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Cópias: De Volta à Vida | Crítica

Cópias: De Volta à Vida | Crítica

Cópias: De Volta à Vida (Replicas)

Ano: 2018

Direção: Jeffrey Nachmanoff

Roteiro: Chad St. John, Stephen Hamel

Elenco: Keanu ReevesAlice EveThomas MiddleditchJohn OrtizEmjay AnthonyEmily Alyn LindAria Lyric Leabu

A crise criativa de Hollywood parece não ter fim. Além dos incontáveis remakes, relançamentos de franquias, inúmeras continuações e todas estas reciclagens de histórias que vemos sendo lançadas com uma frequência cada vez maior, não é raro surgir um filme que é uma salada de vários outros que já assistimos, com quase nenhuma ideia original para justificar sua produção. Ou pior, as novas ideias não são tão boas assim. Por aí, começam a se explicar os problemas de Cópias: De Volta à Vida. E, para fechar com chave de ouro, efeitos especiais de padrão inferior, que não são mais aceitáveis para um público já acostumado a um realismo impressionante em cenas bem mais complexas.

Na trama, o cientista Will Foster (Keanu Reeves) trabalha em um laboratório do governo, onde busca desenvolver uma tecnologia de transferência de consciência de pessoas recém-falecidas para corpos sintéticos. As sucessivas falhas fazem com que seu superior, o misterioso Jones (John Ortiz), aumente a pressão sobre Foster e Ed (Thomas Middleditch), seu amigo e colega de pesquisa. Buscando relaxar no final de semana, Foster decide sair com a família para um passeio de barco, mas, ainda na estrada, eles sofrem um grave acidente do qual Will é o único sobrevivente. Incapaz de lidar com a perda de seus entes queridos, o homem decide contatar Ed para que o ajude a copiar os dados da memória de sua esposa e filhos mortos e, a seguir, transferi-los não para robôs, mas para clones, que faziam parte de outro projeto, este encabeçado por Ed.

Não vou mentir, é necessária muita boa vontade para aceitar as informações da forma como elas são entregues na narrativa. A suspensão da descrença, tão importante em filmes de ficção e fantasia, é levada ao seu limite, e não é o suficiente. Vou dar só um exemplo: um cientista, que jamais havia conseguido fazer sequer um clone humano, consegue criar uma família inteira, já na idade em que estavam quando faleceram, em um prazo de 17 dias, dentro de uma garagem. Sim. Mas vamos aceitar. É um filme de ficção científica. Neste universo, isso é possível. Mas, ainda assim, o roteiro não se salva.

Além das informações que vão surgindo sempre que necessárias para tapar os diversos furos do roteiro, muitas situações que parecem relevantes no momento que acontecem, simplesmente nunca mais são citadas, mostrando-se completamente inúteis na trama. Por exemplo, a ênfase que Ed dá a um cuidado que Will precisará ter durante o ‘amadurecimento’ dos clones em sua garagem. Ele usa um tom muito sério e preocupado, que leva Will a buscar uma solução apressada. Tudo leva a crer que, de duas uma, ou a solução não será eficaz, ou vai gerar consequências. Não. Simplesmente duas cenas insossas e alguns diálogos completamente irrelevantes.

É claro que espera-se que um filme que trata de temas como clonagem e transferência de consciência para seres sintéticos gere uma reflexão acerca dos dilemas éticos que envolvem estes assuntos. Cópias: De Volta à Vida faz isso, mas é de forma tão superficial que fica claro que esta não era nem de longe a preocupação ao desenvolver o roteiro. Os poucos questionamentos éticos que surgem partem da esposa de Will, no início do filme, e estes se diluem e desaparecem rapidamente e, em seu terceiro ato, a mensagem que recebemos é quase uma ofensa à inteligência do público.

O elenco também não ajuda o filme a funcionar. Tirando as crianças, que inclusive possuem pouco tempo de tela, o resto dos atores parece ter sofrido na mão de uma direção quase amadora por parte de Jeffrey Nachmanoff. Com atuações dignas de filmes B dos anos 90, fica muito difícil levar a sério as situações dramáticas que se passam na tela. Keanu Reeves, por sua vez, volta a ter uma atuação abaixo do esperado, como tem acontecido com muita frequência nesta década. Nachmanoff volta a pecar quando surgem as cenas de ação. Estas acontecem sem emoção e em um ritmo muito lento, tornando-as quase tediosas.

Com locações que remetem a Jurassic Park, corpos sintéticos com visual semelhante aos de Eu, Robô, tecnologias de realidade aumentada com referências a Minority Report e efeitos especiais piores do que em todos aí citados, a impressão que fica é que assistimos a um filme de cerca de duas décadas atrás. Tanto em sua concepção quanto na execução, Cópias: De Volta à Vida deixa muito a desejar. Não me surpreenderia se saísse dos cinemas direto para aquelas sessões da madrugada de sábado na TV aberta. E, ainda assim, talvez nem fosse a melhor opção no horário.

Nota do crítico: 

 

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 1/5]


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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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