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Casal Improvável | Crítica

Casal Improvável | Crítica

Casal Improvável (Long Shot)

Ano: 2019

Direção: Jonathan Levine

Roteiro: Dan SterlingLiz Hannah

Elenco: Seth RogenCharlize TheronO’Shea Jackson Jr., June Diane RaphaelRavi PatelBob Odenkirk, Randall ParkAlexander Skarsgård

Seth Rogen, mesmo já se aproximando dos 40 anos, segue sendo um adolescente — pelo menos, no que diz respeito aos seus gostos. O ator/roteirista/produtor sabe mostrar, de maneira hilária, algo que todos já sabem: os homens demoram muito para amadurecer, agindo de maneira irresponsável por muitos anos após entrarem na vida adulta (alguns, na verdade, nunca conseguem deixar isso de lado). Crescer não é uma tarefa fácil, é claro. E Rogen sabe disso.

Em Superbad: É Hoje, ele mostrou como foi a sua adolescência. E, a partir disso, é possível quase montar uma narrativa a partir dos longas do ator. Ligeiramente Grávidos, Segurando as Pontas, É o Fim e Sexo, Drogas e Jingle Bells, por exemplo, mostram como homens que passaram pelos eventos de Superbad viveriam as suas vidas, se tivessem filhos, se envolvessem com traficantes burros, virassem astros de Hollywood (o que aconteceu, de fato) ou reunissem os amigos para um último Natal regado a drogas. Todos partindo do mesmo ponto, como se fossem universos paralelos derivados da história de Rogen.

Agora, em Casal Improvável, o ator e também produtor leva para as telonas um dos grandes desejos dos garotos (em especial, os norte-americanos): ficar com a praticamente inalcançável babá — nesse caso, potencializado de todas as maneiras. Para começar, a jovem que cuidava do pré-adolescente Fred Flarsky cresceu e se tornou ninguém menos que Charlize Theron. Já Fred é o próprio Rogen. E, como se não bastasse, a garota, agora, é secretária de Estado e futura candidata à presidência dos Estados Unidos. Enquanto isso, o personagem de Rogen é um jornalista desempregado e com péssimo gosto para roupas.

E o ponto em comum desse novo filme com os anteriores? Bom, o personagem de Rogen traz os mesmos esteriótipos apresentados nas comédias já citadas, como o humor adolescente e o sempre presente consumo de drogas. E, se você chegou até aqui achando que o texto falaria mal de Casal Improvável ou de Seth Rogen, achou completamente errado. A produção, que é comandada por Jonathan Levine (50%, Sexo, Drogas e Jingle Bells), acerta em praticamente tudo o que se propõe, conseguindo ser engraçada e, ao mesmo tempo, trazendo mensagens interessantes, mostrando um certo nível de amadurecimento dos caras envolvidos no projeto — mas não a ponto de afastar aqueles que só querem se enxergar na telona.

“Isso só acontece em filme”, deixou escapar, em voz alta, um colega de imprensa quando Rogen beija pela primeira vez Theron. A identificação com as trapalhadas/fracassos com o personagem Fred é tanta, as coisas que ele faz são tão possíveis que, quando ele fica com a garota dos sonhos pela primeira vez, arranca reações incrédulas. Não escutei tal reação em longas absurdos como Velozes e Furiosos, por exemplo. Ninguém se imagina como Toretto, mas se colocar no lugar do adorável perdedor Fred é natural. E Rogen merece aplausos por conseguir, quase sempre, encaixar o espectador — principalmente homens imaturos, como este que vos escreve — dentro das situações de seus filmes.

Casal Improvável tem diversos problemas, principalmente no que diz respeito ao roteiro. Apesar disso, o longa consegue ser tão real, mesmo dentro dos absurdos trazidos por esse conto de fadas moderno, que as suas falhas são supridas pelo riso bobo de um adolescente que, praticamente, não abandona o espectador. E, como bônus, Rogen e Theron formam um dos casais mais interessantes dos últimos tempos, sendo fofos e engraçados por conta de suas diferenças e das poucas probabilidades de darem certo. E isso já basta para fazer de Casal Improvável um dos filmes mais divertidos do ano.

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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