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Vingadores: Ultimato | Crítica

Vingadores: Ultimato | Crítica

Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame)

Ano: 2019

Direção: Anthony Russo, Joe Russo

Roteiro: Christopher MarkusStephen McFeely

Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris HemsworthScarlett Johansson, Jeremy Renner, Paul Rudd, Brie LarsonDon Cheadle, Karen Gillan, Danai Gurira, Bradley Cooper, Josh Brolin

“Eu sou inevitável”. A frase proferida por Thanos (Josh Brolin) em Vingadores: Ultimato é um fato. Independente de qualquer resultado, independente de tudo que ocorre nesta conclusão da saga das Joias do Infinito, o Titã Louco foi o responsável pelas grandes mudanças que ocorrerão daqui para frente no Universo Cinematográfico Marvel. Muitos ciclos se fecharam. Quem acompanhou as declarações de atores, diretores e produtores já sabia que isso aconteceria, mas dificilmente alguém poderia prever como isso seria feito.

O filme inicia imediatamente após o estalar de dedos de Thanos, ocorrido em Vingadores: Guerra Infinita, quando em posse das seis Joias do Infinito, ele dizimou metade dos seres vivos do universo. Obviamente, os sobreviventes não conseguiram aceitar isso de forma definitiva, e passam as semanas seguintes tentando buscar uma forma de desfazer a ação do Titã Louco. A chegada da Capitã Marvel (Brie Larson) traz uma nova esperança, mas, obviamente, as coisas não poderiam ser tão simples para, como ela sugere, “matar o Thanos e trazer todo mundo de volta”.

No entanto, o plano final era esse. Mas como superar um poder como aquele? Se o vilão já era extremamente perigoso de mãos vazias, como enfrentá-lo quando em posse dos artefatos mais poderosos do universo? É aí que o roteiro nos surpreende trazendo uma grande reviravolta ainda nos minutos iniciais. Inclusive, o ponto alto do script está justamente nestas reviravoltas. Aparições de alguns personagens, o destino de outros, a personalidade de outros. Diversas situações completamente inesperadas que, eventualmente, são inclusive chocantes. Infelizmente, alguns momentos que já esperávamos que ocorreriam não receberam a mesma dedicação, se tornando superficiais ou exageradamente convenientes.

Por exemplo, todos nós sabíamos que o Homem-Formiga (Paul Rudd) retornaria do Reino Quântico, certo? Olha, eu conseguiria imaginar pelo menos umas cinco maneiras melhores disso ocorrer, que não contasse com um Deus Ex Machina como o que foi apresentado. E não foi só aí. Há, pelo menos, outras duas vezes em que o Deus Ex Machina foi utilizado de maneira totalmente desnecessária, quebrando o clima em momentos que poderiam ter muito mais emoção. As piadas também, dessa vez, não funcionaram como em outros filmes. Além de serem menos engraçadas, ainda tiveram um timing ruim. Sendo assim, o roteiro acaba se tornando o ponto mais fraco de Vingadores: Ultimato, pois mesmo tendo um background de 21 filmes servindo como introdução à esta história, ele consegue deixar soluções mal explicadas, e uma dezena de pontas soltas que obviamente jamais serão retomadas. Até mesmo cenas pós-créditos são fundamentais para que o público compreenda algumas situações, para se ter uma ideia de quão dependente este filme é dos seus antecessores. Entretanto, quando estas coisas estão começando a incomodar, vem outra daquelas surpresas que geram empolgação ou estupefação, e voltamos a ficar alucinados com o que estamos assistindo. Este conflito de emoções acontece o tempo todo, deixando muito difícil de analisar racionalmente o que assistimos. O filme não é racional. A racionalidade é insustentável frente às emoções que nos são provocadas.

E se temos um novo espetáculo de efeitos visuais, com um CGI irrepreensível, voltamos a ter vários heróis subaproveitados. Alguns, inclusive, de forma surpreendente. Apesar do grande número de personagens que participam da ação, o foco fica exageradamente restrito a alguns deles. Claro que seria impossível dar o mesmo espaço para todos, mas seguindo a lógica das últimas produções do MCU, foi muito inesperada a forma como eles se tornaram tão secundários ou até sumiram sem mais nem menos. Outros, por sua vez, surpreenderam por viverem momentos marcantes, que tenho certeza que ninguém antecipou. E, nestes casos, foram decisões muito corajosas. Algumas delas, não tenho dúvidas, vão gerar muita discussão entre os fãs.

Quem acompanhou os 21 filmes do MCU nestes últimos 11 anos, certamente criou um laço emocional com os Vingadores. O público os conhece e sabe o que esperar deles. No entanto, ao serem forçados a lidar com um mundo pós-Thanos, todos eles mudaram. Então, somos apresentados a esta nova versão de cada um deles. Da mesma forma que acontece no mundo real, cada um encarou a perda à sua própria maneira. Alguns se fortaleceram, outros se quebraram. Mas apenas unidos eles puderam se reerguer e enfrentar a maior ameaça que já encararam, na batalha mais importante de suas vidas.

Depois de todos os problemas elencados, direi então que não gostei do filme? Longe disso. Vingadores: Ultimato possui algumas das cenas mais memoráveis já apresentadas em filmes de super-heróis, que acabam compensando e nos fazendo deixar de lado quase todos os deslizes que possam ter incomodado em algum momento. Uma luta em especial fará o mais contido dos fãs dar socos no ar de empolgação. Será impossível não se emocionar, tremer, se arrepiar e, sinceramente, quem não derramar nenhuma lágrima só pode ter um coração de pedra. A sensação de nostalgia é inevitável. Até porque, pela primeira vez em 22 filmes, não há uma cena pós-créditos. Considerando que Homem-Aranha: Longe de Casa será o último filme da Fase 3 do MCU, ele será a nossa grande cena pós-créditos. O momento do adeus a um Universo da forma como o conhecemos. E torçamos para que a nova era que vem por aí consiga ser tão emblemática e marcante como a que se encerrou. Com todos os defeitos, este ainda foi um final digno e épico para as jornadas dos heróis mais poderosos da Terra. Sentiremos falta de nossos protetores. De nossos Vingadores.

Nota do crítico:

 

Nota dos usuários:

[Total: 5    Média: 4.8/5]


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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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