Bode na Sala
Críticas Destaque Netflix Séries

Disque Amiga Para Matar – 1ª temporada | Crítica

Disque Amiga Para Matar – 1ª temporada | Crítica

Disque Amiga Para Matar (Dead to Me) – 1ª temporada

Ano: 2019

Criadora: Liz Feldman

Elenco: Christina ApplegateLinda CardelliniJames MarsdenMax JenkinsSam McCarthyLuke RoesslerBrandon ScottEdward AsnerValerie Mahaffey

A Netflix tem um histórico respeitável no que diz respeito a seriados de comédia. Buscando fugir da fórmula de sitcom que se tornou popular na TV norte-americana com histórias que tinham começo, meio e fim no mesmo episódio, as produções do serviço de streaming procuram por dar uma profundidade maior nos personagens, algo visto até então somente em canais premium, como HBO e Showtime. Como principais exemplos, podemos citar Orange is the New Black e Grace and Frankie, boas comédias que são repletas de camadas dramáticas. Disque Amiga Para Matar foge um pouco À regra, mas isso é justamente pelo modo como a série foi vendida — e não do que ela realmente é.

A história de Disque Amiga Para Matar (título nacional nada menos que ridículo se comparado ao original, Dead To Me) é toda baseada no luto. De um lado temos Jen (Christina Applegate), uma mulher na casa dos 40 anos que acabou de perder seu marido Ted em um acidente de carro e que, desde então, busca respostas. Do outro, temos Judy (Linda Cardellini), uma mulher misteriosa que surge na vida de Jen e se torna seu porto seguro, mesmo com seu luto sendo uma farsa para encobrir outro luto.

Desde o finalzinho do primeiro episódio, já sabemos que Judy estava dirigindo o carro que matou o marido de Jen, e se, por acaso, a criadora da série Liz Feldman decidisse deixar a revelação para os capítulos finais, seria muito difícil apresentar uma série consistente que brinca tanto com a emoção do espectador quanto com a da protagonista vivida por Applegate. Isso acontece porque a amizade que Judy e Jen formam realmente soa como verdadeira em todo momento em que as duas estão juntas, em uma narrativa que usa artifícios como sororidade e independência feminina para contar uma história de redenção. As duas atrizes têm muita química e ambas têm seus momentos de brilhantismo interpretativo.

Outro ponto fundamental da trama é o ex-noivo babaca de Judy, Steve (James Marsden). Se Judy era a pessoa ao volante no momento em que Ted se acidentou, Steve pode ser apontado como igualmente responsável pela morte do homem. O roteiro vai deixando bem claro que o que Steve tem de beleza, ele tem de canalha, pois ele é um homem que gosta de estar no poder. Disque Amiga Para Matar também é uma história sobre como mulheres podem se livrar de homens que sugam suas energias.

Mas e a comédia? Bom, embora o marketing da Netflix tenha sido focado nas gags e piadas baseadas em morte, o humor ligeiramente ácido acaba ficando em segundo plano. E isso não é um problema. As revelações, todo o mistério e as condições de morte de Ted, a tentativa quase fracassada de lidar com o luto de maneira saudável, tudo isso envolve mais o espectador do que a comédia. E mesmo ela estando em segundo plano, ela não deixa de ser boa. O humor é muito pontual e usa de piadas internas que a série se deu ao luxo de criar em poucos episódios (tudo que envolve o passarinho é ótimo e rende algumas risadas).

É possível tirar algumas lições de Disque Amiga Para Matar. A maioria delas relacionadas à morte e à confiança (não posso entrar em mais detalhes sem tocar em pontos importantes do enredo). E isso faz da série não apenas mais um conteúdo pra ser consumido numa maratona de final de semana, mas um material rico e que tem muito mais a ser explorado. O gancho dos últimos cinco minutos com certeza vai deixar o fã da série (a essa altura, acredito que você já terá se tornado fã) ansioso por uma segunda temporada. Caso o show tenha a sorte de ser renovado, que venha algo com a mesma qualidade e, se possível, seja ainda superior.

Nota do crítico:

 

Nota do público:

[Total: 2    Média: 4.5/5]

Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Curta a nossa página no Facebook!

The following two tabs change content below.

João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close