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Dark – 2ª Temporada | Crítica

Dark – 2ª Temporada |  Crítica

Dark – 2ª temporada

Ano: 2019

Criadores: Baran bo Odar, Jantje Friese

Elenco: Louis Hofmann, Lisa Vicari, Lea van Acken, Mark Waschke, Andreas Pietschamnn, Lisa Kreuzer, Maja Schöne, Sylvester Groth

A primeira temporada de Dark foi uma grata surpresa. Estreando sem grandes gabaritos e com marketing modesto, a série alemã conquistou, através do boca a boca, o invejável status de produção cult. A intrincada trama que envolve viagens no tempo com a complexa genealogia da cidade de Winden, com toques de terror e referências à filosofia, conquistou um considerável número de fãs, que com o gancho do último episódio ficaram ávidos por uma continuação.

A boa notícia é que o segundo ano da série da Netflix faz jus à sua temporada predecessora. Com uma produção impecável e um roteiro surpreendente, Dark continua cumprindo seu papel de apresentar um produto qualificado, inteligente e com reviravoltas tão plausíveis (dentro do conceito estabelecido) quanto surpreendentes.

A série se passa exatamente um ano após os acontecimentos do final da última temporada. Jonas (Louis Hofmann) se vira como pode no futuro pós-apocalíptico que sucedeu um acidente na usina de Winden em 2020 — que ele quer, a todo custo, evitar. Em 2020, as famílias atingidas ainda acham um jeito de lidar com os desaparecimentos, mas a chegada do Jonas adulto (Andreas Pietschmann) muda todas as perspectivas dos envolvidos. Em 1987, o inspetor Egon Tiedemann (Christian Pätzold) sai da aposentadoria para investigar os estranhos acontecimentos de 1953, que neste ano são investigados por sua versão mais jovem (Sebastian Hülk). Ufa!

Esse é apenas o ponto de partida da série, afinal, sabemos que o tempo é um mero detalhe aqui. Se você já achava complicado acompanhar três focos narrativos diferentes (1953, 1986 e 2019), se preparem: agora também temos que memorizar os personagens de 1921 e 2054, além dos novos que surgem nas décadas que já conhecíamos. Haja memória!

Os conceitos que foram apresentados anteriormente são expandidos, o que é revigorante. Descobrimos que Noah (Mark Waschke), por exemplo, é um sujeito bem mais complexo do que aparentava. O padre sem fé, que na primeira temporada parecia ser apenas um vilão misterioso e sem escrúpulos, se revela aqui um personagem tridimensional. Naquele que é, até agora, o melhor arco individual da série, somos apresentados a uma figura com motivações autênticas e sentimentos genuínos. Admito que até me compadeci de seu drama, o que demonstra uma clara evolução de sua persona.

Os demais personagens também têm desenvolvimentos competentes. Jonas, o ‘protagonista’ (numa trama com tantos personagens, fica difícil apontar alguém que se destaque mais do que os outros), segue gerando empatia, com o seu eterno drama de tentar mudar o tempo e salvar aqueles que ama, mesmo que o custo seja a própria vida – ou existência. Egon Tiedemann, que na primeira temporada tinha participação meramente funcional, ganha aqui novas camadas, se tornando um dos personagens mais interessantes de toda a série. E a versão mais jovem de Claudia (Julika Jenkins) dá indícios de como se tornou uma das mais poderosas viajantes no tempo do universo de Dark.

Descobrimos aqui a origem dos ‘viajantes’, pessoas que viajam no tempo para manipular os acontecimentos a seu bel prazer. Ainda que suas motivações não estejam claras, já podemos entender parte de suas ações. Os ‘Sic Mundus’ tomam para si todo o antagonismo da trama, e a revelação sobre a verdadeira origem de ‘Adam’, seu líder, é de dar nó na cabeça de qualquer um.

A série segue tecnicamente impecável. A fotografia é precisa, e reage bem ao desafio de retratar os dois novos tempos: fria e sem vida em 2054, quente e monocromática em 1921. E a trilha sonora continua deixando o espectador tenso e sempre à espera de algo muito ruim. O que, invariavelmente, acontece…

Dark continua sendo uma das produções mais empolgantes do Netflix. Com uma trama complexa e envolvente, uma produção cuidadosa e personagens tridimensionais e brutalmente humanos, é um prato cheio para fãs da ficção científica, terror e suspense, já que transita entre esses gêneros com igual desenvoltura e qualidade.

E com o gancho deixado no final, é impossível não elaborar mil teorias sobre o que está por vir…

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 5    Média: 4.4/5]


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Jornalista em formação, ex-membro do finado e saudoso Terra Zero e leitor de histórias em quadrinhos. Fã de ficção científica e terror, divide seu tempo livre entre o cuidado com suas dezenas de gatos e a paixão pela cultura pop. Sonha com o dia em que perceberão que arte é sim, uma forma de discutir política.

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