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Godzilla II: Rei dos Monstros | Crítica

Godzilla II: Rei dos Monstros | Crítica

Godzilla II: Rei dos Monstros (Godzilla: King of the Monsters)

Ano: 2019

Diretor: Michael Dougherty

Roteiro: Michael DoughertyZach Shields

Elenco: Kyle ChandlerVera FarmigaMillie Bobby Brown, Ken WatanabeCharles DanceO’Shea Jackson Jr., Sally Hawkins

Em 2014, o monstrão mais destruidor e famoso do mundo voltou aos cinemas com Godzilla, refilmagem que foi o pontapé inicial para o MonsterVerse da Warner Bros. Em 2017, esse universo ganhou mais um membro: Kong: Ilha da Caveira. O objetivo? Chegar ao embate dos dois seres gigantescos, com o já anunciado Kong vs. Godzilla. No entanto, no meio do caminho, veio mais um capítulo: Godzilla II: Rei dos Monstros — que visa se aprofundar na mitologia da criatura.

O segundo longa de Gojira, desta vez, coloca o monstrão do lado dos mocinhos em um embate contra outras criaturas colossais, em um verdadeiro duelo de gigantes. Na trama, o ecoterrorista Jonah Alan (Charles Dance), quer trazer de volta à Terra os Titãs, os seres imensos que, há milhares de ano, governavam o planeta, em um equilíbrio perfeito. Quando eles retornaram brevemente, no primeiro longa, por onde passaram, a natureza voltou a florescer, sobrepondo a destruição, por conta da radiação/energia emitida pelos grandalhões.

Na atração atual, os malvadões libertam o terrível Ghidorah, o Monstro Zero, que disputava com Godzilla o posto de rei do mundo em outras eras. Assim, cabe ao lagartão resolver as contas do passado, ao mesmo tempo que acaba ajudando os seres humanos — que também são destruidores do planeta, mas não vem ao caso. Vale ressaltar que, nessa encrenca de escalas épicas, há outros dois Titãs: Mothra e Rodan, que ajudam a trazer ainda mais pancadaria monstruosa para a telona, mas acabam se tornando mais coadjuvantes da batalha entre os dois bichões que disputam a coroa (simbólica) de rei da Terra.

Agora que a trama está explicada, vamos ao que interessa: mesmo sendo uma continuação direta do longa de 2014, é possível assistir ao novo filme sem ter visto o seu antecessor, pois há rápidas explicações sobre o que foi estabelecido no anterior, sendo o suficiente para poder acompanhar Godzilla II: Rei dos Monstros sem qualquer prejuízo. E isso é um grande acerto da produção (no título original, nem há o numeral, disfarçando que é uma sequência), pois a produção anterior do lagartão recebeu diversas críticas, não sendo bem aceita pelos fãs do monstro — e nem pelo público em geral.

Trazendo apenas dois membros do elenco original, Ken Watanabe, que vive o Dr. Ishiro Serizawa, e Sally Hawkins (péssima em cena, vale destacar), intérprete da Dr. Vivienne Graham, o novo longa utiliza a dupla apenas como guias do universo estabelecido, deixando que a história seja conduzida por novos personagens. Assim, a família Russell, formada pela Dra. Emma (Vera Farmiga), Mark (Kyle Chandler) e a filha dos dois, Madison (Millie Bobby Brown), é a parte humana desta história, trazendo o drama, o medo e a visão do espectador para o meio do confronto entre seres colossais. E o núcleo familiar funciona muito bem, com boas entregas dos atores, que ajudam a trazer tensão e preocupação para a trama, mas que não são o foco da história — definitivamente, tudo só serve para introduzir os astros da festa, os Titãs.

O roteiro, que é escrito por Zach Shields e Michael Dougherty (que também é diretor), sofre com diversas sequências clichês, com empecilhos e resoluções já vistas em diversas outras produções — como a máquina que para de funcionar e precisa ser acionada manualmente, levando alguém a se sacrificar (sério, quantas milhares de vezes isso já aconteceu no cinema?). Nem vamos comentar sobre a probabilidade de uma criança sobreviver no meio de uma briga entre dois monstros de mais de 100 metros de altura…Mesmo com uma enorme suspensão de descrença, algumas situações são difíceis de engolir.

Deixando os problemas de lado, que se restringem basicamente ao desenvolvimento da história, Godzilla II: Rei dos Monstros tem um visual espetacular, consertando totalmente os erros apresentados no longa de 2014. O primeiro filme mal tinha a participação de Gojira e, quando ele estava em cena, a tela ficava tão escura que era impossível enxergar o monstro em diversos momentos — tudo para diminuir gastos com efeitos especiais, afinal, como saber se está ruim se não dá para enxergar, não é mesmo? O novo longa consegue não só ser honesto com o público, trazendo uma overdose do lagartão na claridade, como também não poupa em efeitos especiais para os demais Titãs. Todos estão impecáveis.

As batalhas entre os monstros são um show à parte, com lutas incrivelmente bem trabalhadas, mostrando os monstros viscerais, dando tudo de si para vencer os seus adversários — de mordidas, passando por estrangulamentos, até raios de energia disparados pela boca das criaturas. Vale destacar, também, a cena em que Godzilla está chegando na cidade para enfrentar Ghidorah, acompanhado de caças, fazendo total referência a um lutador entrando em um ringue. Mais uma vez, impecável.

Muito superior a Godzilla, Godzilla II: Rei dos Monstros aposta em batalhas incríveis entre os Titãs, em que cada frame pode ser utilizado como papel de parede, por conta do capricho empregado na construção das lutas. O cinza da cidade destruída, mesclado com as cores fortes do nascer do sol na sequência final, é um espetáculo e cria uma identidade para o filme que, se não for lembrado pela sua história, ficará para sempre na mente dos fãs por conta do seu visual de tirar o fôlego e suas lutas grandiosas. Vida longa ao rei!

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 4    Média: 3.8/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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