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Game of Thrones – 8×03: The Long Night | Crítica

Game of Thrones – 8×03: The Long Night | Crítica

Game of Thrones – 8ª temporada

Ano: 2018

Criadores: David BenioffD.B. Weiss

Elenco: Peter DinklageKit Harington, Emilia ClarkeLena HeadeyNikolaj Coster-WaldauSophie TurnerMaisie Williams, Liam Cunningham, Carice van Houten, Nathalie Emmanuel, Alfie Allen, John Bradley, Isaac Hempstead Wright, Gwendoline Christie, Conleth Hill, Rory McCann, Jerome Flynn, Kristofer Hivju, Joe Dempsie, Jacob Anderson , Hannah Murray, Iain Glen

A série pode ter inegavelmente perdido um pouco da qualidade nas últimas temporadas, principalmente no roteiro, mas existe algo em que Game of Thrones nunca falha: cenas de batalha. Mesmo que os roteiristas não tenham mais os livros para se basear, a produção sempre consegue executar as cenas mais grandiosas, insanas e bem executadas. Assim tivemos A guerra entre o exército da Daenerys (Emilia Clarke) contra o exército da Cersei (Lena Headey) na última temporada, o massacre de Durolar e a Batalha dos Bastardos, estes dois últimos comandado por Miguel Sapochnik, diretor deste episódio. Cenas épicas que mesmo sem base no material fonte, não deixaram de entregar um espetáculo visual e narrativo.

Desde a primeira cena de GoT, a ameaça dos Caminhantes Brancos e seu exército de mortos foi introduzida e foi crescendo exponencialmente ao longo dos anos. Era impossível conter a expectativa para a tão esperada Batalha de Winterfell, quando as tropas dos mortos do Rei da Noite (Vladimir Furdik) finalmente iam ter um conflito em massa com o exército dos vivos, dispostos a evitar que outra Longa Noite acontecesse. E, se comparada a outras batalhas da série, esta decepciona justamente onde nunca erraram antes: na execução.

Depois de passar todo o episódio anterior construindo a antecipada guerra, a primeira surpresa da noite foi a presença de Melissandre (Carice van Houten) e a sua importância para o conflito. A Mulher Vermelha acendeu os arakhs dos dothrakis em chamas (mas nunca explicou porque ela não fez o mesmo com o resto) e teve participação decisiva em dois momentos chaves. A fé dela no Senhor da Luz realmente compensou no final das contas.

E o tenso começo da batalha com o breve massacre de todos os dothrakis bem como todas as cenas de ação iniciais foram gravemente prejudicadas pela direção do episódio. Primeiro, escuro demais para enxergar e, ainda por cima, a montagem não colaborou com cortes rápidos e câmera tremida. Se a intenção era colocar o espectador na posição dos personagens, confusos, desorientados e incertos, claramente houve o êxito, mas não para o melhor. Divulgada extensamente como a maior batalha da história televisiva falhou feito nos aspectos mais básicos em que Game of Thornes nunca errou antes. A batalha do Água Negra e a luta dos membros da Patrulha da Noite contra os selvagens também foram ambientadas à noite e era possível enxergar perfeitamente tudo o que acontecia. Em Winterfell, cidade da série com a geografia mais conhecida e explorada de todos, ficou difícil de se localizar, chegando ao nível de nem ter certeza de quais personagens conhecidos morreram.

Felizmente, o começo conturbado é superado e é possível enxergar o que está acontecendo, graças ao fogo dos dragões da Daenerys e da trincheira acessa; e nas cenas aéreas com o céu mais limpo, ficou difícil ver após o Rei da Noite invocar uma nevasca . O tamanho da ameaça dos mortos, ao menos, é desesperador. Os wights parecem intermináveis, nenhum exército humano inimigo até aqui conseguiu chegar nem perto em número ou em intimidação. Durante toda a duração era possível temer pelos protagonistas e coadjuvantes da série, que lutaram até o fim. Mesmo as mortes de personagens menos importantes foi duramente sentida.

E quanto aos dragões, bem, outro ponto que poderia ter sido melhor utilizado. O Rei da Noite chegou no campo de batalha montado no Viserion ressuscitado ao passo de que Jon Snow (Kit Harrington) e Daenerys, sentados no Rhaegal e Drogon, respectivamente, voavam para enfrenta-lo. E eles passaram mais tempo se encarando do que atacando um ao outro. A ação de dragão contra dragão demorou para acontecer e foi excelente quando finalmente aconteceu, mas a frustração quando cortava da batalha para os dragões simplesmente fazendo absolutamente nada. Inclusive, tanto aço valíriano e vidro de dragão foi investido no confronto para literalmente nenhum dos Caminhantes Brancos se juntar a luta, não fizeram nada o episódio inteiro.

As cenas da Sansa (Sophie Turner), Tyrion (Peter Dinklage) e o restando escondido nas criptas ecoava uma cena similar da segunda temporada com Cersei guardando Sansa e outras mulheres de Porto Real na Fortaleza Vermelha, mas sem a qualidade dos diálogos da anterior. Até algo de emergente acontecer nas criptas no clímax do episódio, era difícil de se importar com o que acontecia ali.

O elenco de apoio se sobressaiu mais do que os protagonistas. Brienne (Gwendoline Christie), Jaime (Nikolaj Coster-Waldau), Podrick (Daniel Portman) e Tormund (Kristofer Hivju) eram imparáveis mesmo diante de um ameaça que não parava de vir. Sandor Clegane (Rory McCann) teve que mais uma vez lidar com o seu medo de fogo e desta vez finalmente superá-lo para salvar a Arya (Maisie Williams), a estrela do episódio, possivelmente a única pessoa com a qual ele se importa. Theon Greyjoy (Alfie Allen) deu outro importante passo para se redimir de todos os seus pecados ao proteger Bran (Isaac Hempstead Wrigh) até o fim. Sor Jorah Mormont (Iain Glen), Lorde Beric Dondarrion (Richard Dormer) e Lady Lyanna Mormont (Bella Ramsey) também protagonizaram excelentes momentos com momentos de sacrifício e resiliência.

No final das contas, The Long Night é um ótimo episódio de Game of Thrones, repletos de grandes e empolgantes momentos. A série nunca foi culpada de não entregar efeitos excelentes e a qualidade de produção continua invicta. É uma pena que a batalha mais esperada de toda a série sofra seriamente de uma direção desinspirada e problemática do melhor realizador de batalhas até aqui.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 8    Média: 3.9/5]

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Estudante de jornalismo, tem 20 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli e de musicais, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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