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John Wick 3: Parabellum | Crítica

John Wick 3: Parabellum | Crítica

John Wick 3: Parabellum (John Wick: Chapter 3 – Parabellum)

Ano: 2019

Direção: Chad Stahelski

Roteiro: Derek KolstadShay HattenChris Collins, Marc Abrams

Elenco: Keanu Reeves, Halle Berry, Ian McShane, Laurence FishburneMark Dacascos, Asia Kate Dillon, Lance ReddickAnjelica Huston

Em 2014, John Wick chegava aos cinemas (com De Volta ao Jogo, nome genérico dado ao longa no Brasil e que já foi esquecido) e, rapidamente, conquistou o público por sua ação sem limites e, também, por contar com Keanu Reeves como o protagonista que destrói um exército de assassinos por causa do assassinato de seu cachorrinho. O sucesso foi imediato. Três anos depois, o personagem volta para uma nova aventura, dessa vez com sequências ainda mais elaboradas de pancadaria, um visual excelente e, de quebra, um interessante aprofundamento na história do protagonista e da organização de matadores profissionais da qual Wick faz parte e que, em seguida, começa a caçar o irritado dono do falecido pet.

Agora, em 2019, John Wick 3: Parabellum (palavra que faz parte da expressão em latim ‘Se vis pacem, parabellum’, ou ‘se você que paz, prepare-se para a guerra’) começa exatamente onde o filme anterior parou, com o protagonista fugindo do clã de assassinos que quer a sua cabeça e, com isso, levar o impressionante prêmio de US$ 14 milhões. O herói, que cometeu o fatal erro de matar alguém nas dependências do Hotel Continental, um lugar neutro, agora precisa correr contra o tempo em uma cidade recheada de matadores para conseguir sobreviver.

Como em John Wick: Um Novo Dia Para Morrer, o filme anterior, somos inseridos dentro do universo de assassinos profissionais, mostrando mais do funcionamento daquele universo, suas regras e hierarquias. No entanto, em termos de aprofundamento e responder perguntas, o terceiro filme da franquia deixa a desejar se comparado com o seu antecessor, mesmo apresentando um número maior de personagens envolvidos para demonstrar mais os detalhes da organização.

Em busca de consertar o que deu errado e livrar a sua cabeça, John Wick, após ter um pouco mais de seu passado revelado, vai ao Oriente Médio — que também está lotado de assassinos profissionais (esse, sim, é um negócio próspero, pois tem uma galera que vive disso nessa história…). Lá, ele encontra com Sofia (Halle Berry), gerente da sede de Casablanca do Hotel Continental. A dupla, que se deve uma troca de favores, acaba encarando inimigos em uma eletrizante sequência de ação, com excelentes coreografias e entrosamento entre os dois humanos e os dois cachorros que participam da pancadaria.

Além de Halle Berry, a produção também conta com a introdução de Anjelica Huston, que vive A Diretora, líder de uma organização russa que recruta jovens para o mundo dos assassinos. No entanto, o tempo de tela de ambas é bem reduzido, mesmo que as suas participações sejam muito boas (principalmente, a de Berry), servindo apenas de escada para a próxima etapa da história de John Wick, como em um jogo de videogame. Entre as novidades do elenco, destaque para Mark Dacascos, que andava sumido das grandes produções, mas, aqui, consegue brilhar como um dos principais inimigos do protagonista — que também se revela um pouco fã, em um momento divertido.

Em termos de ação, Parabellum tem as melhores sequências da trilogia, com as lutas cada vez mais inventivas e bem elaboradas. É excelente ver John Wick utilizando, por exemplo, cavalos para acabar com os seus inimigos — ou um livro, ou machados, ou facas ou suas próprias mãos. E a pancadaria não para. Com seus 130 minutos de duração (o mais longo da franquia), não seria exagero chutar que 70% do filme seja destinado à ação — de altíssimo nível, só para deixar claro.

E, claro, é impossível não relacionar o sucesso da trilogia com Keanu Reeves. O ator encarna o personagem de uma maneira espetacular, demonstrando em suas poucas falas que é um homem devastado e, ao mesmo tempo, perigoso. Dessa vez, também, há um aprofundamento em suas motivações, humanizando o personagem, mas sem prejudicar o que já foi construído. As suas sequências de luta são verossímeis e extremamente viscerais. Mesmo com todos os absurdos propostos, Reeves sabe como deixar aquilo palpável. Com 54 anos de idade, o ator, reconhecido por não envelhecer, não demonstra qualquer sinal de cansaço e a sua fúria como John Wick está cada vez maior.

O filme, como dito acima, até tenta dar um passo maior para dentro daquele universo, mas não consegue a mesma efetividade que o seu antecessor. No entanto, o diretor Chad Stahelski, cada vez mais inspirado, entrega momentos dignos de entrarem para o hall dos filmes de ação, fazendo deste longa memorável no que diz respeito às cenas de luta. Apesar de um final que deixa um gancho enorme para mais um capítulo da franquia, o que enfraquece o desfecho, uma vez que a trilogia poderia se encerrar de uma maneira excelente, John Wick 3: Parabellum é uma grande obra de ação, que crava a franquia como um dos expoentes do gênero.

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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