconder defeitos do longa. As criaturas e objetos amaldiçoados que aparecem no filme foram escolhas felizes e, mesmo sendo muito distintos entre eles, funcionam muito bem, mesmo que não representem uma ameaça tão grande — afinal, duas adolescentes e uma criança contra um exército das mais perigosas assombrações não parece uma batalha difícil para os malvadões.

Em sua terceira aventura solo, Annabelle não tem tanto tempo de tela assim, mas a sua presença é marcante e faz a trama do longa se mover. Mas, o mais importante (para os produtores, é claro): neste filme, a franquia Invocação do Mal conseguiu apresentar uma série de novos candidatos a virarem derivados e, certamente, muitos deles ganharão as suas próprias aventuras nas telonas. Mesmo que os spin-offs não sejam primores de qualidade, uma coisa é inegável: esta é, talvez, uma das iniciativas mais inteligentes que o cinema de gênero já viu. Baixos orçamentos, poucos riscos e muito dinheiro, tudo interligado por uma franquia principal consistente… É um negócio perfeito.

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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