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Cemitério Maldito | Crítica

Cemitério Maldito | Crítica

Cemitério Maldito (Pet Sematary)

Ano: 2019

Direção: Kevin KölschDennis Widmyer

Roteiro: Matt GreenbergJeff Buhler

Elenco: Jason Clarke, Amy SeimetzJeté Laurence, Hugo Lavoie, Lucas LavoieJohn LithgowObssa Ahmed

Mais uma vez, a indústria do cinema decide espremer uma ideia antiga para ver se consegue lucrar alguma coisa com ela. Não existe outra explicação para uma refilmagem de Cemitério Maldito. A versão original, que completa 30 anos em 2019, pode não ser uma obra-prima do terror, mas possui elementos que o tornam funcional até hoje. Principalmente por seus efeitos práticos e maquiagens que tornavam o visual muito assustador. Então, um remake atualizado deveria ao menos aprimorar a história, corrigir problemas, ou se tornar visualmente mais apavorante. Não conseguiu realizar nenhuma destas missões, tornando-se um filme facilmente esquecível pouco tempo após o final da sessão.

Na trama, o doutor Louis Creed (Jason Clarke), com o intuito de acalmar sua estressante rotina, muda-se de Boston para uma cidade no interior do Maine, acompanhado de sua família — a esposa Rachel (Amy Seimetz), a filha Ellie (Jeté Laurence) e o caçula Gage (Hugo Lavoie/Lucas Lavoie). Chegando lá, vão morar em uma casa em meio a um bosque, que faz parte do terreno adquirido. No entanto, neste lugar existe um local sobrenatural, no qual os mortos lá enterrados retornam à vida — mas não exatamente da mesma maneira.

Um mal indício para uma refilmagem é quando percebemos que o elenco não possui nomes muito conhecidos. Não é uma regra, mas muitas vezes indica um orçamento mais baixo. E alguns atores não beiram o anonimato à toa. Jason Clarke não é exatamente um desconhecido, já participou de algumas grandes produções e até em filmes com indicações ao Oscar. No entanto, como de costume, pouco ou nada acrescenta. Inclusive, a mera lembrança de sua participação em O Exterminador do Futuro: Gênesis já causa mal estar, tamanho constrangimento provocado por sua atuação como John Connor. Amy Seimetz vive uma Rachel extremamente mal desenvolvida pelo roteiro, mas também não se ajuda em nada. Jamais consegue passar qualquer credibilidade para sua personagem. Acaba que o destaque da família — e que garante os melhores momentos do filme — é, sem dúvida, a pequena Jeté Laurence. Sua Ellie é encantadora e, ao lado do ótimo John Lithgow, que vive o vizinho Jud, garante as únicas emoções genuínas para o público, ou algo que se aproxime disso. O pequeno Gage, ao contrário, fica sumido quase o tempo inteiro. Em boa parte do filme, mal somos lembrados de que ele existe.

E isso porque o roteiro é uma bagunça. Uma salada de referências à versão original, com situações e personagens jogados na tela sem sentido nenhum. O diálogo no qual Rachel conta a Louis um antigo trauma familiar, além de absolutamente desnecessário para a trama, é um insulto à inteligência. Qual seria a possibilidade de Louis, casado há alguns anos com Rachel, já com dois filhos, não saber daquilo? E mais, como ele conseguiu agir tão naturalmente ao escutar algo tão impactante? Talvez ele já soubesse, é claro. E isso é ainda pior, pois ele deixou que Rachel contasse de novo, detalhadamente, todo o caso. Fica claro que aquele diálogo, na verdade, era para apresentar aquela história para o público. Portanto, deve ser algo importante, certo? Só pode ser, afinal a situação é revisitada mais algumas vezes, em pesadelos, alucinações e flashbacks. A grande surpresa é que não — este trauma é absolutamente irrelevante, sendo utilizado em uma cena que até destoa do resto da produção. O mesmo vale para o espírito que conversa com Louis. Se todas suas aparições fossem retiradas, pouca diferença faria no desenrolar dos acontecimentos. Acredito que seria possível citar uma inconsistência de roteiro a cada duas cenas do filme.

O mais decepcionante é que o trailer e até mesmo o pôster de divulgação do novo Cemitério Maldito foram promissores. Aquele grupo de crianças em cortejo, vestindo máscaras de animais, eram por si só absolutamente assustadores. E pela forma que foram apresentados, pareciam ter uma grande relevância. Ledo engano. Um elemento tão bem idealizado, mas absurdamente mal aproveitado. O que dá a nítida sensação de que roteirista e diretores sequer perceberam o potencial daqueles personagens. Deram tão pouco destaque para algo que criaria um bom ambiente de tensão e, ao mesmo tempo, exageraram no óbvio e previsível perigo representado pelos caminhões e automóveis na estrada que cruzava a cidade.

Às vezes é melhor estar morto”: o slogan da produção serve para os personagens, mas também para o próprio filme. Cemitério Maldito, como acontece com alguns animais e pessoas, no filme original e no remake, também não voltou muito bem do seu ‘descanso’. Mas, neste caso, acredito que enterrou de vez a história criada por Stephen King. Sem volta.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 1/5]


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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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