Bode na Sala
Críticas Destaque Filmes

Rocketman | Crítica

Rocketman | Crítica

Rocketman

Ano: 2019

Direção: Dexter Fletcher

Roteiro: Lee Hall

Elenco: Taron EgertonJamie BellRichard MaddenBryce Dallas Howard, Gemma JonesSteven MackintoshTom BennettMatthew IllesleyKit ConnorCharlie Rowe

Elton John é, sem dúvidas, um dos grandes nomes da música mundial — além de ser reconhecido por outras qualidades que, inclusive, lhe renderam o título de Sir. O cantor e pianista (que também é compositor e produtor musical) está com 72 anos e, ao olhar para a sua história, alguém deve ter dito: “Pô, a vida desse cara daria um filme”. E não é que deu mesmo? E um dos bons!

Dirigido por Dexter Fletcher, o mesmo que assumiu Bohemian Rhapsody após a demissão de Bryan Singer, Rocketman se aprofunda na história de Elton John (Taron Egerton), desde a sua infância, nos anos 1950, passando pela etapa em que se torna um fenômeno musical nos anos 1970, até chegar em sua decadência por conta das drogas e do álcool — obviamente, mostrando, após, como o músico superou esses problemas e segue firme e forte até hoje.

Já nos materiais de divulgação do filme, é possível sentir qual seria o seu tom: alegre, colorido e musical. E ele realmente traz esses elementos, mas com um plus: o drama que foi a vida do músico. Com pais que não davam atenção ou qualquer tipo de afeto para o pequeno Reginald Dwight (nome verdadeiro de Elton), o artista cresceu em busca da aprovação dos seus progenitores, principalmente de seu pai, Satnley (Steven Mackintosh), que se recusava até mesmo a abraçar o próprio filho. E, mesmo com um lar desmoronando, Reginald encontra na música o seu refúgio.

Com um talento impressionante, o artista, no passar dos anos, foi construindo a sua trajetória no mundo da música, mas sem atingir o sucesso que poderia. E isso muda quando o já autonomeado Elton Hercules John encontra Bernie Taupin (Jamie Bell), que logo se torna o seu melhor amigo e compositor de suas músicas. Assim, começa a ascensão meteórica do cantor — e essa jornada é contagiante, tornando-se o auge do longa.

Embalado pelos sucessos de Elton John — muitos deles, empolgantes e que elevam o astral do filme —, Rocketman sabe como usar o carisma e a excentricidade do cantor, que são transportados para Taron Egerton, que brilha no papel e consegue variar muito bem entre o showman e o homem destruído emocionalmente. No entanto, como se trata de um musical, canções são inseridas para compor a narrativa e, mesmo elas sendo bem utilizadas na maioria das vezes, algumas acabam atrapalhando no desenvolvimento de sequências importantes.

Dexter Fletcher, com a sua experiência anterior, soube utilizar isso para poder contar a história. Mesclando a vida de Elton John, com as suas músicas, figurinos impecáveis e diversos momentos de fantasia, o diretor consegue transpor para a tela o que o músico sente, pensa ou imagina, criando uma narrativa intimista e, ao mesmo tempo, grandiosa. O primeiro show do britânico nos Estados Unidos, no Toubadour, é passado para o espectador de maneira épica, mostrando tanto cantor quanto público flutuando. É simbólico e emocionante, revelando a conexão entre artista e seus ouvintes, que dariam o tom de toda a carreira do músico.

Obviamente, não dá para deixar de mencionar como a homossexualidade de Elton foi transposta para a tela — algo que foi duramente criticado quando a vida de Freddie Mercury foi levada aos cinemas. E, bem, mesmo não explorando tanto quanto poderia este ponto importantíssimo da vida do cantor, o que é mostrado é muito mais honesto do que o apresentado em Bohemian Rhapsody. A relação do músico com John Reid (Richard Madden) até busca ousar para uma produção de grande estúdio, mas a propaganda da cena de sexo entre os dois foi muito maior que ela em si.

Fica nítido, ao fim da projeção, que Rocketman é uma grande homenagem a Elton John — que também atuou como produtor-executivo do longa —, colocando o cantor como uma vítima das circunstâncias para justificar os seus erros e atitudes. O final, que parece não ter mais fôlego para emocionar , como em outros momentos da produção, revela a grande motivação do filme: elevar o músico, da mesma maneira que ele fez com o seu público em seu primeiro show em território norte-americano. E quer saber? Funcionou muito bem.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 4.5/5]


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Curta a nossa página no Facebook!

The following two tabs change content below.
Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close