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Jessica Jones – 3ª temporada | Crítica

Jessica Jones – 3ª temporada | Crítica

Jessica Jones – 3ª temporada

Ano: 2019

Criadora: Melissa Rosenberg

Elenco: Krysten RitterRachael TaylorCarrie-Anne MossEka Darville, Rebecca De MornayBenjamin WalkerJeremy BobbTiffany MackJamie NeumannJohn Ventimiglia

Jessica Jones nunca foi uma personagem muito famosa dos quadrinhos, embora sua série Alias, escrita por Brian Michael Bendis, tenha sido aclamada e obteve um público fiel. A decisão de realizar um programa de TV foi tomada há muito tempo, e com a expansão do Universo Cinematográfico da Marvel para o formato, parecia a hora certa de fazer a produção. Jessica Jones foi incluída no acordo Marvel-Netflix de 2013, e teria uma abordagem noir, como realmente deve ser. Agora, em 2019, depois de muitos percalços e três temporadas, a atração chega ao fim de um modo agridoce, tanto pela trama quanto pelos bastidores.

No final do segundo ano, vimos Trish Walker (Rachael Taylor) matar a mãe biológica de Jessica Jones e descobrir suas habilidades advindas da cirurgia que a colocou em coma, trilhando, assim, o caminho para que ela se tornasse a Gata do Inferno (Hellcat no original) dos quadrinhos. Embora na nona arte ela seja uma heroína que chegou a fazer parte dos Vingadores (da Costa Oeste, e não os originais), no seriado ela é uma anti-heroína complexa que acredita estar fazendo o bem ao matar criminosos que a lei não deteve, algo nos moldes do Justiceiro. É nesse conceito ambíguo de moralidade que reside a maior força da temporada final de Jessica Jones.

A própria Jessica é questionada interna e externamente sobre o que é ser uma heroína e se ela realmente quer ser isso. Não só isso, ela sofre na pele o fato de ser uma figura pública superpoderosa ao invés de se esconder atrás de uma máscara, como Trish faz. O novo vilão que a série traz, Gregory Sallinger (Jeremy Bobb), é o babaca psicopata perfeito que coloca esses embates morais entre as duas protagonistas, e provoca a principal ruptura de uma amizade que já não se sustentava. Se você fosse a Jessica Jones, com todo o conhecimento investigativo e toda a força sobre-humana da personagem, o que faria: entregaria para a polícia o psicopata que se esconde por trás da fragilidade da lei e bancar a heroína ou protegeria sua melhor amiga (ainda que ela discorde) de uma exposição e do fim de sua carreira na mídia, embora essa seja uma decisão mais egoísta? É assim que Jessica Jones sempre foi, e nos apaixonamos por isso nos últimos quatro anos, e agora isso está mais escancarado do que nunca.

Outra boa adição da série é o trapaceiro Erik Gendel (Benjamin Walker), que possui o poder de descobrir o mal nas pessoas. Ele construiu sua bagunçada vida em cima de extorsões de pessoas genuinamente ruins, que sempre pagam com o medo de serem expostas e perderem suas carreiras. O personagem tem um relacionamento com Jessica, e os dois formam uma boa dupla de investigadores no melhor estilo True Detective, mas a maior parte disso vem do talento de Krysten Ritter, que já conhece a personagem e cresceu exponencialmente desde o começo, enquanto Walker entrega poucos bons momentos com Erik, que só é um personagem interessante devido ao seu background e participação na trama.

Mas nem tudo são flores. Embora a série se manteve sólida desde o começo, o programa sempre sofreu com os mesmo problemas de ritmo e tramas desinteressantes. Na temporada final isso vem com Jeri Hogarth (Carrie Anne-Moss) e seu relacionamento chato com uma antiga paixão. Quase todas as cenas da personagem com Kith (Sarita Choudhury) dá vontade de desligar a TV, exceto pelos últimos episódios, que são cruciais para a jornada de Jessica e Trish. Mas isso, novamente, é culpa do acordo feito entre a Marvel e a Netflix, que obriga a serem produzidos 13 episódios por temporada, mesmo não existindo história para tal.

Embora Jessica Jones seja uma excelente personagem, quem mais cresceu nesses três anos foi Trish Walker. Sua construção de uma atriz mirim de sucesso no passado até se tornar uma fria assassina superpoderosa é incrível. É de doer no coração os momentos em que as duas brigam entre si, algo que todos sentíamos em Breaking Bad em relação a Walter e Jesse (dadas as devidas proporções, é claro, pois BB é muito superior). Mas isso é importante até para o final que Jessica tem, em que ela finalmente toma uma decisão sobre o que quer ser e se mostra satisfeita com isso ou até, por que não, feliz. É gratificante ver os sorrisos genuínos da heroína (?) depois de tanta angústia que a personagem passou.

No final, a sensação que fica é que Jessica Jones foi uma boa série que nunca atingiu seu potencial. Mesmo fazendo referências ao Universo Marvel (como a Balsa, prisão de super-humanos que aparece em Capitão América: Guerra Civil), esperávamos ver mais. Mais lutas, mais ação, ora, queríamos até mais efeitos visuais. Nunca saberemos porque essas séries da Marvel na Netflix tiveram pouco orçamento, mas sabemos que o cancelamento da maioria delas foi amargo. Pelo menos JJ teve um final digno e decente, e sua cena final ainda permite perguntar se no futuro veremos mais desses personagens, mesmo que em outra plataforma. Na semana que Jessica Jones estreou, em 2015, o Brasil foi presenteado com o meme “Já acabou, Jéssica?”. Bem, parece que acabou, mas ela continuará nos nossos corações.

Nota do crítico:

Nota do público:

[Total: 2    Média: 3.5/5]

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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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