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Pokémon: Detetive Pikachu | Crítica

Pokémon: Detetive Pikachu | Crítica

Pokémon: Detetive Pikachu (Pokémon: Detective Pikachu)

Ano: 2019

Direção: Rob Letterman

Roteiro: Dan HernandezBenji SamitRob LettermanDerek Connolly

Elenco: Ryan Reynolds, Justice SmithKathryn NewtonBill NighyKen Watanabe

Quem nasceu na década de 1990 (assim como este que vos escreve), vivenciou o surgimento de Pokémon. Rapidamente, os monstrinhos se tornaram febre entre as crianças e os jovens, virando um fenômeno cultural — do videogame passando para animação e filmes, estampando roupas, virando brinde de salgadinho, álbum de figurinhas… Enfim, as criaturinhas coloridas estavam por toda parte e conquistaram uma legião de fãs. No entanto, a grande sacada de Pokémon foi conseguir se reinventar. Desde o seu surgimento, há mais de 20 anos, a franquia conseguiu entregar novos produtos, desde novas gerações dos animaizinhos poderosos até game de realidade aumentada, em que coloca o jogador para caçar os Pokémons, espalhando os bichinhos pelo mundo inteiro — inclusive, deve ter, pelo menos, um dentro da sua casa agora mesmo, basta ligar o aplicativo e pegá-lo!

Agora, chegou o momento de Pokémon ganhar o seu primeiro live-action e, surpreendentemente, ele não é baseado na franquia de games com a qual estamos acostumados. A produção escolhe apostar no carisma do monstrinho mais famoso e fofo da saga, adaptando o jogo Detetive Pikachu, lançado em 2016 para o Nintendo 3DS. Na trama, Tim Goodman (Justice Smith) é um dos únicos jovens que não conta com um companheiro Pokémon, mas quando o seu pai é dado como desaparecido, ele precisa se reunir com um esquecido Pikachu que está relacionado com o mistério. E, além disso, há um upgrade na relação dos dois: Tim é o único que consegue compreender o que o monstrinho diz — e, com um Ryan Reynolds interpretando o ratinho amarelo, ele, com certeza, tem muito o que falar.

Assim, a dupla começa a investigar o sumiço do pai de Tim, no melhor estilo das famosas produções policiais. A interação entre humano e Pokémon é excelente, com ótimos diálogos vindos de Pikachu, que é uma metralhadora de piadas — algumas mais ‘espertinhas’, que apenas os adultos vão entender. Reynolds que, além da voz, empresta as suas feições e gestos para o monstrinho protagonista, demonstra o seu ótimo timing cômico, com situações que, certamente, foram sugeridas pelo ator — frases que nitidamente carregam um selo de qualidade de Deadpool (só que mais leve, fique tranquilo com as crianças). Smith também consegue segurar bem o seu personagem, entregando o necessário sempre que exigido.

O visual de Ryme, cidade em que a aventura principal se passa, é interessantíssimo. Com uma pegada noir, o lugar é um deleite para os fãs da franquia. O motivo? Bem, ali, os humanos e os Pokémons vivem lado a lado, em um sistema de parceria — os monstrinhos até trabalham em diversas funções naquela sociedade. Assim, cada cena em que Ryme aparece é um jogo de identificar quantos monstrinhos diferentes aparecerão — e eles estão lá para todos os gostos, desde os originais, da primeira geração, como Charmander, Squirtle e Bulbasaur, até os mais novos, que os fãs mais antigos passam a conhecer a partir de agora. E o CGI, que era uma grande preocupação por parte daqueles que aguardavam pela produção, consegue ser surpreendentemente eficaz, não causando estranheza em ver a interação entre os Pokémons e humanos. Os monstrinhos, inclusive, tornaram-se um pouco mais ‘realistas’ no live-action, mas não perderam as suas principais características, o que é ótimo para quem sempre imaginou como seriam aquelas criaturas se existissem de verdade.

Mas nem tudo é só alegria. Com um começo excelente, que vai até a metade do segundo ato, Pokémon: Detetive Pikachu perde fôlego na metade final, com o roteiro demonstrando a sua fragilidade e surgem algumas conveniências para que a história siga adiante. No entanto, mesmo que o filme enfraqueça, não quer dizer que ele fique ruim — longe disso, inclusive. O grande trunfo do longa, certamente, está no carisma de seu protagonista e em apostar em uma história que, mesmo sendo baseada em um jogo, consegue ser inovadora para a maior parte do público, que se surpreenderá em ver os tão famosos monstrinhos em uma trama detetivesca, com um visual digno de clássicos policiais e piadas hilárias. E, claro, ver o Pikachu sendo interpretado por Ryan Reynolds é um show a parte. Pokémon: Detetive Pikachu, certamente, é um dos filmes mais divertidos do ano e que seja apenas o primeiro de uma franquia que tem tudo para dar certo.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 4/5]


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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