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Olhos Que Condenam | Crítica

Olhos Que Condenam | Crítica

Olhos Que Condenam – 1ª temporada

Ano: 2019

Criadora: Ava DuVernay

Elenco:  Jharrel JeromeCaleel HarrisEthan HerisseAsante BlackkMarquis RodriguezJustin CunninghamJovan AdepoChris ChalkFreddy MiyaresMarsha Stephanie BlakeJohn LeguizamoVera FarmigaFelicity HuffmanFamke JenssenMichael Kenneth WilliamsStorm ReidWilliam Sadler

Em abril de 1989, uma corredora sofreu tentativa de assassinato e estupro no Central Park, em Nova York, enquanto fazia seu exercício diário. O caso ganhou as manchetes de todos os Estados Unidos e, logo, cinco adolescentes foram apontados como os responsáveis pelo hediondo crime. Acontece que os ‘cinco do Central Park’, como ficaram conhecidos, cumpriram mais de uma década de prisão por um crime que nunca cometeram. É essa a trama de Olhos Que Condenam, a nova minissérie da Netflix, que aborda um dos maiores casos de injustiça social já registrados.

Tudo o que envolve esse caso é doloroso. Tanto para a corredora estuprada quanto para os adolescentes acusados injustamente. Na época, até o homem que alguns chamam de “o racista mais poderoso do mundo”, Donald Trump, se envolveu; o atual presidente dos EUA pediu publicamente que o governo aplicasse a pena de morte para os cinco e, como Trump já era muito popular, a sociedade o seguiu e os garotos foram humilhados nacionalmente. Yusef, Kevin, Antron, Korey e Raymond foram só mais algumas vítimas do racismo e da xenofobia que até hoje perdura.

Ava DuVernay, conhecida por dirigir filmes que tocam na ferida dos norte-americanos no que diz respeito ao preconceito, como o excelente documentário A 13ª Emenda e a igualmente tocante biografia de Martin Luther King, Selma, foi a responsável por comandar todos os quatro capítulos de Olhos Que Condenam. A veia social está mais latente do que nunca em sua carreira, apresentando um de seus trabalhos mais abstratos e críticos até então. A diretora opta por planos que fazem os personagens se sentirem ora grandiosos ora minúsculos, tudo dependendo do contexto que algumas cenas acontecem.

A narrativa da minissérie não é linear, e funciona enquanto seriado. Porém, alguns episódios começam a sofrer com um inchaço narrativo. Isso se deve muito ao tipo de montagem que o programa optou por seguir, que em alguns (raros) momentos se parece com cinema hollywoodiano de baixa qualidade (não é, Batman vs. Superman?). Apesar disso, o último capítulo, justamente o maior, com praticamente uma hora e meia de duração, é o melhor de todos, e a escolha de focar em sua quase totalidade em Korey Wise – brilhantemente interpretado em todas as fases de sua vida por Jharrel Jerome – deu um destaque ao personagem que mais sofreu, tanto na série como na vida real.

Aliás, todo o elenco é fascinante. Desde os protagonistas até ao estelar elenco coadjuvante. Todo mundo possui uma carga dramática que agrega muito à trama e faz com que o espectador se importe com toda aquela gente. Asante Blackk, Caleel Harris, Ethan Herisse e Marquis Rodriguez fazem os protagonistas na fase adolescente, enquanto Justin Cunningham, Jovan Adepo, Chris Chalk e Freddy Miyares são suas versões adultas; embora os mais novos estejam melhores em cena, os mais velhos não ficam para trás. Assim como os coadjuvantes interpretados por grandes nomes como John Leguizamo, Vera Farmiga, Michael Kenneth Williams, William Sadler, Felicity Huffman, Famke Janssen… É muita gente boa.

A série poderia ter sido melhor se não fosse sua fotografia esfumaçada. Ela já possui tons de cinza em demasia, e essa ‘dessaturação’ não foi benéfica. Em certos momentos, dependendo da tela que você optar por assistir, vai se pegar chegando mais perto para entender o que está acontecendo. Em menor escala, lembra até o famigerado The Long Night, episódio de Game of Thrones que virou piada na internet por apresentar uma grandiosa batalha que não dava para assistir. Mas, depois de um tempo, você se acostuma com a fumaça na tela.

Felizmente, Olhos Que Condenam é mais do que aspectos técnicos. O projeto de DuVernay é um recorte do que é o racismo institucional já denunciado por ela no citado A 13ª Emenda, que faz o sistema crer que todo negro e hispânico (no caso dos EUA) é um bandido “aos olhos da lei”, a mesma lei que forçou jovens a assumirem um crime que jamais cometeram e os fizeram pagar por isso. A mesma que permitiu um circo midiático e uma humilhação a nível nacional. A mesma lei que permite ‘cidadãos de bem’ a protegerem suas famílias com algo feito exclusivamente para tirar a vida de outro – às vezes, até a própria. O sistema existe e é falho, e a mensagem de Olhos Que Condenam é que ele não faz justiça, mas corrige erros que ele mesmo cometeu.

Nota do crítico:

 

Nota do público:

[Total: 2    Média: 5/5]

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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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