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Toy Story 4 | Crítica

Toy Story 4 | Crítica

Toy Story 4

Ano: 2019

Direção: Josh Cooley

Roteiro: Andrew Stanton, Stephany Folsom

Elenco de dubladores (originais): Tom HanksTim AllenAnnie PottsTony HaleKeegan-Michael Key, Jordan Peele, Keanu Reeves

Toy Story marcou toda uma geração. Ainda hoje, as crianças dos anos 1990 se lembram com carinho de assistir ao filme no icônico VHS verde. Aquele mundo de aventuras, além de ter uma história incrível, trazia uma técnica inédita de fazer animação. Com coração e tecnologia, ambos em altos níveis, a Pixar chegava com tudo. Alguns anos depois, Woody e Buzz retornariam para Toy Story 2 que, desta vez, trouxe novos personagens e ganhou ainda mais afeição das mesmas crianças que amaram o primeiro longa, mas que, na época, já estavam um pouco mais grandinhas.

Os brinquedos, após a segunda aventura, ficaram 11 anos no baú. No entanto, o caubói e o astronauta mais queridos do cinema voltariam para uma (até então) despedida incrível em Toy Story 3. E, aquelas mesmas crianças que se emocionaram e vibraram nos anos 1990, agora eram jovens adultos — que se identificaram e choraram rios ao se despedirem de seus velhos amigos. Fim perfeito de uma saga perfeita.

Só que não. Algum tempo depois, a Disney anunciou um quarto capítulo da franquia. Os fãs, mesmo amando aquela turminha de brinquedos, se questionavam se era necessário um novo filme — poxa, Toy Story 3 tinha encerrado a saga lindamente. E a questão que ficou em aberto foi: “Precisava mesmo de mais um?”. E, bem, a resposta é sim e não.

Toda a trajetória ‘dos fãs’ citada acima se aplica a este que vos escreve. Toy Story foi a minha animação de infância. Inclusive, o meu cachorro se chama Woody. Então, desculpa, mas tenho que me inserir neste texto. Depois de desidratar com o terceiro filme, que trouxe um desfecho sensível sobre a entrada na vida adulta na perspectiva dos brinquedos, não consegui me empolgar com um novo longa. No entanto, quando os nossos velhos conhecidos aparecem na tela, fica impossível não amolecer o coração e embarcar, mais uma vez, em uma aventura daquela turma tão amada.

E Toy Story 4 já começa emocionante, respondendo à única ponta solta deixada no longa anterior: “O que houve com a Betty?”. A partir disso, somos conduzidos para uma trama nova, mas que não deixa de ser conhecida de quem acompanha a saga. O desinteresse de uma criança pelo seu brinquedo e a fidelidade deste são colocados em foco novamente, com uma abordagem nova — além de um personagem inédito, que faz a história andar, o Garfinho —, mas que acaba se tornando repetitiva.

Para quem é familiarizado com a franquia, perceberá diversas similaridades entre as narrativas. É uma história reciclada, mas com uma nova roupagem — e alguns novos rostos, sejam eles de pelúcia ou de garfo. E, como se a trama já não seguisse uma fórmula bastante conhecida, dentro da narrativa também há uma série de situações que conseguem se repetir com uma frequência que chega a cansar — os brinquedos estão quase conseguindo, mas um fica para trás por algum motivo. Aí, tudo tem que recomeçar. Pelo menos, desta vez, o Buzz foi o Buzz o tempo inteiro, apesar de pouco tempo de tela.

O protagonismo da história é, definitivamente, de Woody. E é muito interessante perceber que toda a sua lealdade, apesar de aparentemente muito bonita, acaba se mostrando um fardo para o caubói, que necessita tanto ser útil quanto ver um sorriso no rosto de uma criança. E o aprofundamento no personagem, que sempre teve um ótimo desenvolvimento na franquia, aqui, impressiona — tanto pela sua lucidez e coerência quanto por ser muito adulto, mas também de fácil compreensão para os pequenos.

Betty também tem um arco interessantíssimo, ganhando um destaque que, apenas assistindo aos outros longas, não seria possível imaginar que daria tão certo. Reformularam a personagem, deixando ela forte e determinada, essencial para a narrativa. Garfinho, que traz a crise existencial para a história, uma vez que é formado de lixo (e quer voltar para o mesmo), é hilário e extremamente carismático, justificando facilmente a sua importância para a trama.

Além dos ótimos personagens, Toy Story 4 tem outro destaque: o seu visual. A técnica da Pixar para criar a animação está perfeita, impressionando por seus inúmeros detalhes e riqueza. A sequência inicial, por exemplo, em que os brinquedos estão resgatando um companheiro na chuva, é uma obra de arte. Tudo ali é incrível. E o nível é mantido ao desenrolar do longa, trazendo situações de cair o queixo. O cenário em que a maior parte da trama se passa, o parque de diversões, foi uma escolha extremamente assertiva. Quando anoitece e as luzes das atrações se acendem, tudo ali ganha um clima que mistura nostalgia com melancolia, conseguindo incrementar o sentimento da história. No entanto, mesmo sendo uma boa escolha de lugar para se situar as aventuras, o parque é um lugar público, o que acaba trazendo uma certa quebra de verossimilhança. Woody e seus amigos, cada vez mais, se expõem, caminhando entre pessoas e, até mesmo, falando e se mexendo enquanto seres humanos estão próximos.

No final das contas, Toy Story 4, mesmo que tenha alguns problemas em sua história, é ótimo e, se não fosse pela perfeita conclusão em seu antecessor, teria ainda mais força. Obviamente, como se suspeitava, é impossível não chorar ao final da projeção, pois o sentimento construído entre aqueles brinquedos e os seus fãs é genuíno — e se despedir de amigos sempre é emocionante. A questão que fica é: “Será que, desta vez, o adeus é definitivo?”. Não é possível saber. Mas, se não for, estarei novamente no cinema para um novo capítulo das aventuras de Woody, Buzz e os outros brinquedos, pois, afinal, aprendi a sempre dizer para esses carinhas: “Amigo, estou aqui”.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 4/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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