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Game of Thrones – 8×06: The Iron Throne | Crítica

Game of Thrones – 8×06: The Iron Throne | Crítica

Game of Thrones – 8ª temporada

Ano: 2019

Criadores: David BenioffD.B. Weiss

Elenco: Peter DinklageKit Harington, Emilia ClarkeLena HeadeyNikolaj Coster-WaldauSophie TurnerMaisie Williams, Liam Cunningham, Carice van Houten, Nathalie Emmanuel, Alfie Allen, John Bradley, Isaac Hempstead Wright, Gwendoline Christie, Conleth Hill, Rory McCann, Jerome Flynn, Kristofer Hivju, Joe Dempsie, Jacob Anderson , Hannah Murray, Iain Glen

Para uma série com tamanha ambição narrativa, dezenas de núcleos e muitos arcos de personagens para fechar, era lógico que Game of Thrones não agradaria a todos em seu final. Não importa o que acontecesse ou deixasse de acontecer, oito anos de construção levam aos mais altos níveis de expectativas dos fãs. No entanto, a série já vinha decepcionando parte de sua audiência em suas duas últimas temporadas e depois dos últimos episódios, que receberam as críticas mais pesadas da atração, não era de se esperar que a expectativa estivesse baixa — e, mesmo assim, conseguiu decepcionar.

Continuando do ponto em que o último episódio parou, Daenerys (Emilia Clarke) se auto-proclama rainha dos Sete Reinos, após destruir Porto Real e queimar quase que completamente a sua população. Apesar dos dothrakis e dos Imaculados, que as seguiram desde sempre, estarem satisfeitos com a conquista, os aliados westerosi da Targaryen não parecem exatamente satisfeitos com uma vitória feita a custas de tantos inocentes. Tyrion (Peter Dinklage) que, além de ter perdido a admiração por Daenerys, perdeu os dois irmãos Lannister, foi o primeiro a demonstrar sua insatisfação e acaba preso por traição.

Depois de quatro temporadas quase que completamente apagado, é bom voltar a ver o Tyrion voltar a ser o personagem afiado e sensato que sempre foi. A conversa que protagoniza com Jon Snow (Kit Harrington), discutindo o que fazer com a Daenerys, é facilmente a melhor parte do episódio — um diálogo em sua maioria bem escrito e tenso. O que impede, no entanto, a cena de ser tão boa quanto o seu potencial, é a insistência boba da série em forçar o romance entre Jon e a Daenerys. Por mais louvável que seja Game of Thrones seguir o caminho do incesto, a obediência tola que Snow tem para com a sua rainha e suas pífias tentativas de justificar a ação genocida dela são lastimáveis, um desserviço ao personagem. Partindo deste pressuposto, Jon nunca teria abandonado a Ygritte (Rose Leslie) e teria continuado do lado dos selvagens contra a Patrulha da Noite se ele fica tão bobo apaixonado.

E por falar em desserviço a personagens, precisamos falar sobre Daenerys Targaryen. A personagem com possivelmente o mais rico arco narrativo da série, uma garota de origem nobre exilada pelos pecados do pai, vendida pelo próprio irmão, estuprada pelo marido, que passou por tantas coisas e conquistou tanto ao longo das temporadas, chegar a um fim tão ridículo é nada menos do que revoltante. Vale lembrar que presságio não é desenvolvimento. Mesmo que Daenerys tenha prometido inúmeras vezes conquistar tudo com fogo e sangue, mesmo que ela tenha dado punições cruéis para aqueles que a traíram ou tentaram assassiná-la, nada nunca chega nem perto do massacre que ela realizou. A loucura hereditária que a série clama que ela tem seria plausível se melhor desenvolvida ao longo de vários episódios, no mínimo. Acreditar que ela surtou de um episódio para o outro sem ter preparado o território devidamente para isso é ridículo e mal executado.

Dito isso, a vontade da Rainha Louca de “libertar” todos os povos de todas as regiões do mapa da série soa acreditável. Mais uma vez, Emilia Clarke e Kit Harrington, que geralmente são atores limitados, mandam muito bem em sua última cena juntos. A decisão de Jon em matar a sua rainha é esperada, mas não menos fácil. A reação do Drogon ao sentir a morte da Daenerys, mesmo que a distância, é de partir o coração e torna toda a cena palpável. Ele destruir o Trono de Ferro, o motivo da morte de sua mãe, é uma conclusão agridoce para quem senta no trono. Ninguém. Após séculos de intrigas, traições e mortes, o melhor desfecho para a monstruosidade de ferro é fogo de dragão mesmo.

Mas no pulo temporal, as coisas voltam a ficar complicadas. Semanas depois da morte da Daenerys, Jon Snow continua preso — e é de impressionar que nenhum dothraki ou Imaculado tenha matado ele, principalmente com o quão assassino impiedoso Verme Cinzento se tornou. Tyrion é levado para a presença de todos os lordes de Westeros para decidir o seu destino. Sansa Stark (Sophie Turner), Arya (Maisie Williams), Bran (Isaac Hempstead Wright), Yara Greyjoy (Gemma Wheelan), Gendry Baratheon (Joe Dempsie), Edmure Tully (Tobias Menzies), Robin Arryn (Lino Facioli), algum príncipe dornês e outros personagens. Tyrion usa a sua astúcia para decidir quem será o novo rei dos Sete Reinos e, como toda descrença está suspensa de qualquer forma, Bran é o escolhido. Depois de passar pelo menos duas temporadas negando a sua identidade de Brandon Stark e se reafirmando como apenas o Corvo de Três Olhos, o filho de Ned Stark aceita o trono dizendo sempre saber que isso iria acontecer. E a decisão do Bran ser rei piora quando Sansa, a irmã dele, pede pela separação do Norte e ele a concede. Sem que nenhum dos lordes dos outros reinos conteste ou peça para ser separado também. Só fazem cara feia e vida que segue.

Os finais dos personagens são traçados. Jon é obrigado a voltar para a Patrulha da Noite (cujo objetivo agora é desconhecido, uma vez que não existem mais os Outros e o Povo Livre não é mais uma ameaça), um final inicialmente agridoce para o personagem que logo se torna doce quando ele se reencontra com o Fantasma (que parece perdoá-lo) e Tormund — a Patrulha agora ajuda o Povo Livre a se reinstalar além da agora destruída Muralha. Um final feliz.  Arya, que abandonou a Casa do Preto e do Branco por não conseguir deixar sua identidade como Stark se despede de sua família e decide viajar para onde nenhum homem foi e retornou. Na falta de outros Starks, Sansa é coroada a Rainha do Norte, sem dúvidas, a cria Stark com a melhor conclusão. Sansa lutou com unhas e dentes para a independência do Norte nas últimas temporadas, sempre tentando preservar os interesses dos nortenhos e o título foi extremamente merecido.

Prejudicado por um roteiro apressado impulsionado pela vontade férrea dos criadores e roteiristas, David Benioff e D. B. Weiss, de terminar com a série o mais rápido o possível, o final de Game of Thrones poderia ter sido pior e mais feliz. Não culpo a falta dos dois últimos livros da saga de George R. R. Martin não terem sido concluídos como fator determinante para a decaída da qualidade, muito poderia ter sido feito com o universo e material já estabelecido — a excelente sexta temporada é prova disso. Mas é inegável que, para um seriado que ao longo dos anos criou uma invejável reputação de ter uma narrativa forte, um mundo rico, personagens multidimensionais e um roteiro excelente (sem contar a excepcional parte técnica), tanto série quanto espectadores mereciam mais. Game of Thrones sempre foi conhecida por subverter as expectativas, mas, mesmo quando algo não acontecia como o previsto, não era algo questionável para com a qualidade da atração da HBO. A série precisa ser lembrada por estes pontos positivos e não por sua infeliz conclusão.

Nota do crítico:

 

Nota do público:

[Total: 10    Média: 2.7/5]

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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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