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Cannes: os cinco filmes que representam o Brasil no maior festival de cinema do mundo

Cannes: os cinco filmes que representam o Brasil no maior festival de cinema do mundo

Ao contrário do que a opinião mais popular afirma, o cinema brasileiro não é ruim e não é só um amontoado de comédias toscas, elas são apenas a minoria e, por isso, são os filmes que mais chegam ao público. Para entender melhor o prestígio que o nosso cinema tem, é só dar uma checada no histórico do Festival de Cannes: o Brasil já marcou presença em pelo menos 37 edições do evento, tendo até vencido o prêmio principal algumas vezes.

Em 1959, Orfeu Negro, uma co-produção Brasil/França, venceu a prestigiada Palme D’or, a Palma De Ouro, embora o prêmio tenha sido oficialmente concedido ao país berço do cinema. Apenas três anos depois, O Pagador de Promessa, esse sim um filme 100% nacional, recebeu o prêmio. Grandes diretores nacionais já marcaram presença na seleção oficial do festival, como os finados Hector Babenco e Nelson Pereira dos Santos e, mais recentemente, quem ocupa o posto de maior nome brasileiro no evento é Kleber Mendonça Filho, responsável pelo majestoso Aquarius.

Na edição de 2019 do evento, há cinco produções que representam nosso país. A mais comentada, obviamente, é Bacurau, dirigido por Mendonça Filho e Juliano Dornelles. O longa mistura drama, ação, faroeste (que alguns veículos chamam carinhosamente de nordestern), ficção científica e terror gore, passando-se no sertão, um dos ambientes mais míticos do Brasil e, mostra os acontecimentos em uma pequena cidade do sertão após a morte de uma das moradoras mais antigas. Após o fim de sua exibição, a produção foi aplaudida por 10 minutos. Se quiser conquistar a Palma de Ouro, Bacurau terá que enfrentar alguns figurões, como o novo filme de Quentin Tarantino, Era Uma Vez… em Hollywood, que também foi muito aplaudido por lá.

Outro longa que representa o Brasil e disputa a Palma de Ouro é O Traidor, dirigido pelo italiano Marco Bellocchio. A co-produção ítalo-brasileira é baseado na história real do mafioso Tommaso Buscetta, que veio para o Brasil fugir da Cosa Nostra, a máfia italiana, e, ao quebrar a lei do silêncio da organização, condenou mais de 500 membros à prisão. O protagonista é vivido por Pierfrancesco Favino, e o filme ainda tem Maria Fernanda Cândido no elenco.

Os outros três filmes nacionais que estão em Cannes não competem pela Palma de Ouro, mas estão em outros páreos, como é o caso de A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, que está sendo exibido na mostra Un Certain Regard (Um Certo Olhar). O novo filme do veterano Karim Aïnouz, conhecido por obras como Madame Satã e O Céu de Suely, é uma homenagem do cineasta às mulheres mais importantes de sua vida: sua mãe e sua avó. Eurídice Gusmão já foi exibido e o público presente foi às lágrimas. Há até quem diga que Fernanda Montenegro, que está no filme em um papel coadjuvante, pode sair premiada do festival, mas as atrizes Carol Duarte e Julia Stockler também foram muito elogiadas.

Sem Seu Sangue, de Alice Furtado, está presente na Quinzena dos Realizadores, uma mostra não-competitiva do festival. A trama do filme acompanha uma adolescente introspectiva após se aproximar de um jovem recém-chegado em sua escola que sofre de hemofilia. O elogiado romance é a estreia na direção de longas da diretora carioca e será distribuído pela Vitrine Filmes.

Por último, temos o documentário Indianara. O longa é dirigido por Marcelo Barbosa e a francesa Aude Chevalier-Beaumel e acompanha a rotina de Indianara, uma mulher transexual ativista que ganhou voz ao ter um filme sobre a luta diária dos LGBT’s, indo parar no maior festival de cinema do mundo. A produção foi filmada em protestos que ocorreram em manifestações contra o ex-presidente Michel Temer, em 2016, até as eleições presidenciais de 2018, que elegeram o ex-deputado Jair Bolsonaro, alegadamente homofóbico. Indianara concorre à Queer Palm, uma premiação do festival voltada para filmes que apresentam temáticas LGBT’s.

Como pudemos perceber acima, o Brasil está muito bem representado no festival e tudo o que fazemos agora é torcer para que nossos filmes sejam prestigiados por todo mundo, inclusive pelo povo brasileiro. A 72ª edição do Festival de Cannes vai até o dia 25 deste mês.


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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