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X-Men: Fênix Negra | Crítica

X-Men: Fênix Negra | Crítica

X-Men: Fênix Negra (Dark Phoenix)

Ano: 2019

Direção: Simon Kinberg

Roteiro: Simon Kinberg

Elenco: Sophie TurnerJames McAvoyMichael FassbenderJessica Chastain,Jennifer LawrenceNicholas Hoult, Tye Sheridan, Alexandra ShippKodi Smit-McPheeEvan Peters

Algumas décadas atrás, conheci a Fênix Negra nas histórias em quadrinhos, com uma mistura de encantamento e tensão. Encantamento com o ambiente cósmico, onde boa parte da história se passava, com os seres incríveis que conheci ali, e pela exploração máxima dos poderes daquele que era meu grupo favorito de super-heróis: os X-Men. Essa utilização da capacidade máxima deles era motivada por aquilo que também me dava medo: o tamanho da ameaça provocada pela transformação sofrida por Jean Grey.

Com seis ou sete anos de idade, eu ainda não estava acostumado com a perda de heróis. Por mais perigos que corressem, eles sempre venciam no final. No entanto, as histórias dos X-Men provocavam em mim um sentimento diferente. A Saga da Fênix Negra e a Graphic Novel O Conflito de Uma Raça mexeram demais comigo por apresentar um outro tipo de sentimento. Eram histórias mais sombrias, com temas que eu não entendia bem: como as pessoas poderiam odiar seres tão especiais? Que história é essa de “medo do que não compreendem“? É, eu levei alguns anos para entender o recado. Infelizmente, um recado que ainda é tão atual, mais de 30 anos depois, e ainda é muito mal compreendido. Infelizmente, não mais por crianças que recém aprenderam a ler.

Agora, com a segunda adaptação para os cinemas desta que é uma das mais importantes sagas dos X-Men, consegui sentir novamente parte daquilo que tanto me marcou na infância. Não vou dizer que o filme tem o mesmo impacto que os quadrinhos, mas ele possui vários elementos importantes que foram bem aproveitados da história original, mesmo que com uma nova roupagem. X-Men: Fênix Negra inicia mostrando como Jean Grey (Sophie Turner) foi parar na Escola para Jovens Superdotados do Professor Xavier. Em 1975, Jean, aos 8 anos, provoca de forma involuntária o acidente de carro que mata os seus pais. Xavier (James McAvoy) a resgata do hospital e a leva para a Escola, para ensiná-la a controlar os seus poderes. Saltando para o ano de 1992, vemos os mutantes liderados pelo Professor X sendo considerados como super-heróis pela sociedade, devido às suas últimas ações em defesa da humanidade. Quando um ônibus espacial entra em pane no espaço, pouco após seu lançamento, colocando a vida de astronautas em risco, o presidente dos Estados Unidos não hesita em contatar Charles Xavier para pedir que os salve. Mesmo com as ressalvas apresentadas por Hank McCoy (Nicholas Hoult) e Raven (Jennifer Lawrence), os X-Men partem rumo ao espaço, mas, apesar de conseguir salvar todos os humanos, nem tudo corre bem. Jean Grey não consegue escapar do ônibus espacial a tempo e é atingida por uma estranha energia cósmica. Ela sobrevive, mas algo está mudado dentro dela.

Tudo o que foi apresentado no parágrafo anterior diz respeito apenas aos primeiros minutos de filme. Uma abertura em um ritmo intenso e com uma tensão constante, que permanece até o desfecho da história. São poucos os momentos em que o público pode relaxar, até porque, desde que Jean desperta após o seu acidente no espaço, nós sabemos que ela se tornou uma grande ameaça, mas não se sabe exatamente quando ela irá se revelar — e nem quais serão as consequências disso. E com a trama focando quase exclusivamente no arco de Jean Grey, não se perde tempo desenvolvendo outras subtramas. Apenas o relacionamento dela com Charles Xavier, Ciclope (Tye Sheridan) e alguns outros personagens que surgem no decorrer do filme, sendo apenas o suficiente para compreendermos um pouco mais o conflito interno da protagonista. Uma decisão acertada que deixa o caminho aberto para um número enorme de cenas de ação, que são absolutamente fantásticas.

A maior qualidade dessas cenas é a grandiosidade do poder envolvido e da violência despreocupada que elas exibem. A ameaça da Fênix e a tentativa de salvar Jean praticamente cega os mutantes com relação às pessoas expostas ao perigo durante seus enfrentamentos. Então, vemos lutas em meio a um bairro residencial, em meio ao trânsito, e pessoas fugindo desesperadas enquanto mutantes voam e são arremessados de um lado para o outro. E isso, obviamente, abala fortemente a confiança dos humanos nos mutantes, que foi tão dificilmente construída. As lutas também possuem momentos de violência extrema, que me deixaram curioso imaginando como seria se eles decidissem exibir o sangue que seria derramado naquelas situações. E não só de cortes, perfurações, esmagamentos e ossos quebrados é construído esse cenário de terror. Existe uma cena envolvendo Jean e o Professor X que choca pela crueldade, mostrando o ápice do perigo representado pela Fênix, que parecia totalmente fora de controle.

Além da Fênix, outros inimigos são apresentados no segundo ato da história, e estes também se mostram poderosos e ameaçadores. E, graças a eles, os X-Men têm seus poderes exigidos ao máximo, o que aumenta demais a emoção das batalhas travadas. Se no início do filme, vemos cenas constrangedoras de Tempestade (Alexandra Shipp) usando seu poder para criar cubos de gelos em copos de bebida, no terceiro ato vemos ela se concentrar muito, a ponto de se contorcer, para produzir as poderosas rajadas formadas por relâmpagos na tentativa de parar seus adversários. Além dela, Noturno (Kodi Smit-McPhee) também mostra um crescimento enorme no clímax do filme, tanto em sua confiança quanto em sua fúria, atacando de forma violenta e matando sem piedade os inimigos que o ameaçam. Dessa vez, deram um jeito de Mercúrio (Evan Peters) não roubar completamente a cena. Magneto (Michael Fassbender) também proporcionou algumas das mais empolgantes cenas de batalha, principalmente uma envolvendo o vagão de um trem.

Por mais que o grande destaque do filme realmente pertença às cenas de ação, ele não se resume apenas a isso. A apresentação de Charles Xavier como uma pessoa afetada pela vaidade de se sentir responsável pela paz entre humanos e mutantes o torna mais realista, mais verossímil. Qualquer um poderia deixar o orgulho subir à cabeça em uma situação como aquela. E esta vaidade faz com que ele cometa erros. Raven e Hank perceberam isso, mas enquanto Raven o enfrentou e questionou ainda no início, Hank demorou mais a tomar uma atitude, o que provocou consequências fatais. As discussões que surgem devido ao comportamento de Charles são relevantes, tanto no filme quanto fora dele. As preocupações de Xavier eram totalmente compreensíveis, mas até que ponto justificam suas atitudes? Além disso, eles mostram como os direitos conquistados por minorias (no caso, os mutantes) exigem uma atenção constante, pois qualquer deslize pode colocar a perder o que se levou anos para construir.

É uma pena que este seja o último filme dos heróis mutantes por um longo tempo, visto que se mostrou mais maduro e grandioso do que todos os outros dessa geração pós-X-Men: Primeira Classe. Depois do pavoroso X-Men: Apocalipse, parecia que a franquia não tinha mais nada a apresentar mas, tal qual a Fênix, ela ressurgiu das cinzas mais poderosa do que nunca e trouxe um encerramento digno e empolgante. Agora, é preciso ter paciência para aguardar o destino dos mutantes nas mãos da Marvel Studios. Mesmo que demore, creio que podemos ficar otimistas, afinal, os Filhos do Átomo estão, finalmente, em casa.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 4/5]


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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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