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Game of Thrones – 8×05: The Bells | Crítica

Game of Thrones – 8×05: The Bells | Crítica

Game of Thrones – 8ª temporada

Ano: 2019

Criadores: David BenioffD.B. Weiss

Elenco: Peter DinklageKit Harington, Emilia ClarkeLena HeadeyNikolaj Coster-WaldauSophie TurnerMaisie Williams, Liam Cunningham, Carice van Houten, Nathalie Emmanuel, Alfie Allen, John Bradley, Isaac Hempstead Wright, Gwendoline Christie, Conleth Hill, Rory McCann, Jerome Flynn, Kristofer Hivju, Joe Dempsie, Jacob Anderson , Hannah Murray, Iain Glen

Durante seus oito anos de exibição, Game of Thrones teve certos altos e baixos. A quinta e a sétima temporada marcaram os pontos mais baixos, mas a série nunca foi ruim — até agora. Não existe nenhuma explicação lógica para este último episódio, nada soa plausível a não ser que David Benioff e D. B. Weiss, criadores da série e roteiristas de 51 dos 73 episódios, estivessem em uma missão para acabar completamente com o legado da série que tão cuidadosamente ajudaram a construir ao longo dos anos. Depois de tanta antecipação, não existem mais falsas expectativas, o final de Game of Thrones vai ser ruim para toda a eternidade.

Após ter sido humilhada pelo ataque surpresa de Euron Greyjoy (Pilou Asbæk) liderando a Frota de Ferro e perder um dos dois dragões restantes, a narrativa de Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) seguir os passos do pai e ceder à loucura foi jogado de qualquer jeito ao público. Se a loucura fosse de fato hereditária e desenvolvida ao longo dos anos, ou ao menos dos episódios, não teria problema. Mas a Rainha ficou louca em questão de horas mesmo. Ela já não se importa com a vida dos inocentes de Porto Real e vai atacar a cidade com força total para tirar Cersei Lannister (Lena Headey) do Trono de Ferro a qualquer custo.

Decisão que divide o seu Conselho. Tyrion (Peter Dinklage) discorda veementemente mais uma vez e continua a apostar em um lado bom de Cersei — que claramente não existe. Jon Snow (Kit Harrington) segue seguindo cegamente a sua amada em um romance proibido sem química alguma para se tornar envolvente. Varys (Conleth Hill) é o único que se mantém lúcido e se opõe a Daenerys ao tentar começar a lançar uma campanha para provar a legitimidade de Jon como herdeiro legítimo do trono — boa intenção que logo é dedurada por Tyrion e o faz sofrer as consequências. Assim como Mindinho na temporada anterior, Varys é outro personagem brilhante e conspirador de Game of Thrones que é executado por ser burro e ingênuo momentaneamente.

Logo começa aquela que ouso dizer ser a batalha mais sem graça de toda a série. Não existe qualquer investimento, qualquer tensão, qualquer sentimento palpável durante a sequência inteira, nada. É impressionante pensar que, depois de criar uma reputação impecável de ter as melhores e mais épicas cenas de batalhas da história televisiva, Game of Thrones tenha caído de nível tão amargamente. As balistas da Frota de Ferro e de Porto Real, que foram estabelecidas como ameaças enormes no episódio anterior e literalmente mataram Rhaegal, não exprimem ameaça alguma. Ninguém chega nem perto de acertar Drogon voando mais exposto impossível e Daenerys consegue destruir todas as balistas sem qualquer resistência.

Mas não só isso. Depois de passar tanto tempo reafirmando os altos números dos exércitos que lutam pela Cersei e como as tropas da Targaryen estão com um número reduzido após a luta contra o Rei da Noite, nenhuma vitória foi tão fácil — e nada satisfatória. Os mocinhos não tiveram nenhuma perda significativa e basicamente humilharam o lado rival. Não demorou para que as balistas estivessem acabadas, os inimigos encurralados e, pouco depois, rendidos. Simples assim. O conflito derradeiro de Game of Thrones, a guerra final pelo Trono de Ferro, foi resolvido com muita facilidade. E, por pior que pareça, seria melhor se acabasse assim. Ninguém poderia prever como ficaria ainda pior em questão de minutos.

O sino de rendição foi tocado e Daenerys, do mais absoluto nada, sem qualquer motivação aparente, começa a destruir Porto Real. A sensação da cena é indescritível. Com a batalha facilmente ganha, Dany reduz a cidade inteira a cinzas, queimando soldados rendidos, cidadãos inocentes, criancinhas e seus próprios homens. Não faz o menor sentido, pois a narrativa dela se tornar a Rainha Louca foi jogada de qualquer jeito e sem tempo o suficiente para ser crível. E foi sangrento. Verme Cinzento (Jacob Anderson), ainda de luto por Missandei (Nathalie Emmanuel), ataca um soldado inimigo rendido pelas costas e reinicia uma batalha já terminada. Alguém lembra que os Imaculados sofrem anos de treinamento para sentir nada? Os roteiristas certamente não.

Ao contrário do que muitos julgaram pelo episódio anterior, Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) não aprendeu nada e foi realmente salvar a Cersei. Arya (Maisie Willaims) e Cão de Caça (Rory McCann) foram lá atrás da tão aguardada vingança e, mais uma vez, também não foi satisfatório. O tão esperado Clegane Bowl foi apenas um duelo pouco inspirado entre os irmãos e com uma conclusão sem graça. Sandor Clegane merecia bem mais. A morte de Cersei foi absolutamente anticlimática, salva apenas pela atuação da sempre excelente Lena Headey.

Um dos únicos aspectos positivos foi Arya entendendo que vingança não é tudo quando ela foi quase morta pelos seus ideais violentos no castelo desmoronando. No entanto, a cena dela fugindo e tentando ajudar as pessoas em Porto Real foi um tanto forçada. Basicamente, todo mundo morreu e ela foi a única sobrevivente — salva pelo protagonismo.

Depois de acabar com a destruição desenfreada, só sobraram as cinzas, tanto de Porto Real como da série. É impossível que Game of Thrones consiga se recuperar com o seu episódio final. Um dos maiores fenômenos da cultura pop dos últimos anos para sempre será lembrado por ter um dos finais mais desapontadores das séries de TV.

Nota do crítico:

 

Nota do público:

[Total: 12    Média: 3/5]

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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

Comments

  1. Gabryel Fernando Nunes - 13 de maio de 2019 at 02:24 - Responder

    Dizer que essa conclusão pra Daenerys foi jogada ao público de forma forçada é desrespeitar o trabalho construído ao longo desses anos todos. Game of Thrones não é e nunca foi uma novela da Globo. Game of Thrones explica no detalhe, no olhar, na posição da câmera. Desde a primeira temporada Daenerys sempre se mostrou tendente a seguir os passos do pai. Ela enfrentou muitas dificuldades e não poucas vezes teve prazer ao mostrar sua força ao sobrepujar o inimigo. A jornada de Daenerys não é de conquista, mas sim de uma luta constante pra provar – a si mesma mais do que a qualquer outro – que ela não é o pai dela, que ela não é uma tirana e sim uma líder a ser amada. A série mostra DIVERSAS VEZES ela a ponto de perder a cabeça e tomar medidas austeras e até cruéis para deixar clara sua dominância. O show nos mostrou pouco a pouco que a natureza da Khaleesi era algo do que ela tentava se distanciar. E por anos ela lutou e tentou, mas ela agora perdeu tudo. Perdeu exércitos, perdeu dois de seus filhos, perdeu seu melhor amigo e sua amada conselheira, perdeu o amor (pífiamente construído e forçado goela abaixo) de Jon Snow. Ela diz que se amor não há, que seja pelo medo, e é uma frase que abre um leque interpretativo muito bom: o recado é claro para os moradores de KL, mas é um aviso para que Jon se mantenha leal.
    Arya se desviou da construção feita durante as duas últimas temporadas, que tentaram a estabelecer como uma assassina de sangue frio. Hoje, voltou a ser a filha corajosa de Ned Stark, que quer ser uma guerreira num mundo grande e terrível.
    Jon é o persongem que recebe o pior tratamento nessa temporada, pois seu “amor” não foi bem trabalhado pela direção da série, e nós temos dificuldade em entender essa como sua motivação.
    A morte de Cersei desafia as expectativas de todos, que esperavam que ela fosse assassinada por Jaime ou Tyrion ou Arya. Acontece que o episódio de hoje nos trouxe de volta o Game of Thrones que tanto amamos: Jaime jamais se voltaria contra Cersei. Jaime a ama, e sempre deixou claro. Ele trairia o norte por ela? Sim. Ele desafiaria Daenerys por ela? Sim. Ele morreria por ela? Sim. Afinal ele mesmo disse: as coisas que eu faço por amor.
    Esse episódio é uma declaração de que Game of Thrones ainda vive!
    Cersei chorou quando percebe que perdeu no jogo dos tronos, pois quando se joga o jogo dos tronos, se ganha ou se morre. Ela teme quando Sor Gregor a desobedece, pois se ela não tem poder, o que restou? Ela se ve sozinha, com medo e sem perspectiva. Ela encara as consequências de suas escolhas; algo que sempre foi uma regra clara de GoT.
    Daenerys demonstrou que “poder é poder”, e que após perder dois dragões por se atirar ao campo de batalha, era necessária uma estratégia. E ela copiou a maior ameaça de Westeros: escondeu seu dragão nas nuvens, atacando com velocidade e força total, dificultando a manobra das armas de Euron.
    Sim, o exército de Cersei foi esmagado porque a força principal era de mercenários que lutam por dinheiro! Quantas vezes ouvimos isso durante a série? Mercenários são fieis ao dinheiro, e correm pro lado contrário quando sua vida corre riscos. O exército Lannister está bem reduzido pelo ataque que sofreu enquanto retornava da Campina. A série cansou de estabelecer que os dragões causam terror no coração de seus inimigos.
    A impressão que tive ao ler essa crítica é que o autor sente falta de um artifício novelesco muito utilizado: quando o personagem olha pro nada e fala pra si mesmo deixando claro seus planos ou motivações. Game of Thrones não subestima seus espectadores usando de manobras preguiçosas para esclarecer algo. É preciso reconhecer, contudo, que os últimos oito ou nove episódios demonstraram desrespeito com os próprios personagens, estagnando-os no mesmo lugar e abalroando a história de qualquer forma. Não é o caso de hoje: a série retomou seu ritmo de sempre, e o melhor exemplo é a tentativa de Varys de envenenar sua rainha. A série não precisou mostrar a cena acontecendo, bastou uma escolha de palavras para que a informação fosse fornecida. Uma cena mostrando o conteúdo de uma carta apontou a escolha do personagem. O barulho de passos na escada selou seu destino.
    Dizer que o episódio de hoje jogou coisas não construídas em GoT é, no mínimo, imprudente.

    • Apesar de concordar com alguns pontos seus, como o romance mal construído e parte da conclusão da Cersei e do Jaime, sou obrigado a discordar do que você disse sobre a Daenerys.

      Sim, ela sempre gostou de demonstrar o seu poder e queimar vivo aqueles que a antagonizavam, como fez com o Varys neste episódio. é perfeitamente compreensível que ela tenha perdido a postura de querer ser amada por todos, conquistar o trono de forma justa e evitar casualidades civis. Mas continua sem fazer sentido a atitude dela. Ela já tinha ganho a batalha, faltava apenas dominar a Fortaleza Vermelha e se ela destruísse apenas a Fortaleza Vermelha, tudo bem, até que pode ser válido, mas o que ela fez foi pior.

      Daenerys Targaryen, que desde de o primeiro dia se opôs a violência dos dothrakis e claramente os mandou parar com os estupros e com o assassinato de inocentes passou a destruir Porto Real a troco de nada, a cidade já estava conquista, a Frota de Ferro destruída e os exércitos inimigos rendidos. Não tinha necessidade alguma de continuar atacando e foi isso que ela fez. Ela reduziu Porto Real a cinzas, detonou milhares de casas de pessoas comuns, matou incontáveis inocentes e crianças a troco de quê? Ela quase acabou com o próprio exército do caminho. Mesmo que Daenerys já tenha se mostrado irracional e cruel, isso traiu completamente a personagem para valor de choque e acabar com o favoritismo dela ao trono para mais uma vez favorecer o Jon.

  2. Concordo com o Gabryel Fernando Nunes. A crítica feita aqui parece ser muito mais emocional do que técnica.

  3. O Diego parece ter visto um episódio completamente diferente do que eu vi.

  4. Gabryel Fernando Nunes - 14 de maio de 2019 at 23:17 - Responder

    Essa crítica parece ser sobre outra série. Parece que a oitava temporada está isolada de todas as outras. Não me parece correto analisar um personagem que está na série desde a primeira temporada olhando somente pros acontecimentos recentes. É preciso analisar desde o princípio. A loucura de Daenerys não foi inventada do nada. Já estamos no episódio 5 de 6, o que já evidencia que a história está no fim.

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