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Aladdin | Crítica

Aladdin | Crítica

Aladdin

Ano: 2019

Direção: Guy Ritchie

Roteiro: John AugustGuy Ritchie

Elenco: Will SmithMena MassoudNaomi ScottMarwan KenzariNavid NegahbanNasim Pedrad

Em 2010, a Disney entendeu que tinha uma galinha dos ovos de ouro em suas mãos: a própria Disney. Com o lançamento do live-action de Alice no País das Maravilhas, que arrecadou mais de US$ 1 bilhão nas bilheterias ao redor do mundo, o estúdio percebeu que as suas clássicas animações poderiam ser revisitadas e, como bônus, encheriam os cofres do Mickey de dólares. Então, nos últimos nove anos, Alice retornou em carne e osso às telonas com Através do Espelho e ganhou a companhia de Mogli: O Menino Lobo, Cinderela, Malévola, O Aprendiz de Feiticeiro, A Bela e a Fera, Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível, Dumbo e, agora, Aladdin — vale lembrar que, ainda neste ano, também chegam O Rei Leão e Malévola: Dona do Mal. Enfim, a empresa virou uma máquina de refilmagens de suas próprias aventuras animadas.

Focando na história de Agrabah, o escolhido para dar vida aos personagens ao cinema foi Guy Ritchie, conhecido por sua maneira peculiar de filmar cenas de ação — o que já dava indícios do que a Disney pretendia com o live-action de Aladdin: focar na aventura, trazendo elementos que diferenciariam essa adaptação das demais. Afinal, o diretor comandou os estilizados Sherlock Holmes, Rei Arthur: A Lenda da Espada, Snatch: Porcos e Diamantes e Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes. E, além disso, apostando totalmente no pop, Will Smith foi o escolhido para viver o Gênio — quer alguém mais amado pelo público que o eterno protagonista de Um Maluco no Pedaço?

Assim, com o alvo escolhido, Aladdin, que já tinha uma base bem sólida e surpreendentemente ainda atual na animação original, podia escolher por dois caminhos: ser o mais fiel possível ao material já estabelecido ou apostar em algo totalmente novo. Felizmente, o escolhido foi, na maior parte do tempo, o primeiro — mas não sem trazer algumas alterações pontuais que, quase sempre, ajudam na narrativa. Fica evidente, assistindo à versão live-action, que Ritchie e a Disney quiserem ficar em segurança, mas também não pouparam recursos para fazer com que a trajetória fosse a mais bonita e divertida possível.

Para começar, a escolha do elenco foi um grande acerto. Mena Massoud, que levantou questionamentos ao ser anunciado como protagonista, deixa as dúvidas de lado assim que aparece em cena. O seu Aladdin é cheio de vida, com uma personalidade levemente menos malandra e ficando mais atrapalhado que na animação, o que ajuda a criar empatia por ele. Já a Jasmine de Naomi Scott é uma grande surpresa, uma vez que ela consegue ser ainda mais interessante e vibrante que a primeira apresentação da personagem — o que é um grande feito, uma vez que a princesa de Agrabah dos anos 1990 era excelente.

Mas não há dúvidas que o grande destaque da produção é Will Smith e o seu Gênio. O ator, definitivamente, consegue contagiar e dominar as cenas com o seu carisma. Ele dá o máximo de si e isso é perceptível na tela. O seu personagem está ótimo e, se não houvesse a inevitável comparação com a inigualável versão dublada por Robin Williams, seria ainda mais brilhante a sua interpretação. Mesmo trazendo muito do que foi visto na animação original, o Gênio de Will ainda consegue dar uma personalidade nova para o azulão, inclusive, com novos interesses muito bem-vindos, colaborando para uma construção mais profunda do ser mágico. O único elo fraco do quarteto protagonista é Marwan Kenzari, que dá vida a Jafar. E não por incompetência do ator, mas, sim, por conta do quão sombrio e realmente assustador era o vilão da animação.

O roteiro, que foi escrito pelo próprio Richie e por John August, consegue contornar pontos fracos do clássico de 1992, inclusive, invertendo a ordem de alguns momentos para dar uma coerência maior para a narrativa. No entanto, o script acaba derrapando em algumas situações simples, trazendo conveniências desnecessárias para o desenrolar da história, mesmo com quase 40 minutos a mais em relação à animação. Há um cuidado maior com a relação de Aladdin e Jasmine, tornando o sentimento deles mais palpável — assim como o já citado desenvolvimento do Gênio.

Obviamente, não dá para deixar de falar sobre as músicas que embalam a produção. E, bem, os fãs da animação vão sair com um belo sorriso no rosto desse live-action. As canções mais icônicas estão lá, com algumas alterações, mas tão incríveis quanto antes. É impossível não se arrepiar quando Will começa a cantar ‘Arabian Nights’. Sério, é incrível. O mesmo dá para dizer quando ‘A Whole New World’ é interpretada por Mena Massoud e Naomi Scott, acompanhados pelo belíssimo visual de Agrabah e arredores — é emocionante. Há, também, novas canções, sendo uma exclusiva de Jasmine, que é ótima, mas acaba atrapalhando o andamento de uma sequência importante, o que é uma pena, pois faz com que a música, cheia de significado, perca força.

Com excelentes efeitos especiais e um figurino impecável, Aladdin também apresenta ótimas cenas de ação, principalmente de perseguição — mesmo com um Guy Ritchie contido, ele ainda deixa a sua marca —, explorando Agrabah e o palácio, ambos incrivelmente bem construídos. Além disso, os números musicais são contagiantes. Divertido e conseguindo atualizar uma história que já era atual, Aladdin tende a agradar os fãs da animação original e, também, conquistar novos. Afinal, quem não quer ter um amigo como Will Smith?

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 6    Média: 3.8/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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