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Mistério no Mediterrâneo | Crítica

Mistério no Mediterrâneo | Crítica

Mistério no Mediterrâneo (Murder Mystery)

Ano: 2019

Direção: Kyle Newacheck

Roteiro: James Vanderbilt

Elenco: Adam SandlerJennifer AnistonLuke EvansGemma ArtertonLuis Gerardo Méndez, Adeel AkhtarDany BoonJohn Kani, Terence Stamp

Histórias de assassinato fazem parte da cultura mundial. Seja na literatura, no teatro, no cinema ou na televisão, tramas detetivescas, em que o objetivo principal é descobrir quem é o culpado por uma morte misteriosa, fascinam o público. Mesmo que esse tipo de produção tenha sido exaustivamente explorada no século passado, tanto que banalizou um dos mais conhecidos desfechos, ‘a culpa é do mordomo’, é sempre interessante acompanhar uma boa investigação, em um jogo de gato e rato.

Em 2017, o cinema ganhou uma nova abordagem de um romance de Agatha Christie, com Assassinato no Expresso do Oriente, em que acompanhamos o famoso detetive Hercule Poirot novamente em ação. Agora, em 2019, sai o aclamado investigador clássico e entra uma dupla ‘do barulho’ para desvendar um misterioso assassinato: Adam Sandler e Jennifer Aniston.

Em Mistério no Mediterrâneo, produção original da Netflix, o objetivo é simples: mesclar suspense e comédia, enquanto os protagonistas passeiam por belas paisagens da Europa. E, bem, o longa consegue atingir esses objetivos. Tem suspense? Tem! Tem comédia? Tem! Tem belas paisagens europeias? Tem! Esses itens, no entanto, são de boa qualidade? Então, o último, com certeza. Os demais, bem, variam bastante…

Depois de acertarem em cheio ao formarem dupla de sucesso em Esposa de Mentirinha — incansavelmente repetido na televisão fechada —, era esperado que Sandler e Aniston voltassem a trabalhar juntos, assim como foi a parceria do ator com Drew Barrymore. E, ao contrário do longa de 2011, em que os dois estão bem entrosados e entregando boas performances (dentro do possível, é claro), aqui, somente Aniston parece estar empolgada por fazer algo interessante.

Sandler, que já se mostrou um bom ator por diversas vezes (Embriagado de Amor, Reine Sobre Mim, Os Meyerowitz: Família Não se Escolhe), em Mistério no Mediterrâneo está com uma desanimação contagiante. O comediante, que assinou um contrato de oito produções originais para a Netflix — está é a quarta —, parece que entrou em uma zona de conforto (ainda maior) e não demonstra o mínimo esforço em entregar um personagem minimamente envolvente. Bom para Ansiton, que tem espaço para brilhar (e ofuscar Sandler). Além dos dois protagonistas, a nova produção do serviço de streaming também conta com bons nomes em seu time de coadjuvantes, como Luke Evans e Gemma Arterton, mas que não podem fugir muito de seus personagens limitados e estereotipados.

Já a trama de Mistério do Mediterrâneo não é muito distante das clássicas tramas de detetive com as quais todos estão habituados — o próprio título já demonstra semelhanças com Assassinato no Expresso do Oriente. O diferencial dele é a tentativa de fazer graça com a perseguição do culpado pela morte misteriosa (e as demais que acontecerão pela trama, obviamente). No entanto, com o astro principal sem vontade, não espere por gargalhadas. É claro que há momentos divertidos, mas eles demonstram apenas o potencial que o longa desperdiçou (pelo menos, não fazem piada de peido dessa vez).

Apostando em sua viagem pela Europa e em tirar um sarro das histórias Agatha Christie, Mistério no Mediterrâneo mostra que, mesmo não sendo o pior filme de Adam Sandler na Netflix — impossível algo ser pior que The Ridiculous 6 —, o tipo de comédia do ator está mais tediosa do que nunca. E o mais interessante é que o longa é dono de uma produção impecável, com um nítido pomposo investimento. É uma pena que dinheiro não compra risadas (não do público, pelo menos).

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 4/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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